O presidente executivo da Vodafone Portugal, António Coimbra, afirmou na quarta-feira à noite que o mercado das telecomunicações fixo está a caminhar para um duopólio.
António Coimbra falava num jantar debate organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), o primeiro ciclo de eventos do género deste ano e que vai contar com a participação de outros responsáveis de empresas de telecomunicações até final do ano.
«Se juntarmos a quota de mercado dos operadores dominantes [PT e Zon Multimédia], que se vem a reforçar, estamos a caminhar para um duopólio», afirmou António Coimbra, quando abordava o tema das telecomunicações fixas em Portugal.
Este duopólio acontece «porque não há condições económicas para [os operadores] investirem numa terceira rede de fibra em Portugal, nem mesmo para uma segunda rede de cabo», explicou o gestor.
«Houve quem deixasse de vender ADSL [serviço de acesso à banda larga no negócio de telecomunicações fixo]», disse.
«Na banda larga fixa não nos podemos orgulhar como no móvel», salientou António Coimbra, que apresentou as diferenças entre o desempenho do negócio móvel e do negócio fixo.
«O sector móvel é bastante mais competitivo, com quotas de mercado mais equilibradas» e onde as medidas acordadas com a 'troika' já foram aplicadas, ao contrário do que acontece no negócio fixo.
António Coimbra criticou também o sentido provável de decisão do regulador Anacom sobre a concorrência nas redes de nova geração (RNG), e considerou que o documento «ignora o contexto económico» que se vive, «a racionalidade económica e o próprio esforço de investimento».
A única maneira de garantir a igualdade da concorrência dos operadores nas RNG é fazer a separação estrutural [entre a rede grossista e a rede retalhista] da rede, considerou.
Em relação ao concurso público para o serviço universal de comunicações, que irá arrancar em breve, «a proposta de financiamento por todos os operadores dos custos do serviço da PTC [grupo PT] anteriores à designação [do prestador] é manifestamente ilegal», destacou António Coimbra.
«Discordamos totalmente [o financiamento] em relação ao passado».
Sobre a Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom), António Coimbra espera que haja um reforço da independência da entidade reguladora.
Para o próximo ano - cujo ano fiscal começou em Abril e termina em Março de 2013 - a Vodafone Portugal estima que não irá ser melhor em relação ao anterior.
Inicialmente, o grupo tinha previsto que o mercado das telecomunicações, contando apenas com as receitas de clientes, recuasse 2,2 por cento, mas António Coimbra considera que esta previsão já deve estar desactualizada.
Para o próximo ano, o gestor prevê que a queda seja igual ou maior em comparação ao período anterior (quando o mercado caiu 3,7 por cento).
Em jeito de conclusão, o presidente da Vodafone Portugal disse que o grupo está disponível para fazer investimentos em Portugal.
«Estamos preparados para fazer investimentos adicionais se o ambiente regulatório for adequado».
SOL


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