A Agência Internacional de Energia (AIE) reviu pelo terceiro mês consecutivo as suas previsões para a procura mundial de petróleo em 2011.
A Agência acredita que o consumo global de crude irá ascender a uma média de 88,8 milhões de barris por dia, mais 260 mil barris do que a previsão anteriormente avançada.
Esta revisão foi motivada, de acordo com a AIE, pelos novos sinais de retoma económica, especificamente pela recente queda dos subsídidos de desemprego nos EUA e pelo crescimento da actividade industrial na China. A procura acima do esperado por parte dos países da OCDE no terceiro trimestre do ano também alicerçam o parecer de que os fundamentais do mercado petrolífero têm estado a melhorar nos últimos tempos, numa tendência que deverá se manter.
Dever-se-à observar igualmente ao longo do próximo ano o primeiro movimento de contracção dos inventários globais desde 2007, devendo por isso a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentar o seu plafond de produção já no início de 2011, sob pena, do ajustamento no mercado ser feito pela via do preço, o que poderá levar o crude a testar o nível de 100 dólares por barril já nos primeiros seis meses do próximo ano.
Actualmente o petróleo já tem negociado em forte alta, de facto nos níveis mais altos dos últimos dois anos, acima dos USD 92 por barril no mercado londrino e em torno dos USD 90 no mercado nova-iorquino. E as perspectivas apontam para uma manutenção desta tendência de subida dos preços, não obstante o facto dos receios em torno da crise soberana europeia funcionarem como amortecedores deste processo de subida dos preços.
Para os próximos cinco anos a Agência prevê um volume ainda maior a nível da procura petrolífera mundial, devendo a mesma orçar-se nos 93,4 milhões de barris por dia em 2015, com os mercados emergentes a representarem mais de metade do consumo de crude já a partir de 2013.
Estas previsões são indubitavelmente animadoras para as economias exportadoras de petróleo, entre as quais Angola se enquadra, pelo facto de sinalizar um aumento do volume das exportações e consequentemente das receitas daí advenientes.
Entretanto, se este potencial volume de receitas faz visualizar, por um lado, o aproximar de bons e novos ventos, por outro, deve ser utilizado com vista reduzir o grau de exposição das economias Opep às flutuações dos preços das matériasprimas nos mercados internacionais.


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