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Tópico: Materias sobre artes

      
  1. #1
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    Afresco

    Afresco é uma técnica de pintura que deve o nome ao fato de que precisava ser realizada nas paredes ou tetos (preferencialmente de nata de cal, gesso ou outro material apropriado) enquanto o esboço ainda estava úmido (ou fresco). Na sua utilização, as tintas ou pigmentos em geral devem ser granulados, reduzidos ao pó e depois misturados à água. Dessa forma, as cores podem penetrar nas superfícies úmidas como parte integrantes delas. Por ter ótima durabilidade em países onde o clima é seco, foi particularmente aplicada nesses lugares, como o norte da Europa e a Itália (com exceção de Veneza). O fato dos afrescos secarem rapidamente, obrigava o pintor a vencer o tempo de secagem, ser ainda mais rápido, ter traços firmes e propósito claro. Outro fator limitante era a enorme dificuldade de se realizar correções posteriores. Provavelmente utilizada desde a antiguidade, especula-se que eram afrescos as paredes pintadas na ilha de Creta antiga (principalmente no período de 2.500 a.c a 1100 a.c) ou na antiga Grécia. É encontrado ainda fora da Europa, nas pinturas chineses e hindus. Porém Giotto é seu primeiro grande mestre, sendo após dele largamente usada na Renascença Italiana (os artistas da época pensavam que somente pigmentos naturais eram ideais em afrescos). Pintores como Masaccio, Rafael, Michelangelo são alguns exemplos dos que utilizaram a técnica em suas obras. A partir do século XVIII seu uso começa a ser cada vez mais escasso (Tiepolo é o último dos grandes nomes da pintura italiana a pintar afrescos). Porém, nos séculos seguintes ela encontra novos momentos de valorização, como entre os pintores alemães do século XIX Nazarenes e Cornelius e no século atual, entre os muralistas mexicanos, Riviera, Orozco e Siqueiros.

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  3. #2
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    Antiguidade

    Na História da Arte, o termo Antiguidade refere-se à arte produzida pelas civilizações grega e romana (ver Arte na Grécia Antiga e Arte na Roma da Antiguidade), em especial aqueles objetos remanescentes dessas civilizações, como as esculturas. Essas peças exerceram grande influência sobre a arte ocidental, sendo valorizadas por longos períodos como verdadeiros modelos de perfeição. A Renascença Italiana foi um dos períodos em que essa valorização da arte grega e romana foi mais intensa. Seus padrões e formas eram ideais a serem perseguidos pelos artistas. Coleções do Vaticano e de famílias como os Medici (extremamente poderosos na época e patronos das artes) eram importantes guardiões da arte antiga. Entretanto, por mais fiéis que os artistas tentassem se manter à arte do passado, uma leitura baseada nos próprios valores da época histórica em que se encontravam era inevitável. Temas do cristianismo, por exemplo, eram extremamente freqüentes na Arte Renascentista. A partir da Renascença, a arte clássica (como também é chamada a arte antiga) foi se estabelecendo cada vez mais como uma arte nobre, que deveria pautar o trabalho de um artista. Bernini, por exemplo, um dos mais importantes escultores barrocos sempre ressaltou sua inspiração na arte clássica. Nas academias que começaram a surgir a arte antiga era extremamente identificada como sinônimo de pura beleza e ideal artístico. O período Neoclássico assiste novamente a uma exacerbada admiração pela arte antiga, até mesmo como uma reação aos exageros do rococó . Os artistas do período procuravam copiar os modelos do passado, normalmente interpretados de uma maneira mais fria e impessoal do que a arte grega e romana efetivamente se mostrava. A partir do advento do Romantismo a supremacia da arte clássica vai perdendo cada vez mais espaço para a subjetividade. Entretanto, sua influência persistiu mesmo no século XX, sendo considerada ainda uma das bases de aprendizado dos artistas e inspirando nomes como Picasso .

  4. #3
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    Padrão Re: materias sobre artes

    Arcaísmo

    Trata-se da preferência pela arte antiga e mais primitiva. Na Europa do século XVIII - juntamente com a volta da padrões estéticos góticos e gregos - foi comum o gosto por um estilo artístico que apresentasse como atributos a simplicidade e a pureza. Na História da Arte foram comuns os períodos em que se procurava a volta de padrões mais primitivos, como por exemplo, o gosto entre os colecionadores do século I pela arte grega arcaica ao invés das desenvolvidas posteriormente por essa civilização. Pode ser citado em especial dois períodos em que o arcaísmo está bem exemplificado: os Nazarenes na Alemanha e os Pré-Rafaelitas na Inglaterra. Os Nazarenos foram um grupo surgido no começo do século XIX que tinha como principal objetivo a restauração dos laços entre a arte e os propósitos religiosos, propósito este, segundo eles, desvirtuado desde o século XVI. Suas inspirações vinham da arte da Idade Média e a do começo do Renascimento. Esse grupo acabou influenciando os Pré-Rafaelitas. A Irmandade dos Pré-Rafaelitas foi um nome adotado por um grupo inglês em 1848 que tinha como objetivo o resgate da arte Italiana anterior a Rafael, considerada mais simples e sincera. Seus temas eram, em grande parte das obras, religiosos. Iam contra o academicismo e as pinturas de genre. Na arte moderna, essa tendência manifesta-se principalmente através da valorização do primitivismo nas obras.

  5. #4
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    Padrão Re: materias sobre artes

    Arquitetura

    A arquitetura é a arte vinculada à harmonização estética de espaços interiores e formas exteriores de edificações. Além dos princípios de simetria e proporção dos quais a arquitetura é servida, a arquitetura também se preocupa com a própria finalidade utilitária do espaço criado: a funcionalidade e a estética também devem formar um conjunto harmonioso.

    Arquitetura Mesopotâmica

    A arquitetura mesopotâmica compreende o período que vai da pré-história até o século VI a.C. na região atual do Iraque, entre os rios Tigre e Eufrates, o que deu origem ao nome mesopotâmia (entre rios). Os Sumérios das épocas mais remotas, utilizavam materiais como junco e argila para suas construções, que não resistiram ao tempo. Por volta do ano 5000 a.C. passa-se a utilizar tijolos e com isso desaparecem as estruturas de madeira, porém no plano construtivo permanece a influência do junco, como nas aberturas das fachadas, algumas casas têm base de pedra, como em Hassuna. Escavações revelaram, na primitiva Eridu, um templo de planta retangular dividido por paredes, onde haviam um nicho para uma imagem e um altar para oferendas. Esse templo é o precursor das construções religiosas de planta retangular, construídas nos anos seguintes. Por volta de 3000 a.C. os templos passam a ser implantados em altas plataformas, utiliza-se então o tijolo cozido em forno para se fazer uma construção em degraus. Surge, assim, o Zigurate, forma típica da arquitetura templária mesopotâmica, algumas vezes com plantas circulares, como o zigurate de Nimrud, a famosa Torre de Babel citada na Bíblia, em Babilônia. Outros exemplos são os zigurates de ‘Aqarquf, e o do deus da lua Nanna em Ur. A intenção do projeto era servir como base para que os padres e reis pudessem estar mais perto de seu deus ou para que os deuses pudessem descer para terra. Quase sempre o zigurate era implantado dentro de um espaço murado, juntamente com outros templos também de tijolos. Possuíam planta simples, um santuário rodeado de câmaras, raramente continham pátio interno, como no templo de Ishtar Kititum, em Ischali. Sua ornamentação era feita nas paredes e nos muros com frisos e baixo-relevo, cujos temas eram religiosos ou de animais. Por volta do ano 1600 a.C. os cassitas invadem o reino Babilônico, assim como os elemitas por volta de 1150 a.C.. Ambos vindos do oeste, esses povos adaptam-se à antiga cultura e passam a reproduzi-la. A então capital Hatusas era protegida por muralhas de quatro quilômetros, com altas torres e portões emoldurados por esfinges esculpidas. Nesse período, as paredes dos templos são decoradas com afrescos e as casas tinham seus aposentos voltados para um pátio central, para receber iluminação. O mais importante período assírio dá-se por volta do ano 1000 a.C., os templos voltam a ser construídos como na época sumeriana, agora com portais imensos, ladeados por enormes animais alados. Os palácios de dimensões absurdas chegavam a ter duzentos quartos com pátios internos, um grande templo e outros menores, além de outras residências, como a do rei Sargon II (722-705) em Khorsabad, assim como Sennacherib (705-681), que construiu seu palácio em Nimrud, e Ashurbanipal em Nineve. A partir de 612 a.C., os babilônicos conquistam nova hegemonia e se dedicam a reconstruir sua antiga capital, destruída pelo assírio Sennacherib. A reconstrução inclui o período governado por Nabucodonosor II, construtor de uma das sete maravilhas do mundo antigo, Os Jardins Suspensos da Babilônia. O fim do reinado babilônico coincide com o fim do período mesopotâmico. A reconstrução da antiga capital suméria de Ur, entre os anos de 556 e 539, onde reconstrói-se inclusive seu zigurate, é o último feito dos babilônicos.

    Arquitetura Austríaca

    A Áustria apresenta-se como um antigo centro de civilizações. Essa condição foi, em parte, determinada por sua localização geográfica; no passado situava-se no coração da Europa, na interseção de importantes vias de três grandes civilizações: a romana, a germânica e a eslava. A civilização austríaca começa a se formar com os romanos e os celtas. Os romanos formam a província de Noricum, marcando o início de um período de prosperidade que duraria aproximadamente um século. Grande parte das atuais cidades austríacas provém de acampamentos romanos dessa época. Durante os anos seguintes a região passou a ser invadida por germânicos, hunos e húngaros, até que no ano de 955, com a derrota e expulsão dos últimos húngaros, na batalha de Lechfeld, estabeleceu-se a nação austríaca. Sobre a arquitetura pré-românica na Áustria, pouco se sabe. O período subseqüente, chamado de romanesco, apresenta um estilo interessante, essencialmente cristão, mistura de elementos provenientes da Bavária (como as basílicas), da Lombardia (as artes decorativas), Alemanha e França. As mais preservadas edificações desse período são as catedrais de Gurk, na Coríntia e de Seckau, na Estíria. O período Gótico (séculos XIII a XV) veio trazer, não apenas um novo estilo arquitetônico, mas também um novo modo de vida. O estilo foi introduzido pelas ordens mendicantes e pelos monges cistercienses; os primeiros trouxeram o gótico italiano e os últimos, o gótico Francês. A peculiaridade do gótico austríaco são as chamadas Hallenkirchen, igrejas com duas ou três naves com aproximadamente o mesmo tamanho; o maior exemplo é a catedral de St. Stephen em Viena, a maior e mais importante construção gótica da Áustria. No início do renascimento, a Áustria vinha se destacando nas artes plásticas (Escola do Danúbio); porém, com o crescimento do protestantismo, avesso às artes pictóricas, essa área entrou em declínio, levando a igreja católica e o governo a convocar artistas italianos. O mesmo ocorreu com a arquitetura, que durante esse período passou simplesmente a representar a tradição italiana com influência da atmosfera austríaca. Um bom exemplo dessa fase é a catedral de Salsburgo. No final do século XVII, com o fim da ameaça turca, houve uma retomada nas construções. O Barroco (1656 - 1730) representa o auge da arquitetura austríaca; seus maiores exponentes foram os arquitetos Johann Bernhard Fischer von Erlach (1656 - 1723) e seu rival Johann Lucas von Hildebrandt (1668 - 1745). Fischer foi o responsável pela introdução de elementos estrangeiros, particularmente italianos, no estilo austríaco; como pode ser visto no projeto da Biblioteca Nacional Austríaca, entre outros. Hildebrandt, que em 1723 sucedeu Fischer no cargo de arquiteto da corte, se destaca por suas configurações espaciais diferenciadas e decoração detalhada. Sua obra mais importante é o Belvedere, palácio de verão do príncipe Eugene, em Viena. Uma variação típica do barroco austríaco é o estilo conhecido por Teresiano, semelhante ao rococó francês, surgido durante o reinado de Maria Theresia (1740 - 1780), estilo presente no interior do palácio de Schön Brunn. Durante a segunda metade do século XIX, a monarquia austro-húngara começa a se tornar um estado moderno sob o reinado de Francis Joseph I; o que faz com que Viena passe a ser o centro de uma unidade econômica multinacional. A cidade torna-se também um dos pólos do historicismo mundial através de uma reestruturação urbana em grande escala que fez surgir uma grande quantidade de prédios de diversos estilos, atraindo arquitetos de todo mundo. No final do século XIX Otto Wagner (1841 - 1918) juntamente com Adolf Loss (1870 - 1933) abandonam o historicismo e criam um novo estilo funcional que viria a ser o idioma do novo século, conhecido por estilo século XX. A mais importante obra desse estilo são as residências operárias em Viena (1915). A Áustria registra uma participação importante no desenvolvimento das linguagens arquitetônicas européias, adotando soluções estrangeiras e adaptando-as de acordo com seus próprios princípios artísticos.

    Arquitetura Bizantina

    A arte bizantina é o resultado da fusão da cultura helênica com a oriental, que criou identidade própria. Como raros são os exemplos da arquitetura remota, é através das basílicas, construídas a partir do ano 330, que se pode analisar a arquitetura bizantina, caracterizada pela abundante utilização de mosaicos e das cúpulas que aparecem no século VI. O centro criativo é Bizâncio, porém a difusão da arte bizantina se estende pela Ásia Menor, Grécia, Países Balcânicos, Rússia e Itália. Sua produção floresce a partir do período de Constantino, século IV, e dura até o século XII. Exemplos remanescentes das primeiras obras bizantinas são: a basílica de São João (463), a basílica dos santos Sérgio e Baco (527-36), e Santa Sofia, todas em Constantinopla. Tem plano básico simples, coberturas em cúpula sobre plantas quadradas. O exemplo máximo de sua arquitetura é Santa Sofia, construída em apenas cinco anos (entre 532 e 537) por Justiniano, no mesmo local onde existia uma antiga basílica. Sobre uma estrutura de tijolos e argamassa pousa uma enorme cúpula achatada, sustentada por quatro enormes pilares que, unidos, formam quatro grandes arcos. As naves laterais estão voltadas para o espaço central, ampliando a perspectiva para além das colunas. Causa enorme efeito a orientação da luz que ilumina seu revestimento de mármore, seus mosaicos, suas colunas e capitéis. Nela se verificam a contraposição dos espaços cheios, dos vazios e das cúpulas, características da arquitetura bizantina. Na Itália o maior centro da arte bizantina, entre os séculos IV e VII, está em Ravena, muito pelo esforço da imperatriz Gala Plácida, que ali chega por volta do ano 430, é o mausoléu de Gala Plácida a obra mais conhecida da arquitetura antiga ravenense, data do século V, e foi construído com materiais simples como tijolo cozido, com planta em cruz. Seu pequeno e aconchegante espaço interior é ricamente decorado com mosaicos. No início do século VI, por influência do bárbaro Teodorico, simpatizante da arquitetura bizantina, são construídos o templo de Santo Apolinário Novo, o batistério dos arianos e o mausoléu do rei. A experiência bizantina em Ravena termina com a magnífica construção de São Vital, cuja planta central deriva tanto das soluções clássicas romanas como dos exemplos encontrados em Constantinopla. Sofre também influência bizantina as cidades: Milão, como se verifica na basílica de São Lourenço e nos mosaicos de Santo Aquilino e São Vítor; Roma, bem representada pelos mosaicos de Santa Inês; e as cidades adriáticas de Perenzo e Grado.

    Arquitetura Brasileira

    A história da arquitetura brasileira é restrita aos cinco séculos após a descoberta, pois o período pré-cabralino não temos como reconstituir. A arquitetura indígena é baseada nas convicções mágicas que tinham tanto para a moradia quanto para o conjunto urbano. A disposição geométrica de uma aldeia visa funcionalidade, mas também é orientada pelo gosto. Uma aldeia circular, com orientação norte-sul, tendo como eixo a casa central servindo de passagem e como espaço de reuniões, seu conceito é a “aldeia do além” : assim, o arco da existência supera o tempo e o trânsito terreno em função do infinito. Esta filosofia governa os atos de viver, as expressões plásticas e mais ainda a poesia, compondo uma cultura bem definida. Já os portugueses começam da estaca zero, os pioneiros improvisavam-se construtores para levantar moradias e entrincheiramento a fim de se defenderem dos índios e de outros brancos. Na necessidade da conquista e manutenção do espaço cria-se um sistema feudal e organizam-se os arraiais, como no caso de Salvador uma cidade cercada por muros de taipa, essa técnica, embora precária quando bem mantida, perpetua-se ao longo dos séculos. Em cada uma das regiões ocupadas recursos locais são utilizados na construção, como a carnaúba no Piauí que ainda hoje é utilizada. Até a primeira metade deste século grande parte das casas no Recife eram construídas como no século do descobrimento. A “casa-fortaleza”, como era denominada, utilizava pedra, cal, pau-a-pique e era telhada e avarandada. Não se tem amostras mas sabe-se através dos documentos que obedeciam às prescrições da Coroa ao conceder-se uma sesmaria. Com o crescimento das vilas, os construtores começam a procurar materiais mais resistentes e passam a utilizar a pedra. A primeira obra em pedra parece ter sido a torre de Olinda, construída por seu primeiro donatário (Duarte Coelho). A grande produção desta época é de fortalezas e o número de arquitetos é grande, porém a maioria ocultos. A arquitetura “arte” foi preocupação dos missionários, pois sabiam da importância da construção das Igrejas na catequese. Esta arquitetura toma vulto com a chegada de Francisco Dias e Luís Dias, assim como Grandejean de Montiny, no século XIX e Le Corbusier no século XX. Deve-se notar aqui as conquistas holandesas, os batavos muito produziram com alta qualidade e fazem com que Recife torne-se a cidade mais importante da colônia, porém não se misturam com os produtores da insipiente arte local. É com a ajuda de Pieter Post, arquiteto incluído na expedição de Nassau, que se realizam um conjunto de obras urbanísticas e arquitetônicas notáveis. É nesta época que o barroco começa a dar sinais de vida, e as Igrejas buscam construir com luxo, enquanto o povo continuará a viver da maneira mais simples até os anos setecentos. A prosperidade da arquitetura religiosa deve-se, também, à instituição das Irmandades que construíam suas igrejas, às vezes, rivalizando com as Ordens. Os artistas eram disputados e razoavelmente retribuídos. Nosso barroco floresce de maneira torta e não é comparável aos outros movimentos no mundo, pode-se dizer que é mais parecido com o alemão do que com o italiano. A arquitetura civil é inexpressiva e servia, praticamente, a fins religiosos. Quase todos os arquitetos brasileiros da primeira metade do século XVIII, constroem igrejas de nave octogonal, a primeira, construída entre 1714 e 1730, é a de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, muito importante por representar uma evolução em relação às igrejas portuguesas ou mesmo qualquer igreja da época. Outras Igrejas brasileiras de plano octogonal são: a igreja paroquial de Antônio Dias (1727); a Igreja de Santa Efigênia em Ouro Preto (1727), ambas atribuídas a Manuel Francisco Lisboa, pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho; igreja do Pilar em Ouro Preto (1720); igreja de São Pedro dos Clérigos de Recife (1728-1782), de Manoel Ferreira Jácome; igreja da Conceição da Praia em Salvador, projetada por Manoel Cardoso Saldanha, que foi a última de importância construída na Bahia, também a última de plano octogonal a ser erguida, tanto no Brasil quanto em Portugal. Na segunda metade do século XVIII, Minas Gerais passa a dominar a arquitetura religiosa em igrejas como: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (1757-1770); a de São Pedro dos Clérigos, em Mariana (1771) e a Capela do Rosário de Ouro Preto. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho principal escultor e arquiteto da época deixou vasta obra, adepto do estilo rococó, soube integrar melhor do que ninguém a arquitetura e a escultura, a decoração rebuscada à sobriedade da arquitetura religiosa portuguesa. Ele modifica a estrutura do altar suprimindo o baldaquim ou elevando-o até a abóbada. A igreja de São Francisco em Ouro Preto foi inteiramente projetada, construída e decorada por Aleijadinho num espaço de vinte e oito anos entre 1766 e 1794, o que explica sua extraordinária unidade. Sua capela-mor é uma das obras mais importantes de Aleijadinho. A transferência da Corte de Dom João VI para o Brasil provoca mudanças sensíveis na arquitetura. Em 1816 chega ao Rio de Janeiro a chamada Missão Francesa incumbida, por Dom João, da educação artística do povo brasileiro. Liderada por Lebreton, a missão trouxe como arquiteto Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny (1776-1850), que introduziu o Neoclassicismo e fez adeptos. A primeira obra, que foi encomendada a ele, foi a da Academia de Belas-Artes, edifício cujas obras paralisadas durante anos, por ocasião da morte do Conde da Barca, responsável pela vinda de Grandjean. tal fato faz com que o arquiteto passe a dedicar-se a outros projetos, como o edifício da Praça do Comércio, já demolido, a Alfândega, o antigo Mercado da Candelária e várias residências, além de ter sido o primeiro professor de arquitetura do Brasil. Atuaram também nesta época os arquitetos José da Costa e Silva, Manuel da Costa e o Mestre Valentim da Fonseca e Silva, autor da ornamentação do passeio público do Rio de Janeiro. Já no começo do século, o Art Nouveau e o Art Deco aparecem de forma restrita, principalmente em São Paulo, e seu expoente máximo é Victor Dubugras, que faleceu em 1934. A Semana de Arte Moderna de 1922 e a sequente revolução de 1930 são a alavanca da arquitetura moderna no Brasil. Já em 1925 o arquiteto Gregori Warchavchik publicou seu Manifesto da Arquitetura Funcional. É interessante notar que a Casa Modernista que Warchavchik construiu em São Paulo, em 1928, é anterior à construção da Casa das Rosas, da Av. Paulista. Le Corbusier, arquiteto modernista francês, visitou o Brasil pela primeira vez em 1929 e realizou conferências no Rio e em São Paulo; chegou a propor um plano de urbanização para o Rio de Janeiro que não foi executado. Provavelmente o seria, não fosse a Revolução que colocou Getúlio Vargas no poder e Júlio Prestes no exílio. Mas a revolução traz vantagens para a arquitetura: Lúcio Costa torna-se diretor da Escola Nacional de Belas Artes, para onde chama Warchavchik. Por motivos políticos, sua gestão não dura um ano, mas não sem frutos. Cedo uma nova geração de arquitetos surgia: Luiz Nunes, os irmãos M.M.M. Roberto, Aldo Garcia Roza, entre outros. Em 1935, é realizado o concurso para o prédio do Ministério da Educação no Rio de Janeiro, cujo primeiro prêmio foi para um projeto puramente acadêmico; porém, por decisão do Ministro Gustavo Capanema, o projeto passa para as mãos de Lúcio Costa, que reúne uma equipe com outros concorrentes, entre eles Oscar Niemeyer. Le Corbusier faz nova visita ao Brasil para opinar sobre o projeto do concurso e também para discutir o projeto da Cidade Universitária do Rio de Janeiro. Lúcio Costa deixou, em 1939, a chefia da equipe que construía o Ministério da Educação e em seu lugar assume Oscar Niemeyer, no início de uma carreira brilhante, que tem seu apogeu juntamente com Lúcio Costa, com a construção de Brasília, vinte anos mais tarde. No mesmo ano de 1939, acontece a Exposição Internacional de Nova York, onde o Pavilhão do Brasil, obra de Lúcio e Oscar, causa furor. A arquitetura brasileira dá sinais de vida mundialmente. Niemeyer constrói o conjunto da Pampulha em Belo Horizonte durante a prefeitura de Juscelino Kubitschek, que depois o leva para Brasília, onde realizará um conjunto de obras notáveis juntamente com o plano geral de Lúcio Costa. Oscar Niemeyer também esteve à frente da equipe que construiu o parque do Ibirapuera em São Paulo entre 1951 e 1955. No Ibirapuera, o paisagismo é de Roberto Burle Marx, que tem vasta obra a ser apreciada e é o maior expoente dessa arte no país. Em 1954, foi construído o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Affonso Eduardo Reidy. Outro arquiteto modernista de grande importância é Villanova Artigas, autor, entre outras obras, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Artigas, que esteve exilado por causa do regime militar, quando retornou ao Brasil, viu-se obrigado a fazer uma prova de admissão para poder lecionar na faculdade que ele mesmo projetara, prova que ficou registrada em forma de livro. Não é possível, neste breve esforço, abranger toda a produção arquitetônica contemporânea, porém não podemos deixar de citar aqui a grande obra de Lina Bo Bardi, mulher de Pietro Maria Bardi, autora de projetos como o do SESC Pompéia, em São Paulo ou o do MASP (Museu de Arte de São Paulo), cuja arrojada estrutura foi uma imposição do terreno. O projeto deveria conservar o antigo belvedere, e a solução encontrada por Lina foi construir um prédio sustentado apenas por quatro pilares nas extremidades do terreno, uma vez que o túnel da Av. 9 de julho, que passa por baixo do terreno, não permitia outra conformação. O resultado é uma grande caixa de vidro suspensa, envolta em dois pórticos, formados pelos pilares somados às vigas de sustentação da cobertura. Seu vão livre, de setenta e dois metros em concreto protendido, é uma aventura a ser apreciada.

    Arquitetura Chinesa

    Há maior preocupação em manter um estilo que se mostra eficaz por séculos do que inovar: na conservadora arquitetura chinesa as formas arquitetônicas permanecem imutáveis através dos séculos. Os estilos pouco variam através dos milênios. Os regulamentos de edificações da época da dinastia Chou (1122-256 a.C.) vigoram ainda hoje, com poucas modificações, e é a partir desses documentos que se pode reconstituir a arquitetura antiga, uma vez que, em virtude da pouca resistência do material utilizado nas construções, como a madeira, não se tem exemplos dessa arquitetura. Um dos exemplos mais antigos da arquitetura chinesa é a Muralha da China (228 a.C.), construída pelos imperadores tártaros da dinastia Ch’in, tem cerca de 2.400 Km de extensão e torres de vigilância. O Pagode (templo chinês) deriva aparentemente de formas arquitetônicas indianas. A multiplicidade dos tetos na estupa indiana repete-se no pagode e também define a estrutura de madeira, ainda que se possam encontrar exemplos em materiais mais pesados. Os templos e palácios eram construídos em madeira com base de pedra, as paredes, sem função estrutural, servem de fechamento e decoração, e os telhados sempre recurvados. O P’ai lou chinês, assim como o torii japonês, arco construído em memória dos mortos, também deriva do portal da estupa indiana. A arquitetura chinesa é totalmente integrada à natureza e é o reflexo de sua filosofia e religião. A cidade de Pequim tem sido a capital da China desde 1271, com algumas interrupções. Durante todo esse tempo, imperadores construíram palácios, santuários e jardins. A Cidade Proibida, como é chamada, começou a ser construída na dinastia Ming (1368-1644) e abriga, no interior de suas muralhas vermelhas, os pavilhões oficiais e as habitações do imperador e de sua corte, essas construções sofreram reformas e ampliações durante os séculos XVII à XIX, depois arruinou-se e só foi resgatada a partir de 1949 por Mao Tsé-Tung. Jardins requintados com pinheiros de mais de quinhentos anos, recantos melancólicos de vastos pátios entre imponentes paredes silenciosas, as entradas são guardadas por grandes leões estilizados, dragões enroscam-se nas escadas, rampas, muros e tronos, tartarugas e aves fênix aparecem, tudo organizado de maneira impressionante e equilibrada. Todo o conjunto é hoje um museu. Em 1959 para comemorar o 10º aniversário da República Popular, são realizadas algumas obras, entre elas, a da praça da Paz Celestial (Tian An Men), que fica em frente à Cidade Proibida, e é uma das maiores praças do mundo, com quarenta hectares de área, no centro de Pequim. Outra obra que complementa a nova urbanização de Pequim é a Avenida Chagan (Paz Prolongada) com mais de cem metros de largura e 16 Km de comprimento. Além da Cidade Proibida, existem na capital monumentos importantes como: o Templo do Céu, conjunto de edifícios e jardins construídos em 1420; o parque de Peihai, onde se criou um pequeno morro para implantar um pagode branco, em 1652; entre outros.

    Arquitetura Egípcia

    O Antigo Império é o mais longo e mais importante período da civilização egípcia, durou quase mil anos (3200 a.C. - 2052 a.C.), nele foram criadas as primeiras leis civis e religiosas, sua identidade artística e a escrita hieroglífica. A primeira metade do império é marcada pelo isolamento do Egito em relação aos outros povos, o que contribuiu para a sedimentação de sua cultura. A partir de 3650 a.C. inicia a época chamada das pirâmides e a ela pertencem os faraós da III à VI dinastias. O primeiro faraó da III dinastia foi Djoser, que construiu o primeiro grande edifício de pedra: a pirâmide escalonada de Sakkara, no mesmo local onde se encontram as construções funerárias mais antigas do Egito, em frente à Mênfis. Com o crescimento da cidade, a necrópole também cresce, primeiro em direção sul até Dashur, depois em direção ao norte até Gizé. A IV começa com o faraó Snefru, pai do famoso faraó Quéops, ele desenvolveu o método para construção de pirâmides de faces lisas, sua pirâmide foi construída em Dashur, mas foi superada pela magnificência dos faraós seguintes: Quéops, Quéfrem e Miquerinos, construtores do complexo de Gizé ao norte de Mênfis. O Antigo Império termina com o período chamado Primeiro Intermediário (2190 a 2000) das dinastias VII à X. Por volta do ano 2000 a.C. a capital é transferida para Tebas. O Novo Império é marcado pela arquitetura religiosa, são notáveis os templos de Amon-Ra em Karnak (por volta de 1570-1070 A.C.), de Horus em Edfu e outros. A arquitetura doméstica pode ser analisada a partir das casas desenterradas em Tel el Amarna, que serviam aos artesãos contratados pelo faraó Aknaton (1500 a.C.). Embora as casas fossem construídas em alvenaria e não em pedra como nas grandes construções, inclusive no caso do faraó, tinham a significação essencial da arquitetura egípcia, dela se originam todas as formas arquitetônicas egípcias. O mais famoso faraó egípcio, Ramsés II da XIX dinastia, reinou de 1290 a 1223 a.C.. Algumas de suas construções são: o Rameseum de Tebas, parte do templo de Luxor, e a sala hipostila do templo de Karnak. Afirma-se que ele mandou apagar o nome de outros faraós para colocar o próprio nas construções que mandou reconstruir.

    Arquitetura Espanhola

    A arquitetura espanhola até o século XVIII é determinada pela influência de diversos povos que lutaram pela conquista da península ibérica. A romanização da península é marcada por grandes obras como teatros, aquedutos como o de Segóvia e pontes como a de Alcântara. Com a queda do império romano, parte do território é ocupado por povos árabes, que não deixam de dar sua contribuição para a arquitetura espanhola, como é o caso do castelo de Alhambra em Granada, assim como a Sinagoga de Santa Maria la Blanca em Toledo, que posteriormente será transformada em catedral cristã, promovendo grande fusão de estilos. Durante o século XIII, o estilo gótico francês invade a Espanha como pode ser conferida na catedral de Segóvia, que até o século XVI não havia sido concluída. A maioria dos prédios construídos no século XVI assumiam estruturas renascentistas, porém a ornamentação das fachadas, numa fusão do gótico, do mouro e do renascentista, formam um estilo espanhol distinto, denominado Plateresque, como a fachada da universidade de Salamanca. Com o advento dos descobrimentos, a Espanha renascentista torna-se poderosa e rica, fato que se reflete na arquitetura, que toma dimensões e aparências que não haviam sido experimentadas até então. O imperador Carlos V constrói seu palácio em 1526, e encomenda a Pedro Machuca um projeto baseado na simplicidade dos palácios romanos. A interpretação religiosa das formas italianas pode ser vista nos clássicos pilares da catedral de Granada. Essa tendência clássica culmina com a arte de Juan Herrera, autor do projeto do Monastério Escorial, para Felipe II. Nos séculos XVII e XVIII o barroco italiano reage ao purismo de Herrera. Deve-se citar a obra de Fernando de Casas e Novoa como a catedral de Santiago de Compostela. O neoclassicismo encontra colaboradores em Calezas e Rodrigues, que são parcialmente responsáveis pela igreja de São Francisco el Grande em Madrid, enquanto a interpretação do rococó é vista na obra de Hipólito Rovira, como no palácio do Marquês de Dos Aguas, em Valência. Rovira é também o vencedor do concurso para reurbanização de Barcelona, porém seu projeto não foi executado, mas sim o projeto de Idelfonse Cerdá que tanto caracteriza a cidade de Barcelona, com suas quadras que conservam uma área não construída no interior. Próximo ao fim do século XIX e começo do século XX, Antônio Gaudi nega a funcionalidade com uma arquitetura surrealista e inesperada, realizando com maestria sua arte inspirada na natureza, dando vida às massas e formas com suas cores e detalhes. Suas obras são extraordinárias como a Casa Milà, o parque Guell e a bizarramente espetacular igreja da Sagrada Família que se encontra em obras até os dias de hoje.

    Arquitetura Gótica

    A arquitetura gótica nasce na França, no gótico aparece o arcobotante, que possibilitou a grande altura de algumas catedrais góticas. Uma de suas características mais marcantes é a ogiva, mesmo suas abóbadas são ogivais. Suas catedrais são decoradas com motivos da flora e da fauna e com monstros (gárgulas). Produto da cultura cristã, reflete a mentalidade da Idade Média e da doutrina teocêntrica. A abadia de Saint-Denis iniciada em 1132 é a primeira realização da arquitetura gótica. No século XII, são construídas as catedrais francesas de Sens, Senlis, Noyon, Laon, Notre-Dame de Paris, que tem em comum um segundo piso nas naves laterais, o que nas igrejas românicas chamava-se tribuna, que visava dar maior sustentabilidade à abobada central. Em 1194 começa a se construir a catedral de Chartres, que junto com Reims e Amiens caracterizam uma evolução no gótico, onde a tribuna é substituída pelo trifório, que cabe apenas uma pessoa. Amiens, a maior e uma das mais belas catedrais góticas, começou a ser edificada no início do século XIII e antes do final do século estava quase concluída, pode-se considerar um tempo curto para tal empreendimento. A primeira das igrejas de Amiens foi destruída por um incêndio em 1218 e sua reconstrução se dá a partir do ano 1236. O projeto de Amiens é realmente surpreendente, compõe-se de três naves, um amplo transepto e a nave composta do altar-mor que é rodeado por sete capelas, sendo a central mais profunda, em Reims são apenas cinco, e em Paris são também sete, porém todas iguais. A estrutura da catedral sugere extrema leveza, seus pilares são constituídos por colunas dispostas em diagonal. Amiens também se destaca por seus vitrais, perfeitamente integrados, que representam uma evolução na apropriação da luz. Em sua fachada verificam-se três características das igrejas da época: acima dos portais encontra-se o friso vazado, feito com uma arcada ogival; logo acima do friso está um conjunto de estátuas que representam monarcas franceses, característica única do gótico francês; e a enorme rosácea envidraçada que fica entre as duas torres. A ornamentação de sua fachada com elementos iconográficos é tão vasta que já foi chamada de “a Bíblia de Amiens”. Na Espanha, já em 1220, inicia-se a construção da catedral de Burgos e a de León em 1280, mais tardias são as construções de Sevilha (1401-1506) e a de Toledo, igreja de São João dos Reis. A mistura do gótico com elementos mouriscos, produz em Toledo e na Andaluzia o estilo mudéjar, que será desenvolvido durante os séculos XIV e XV, caracterizado pelas abobadas em estalactite e pela ornamentação rebuscada. A Inglaterra também sofre influência do gótico francês, verifica-se em catedrais como a de Lincoln (1192 a 1233), a de Salisbury (1220-1266) e a de Winchester (1371-1460), que apresenta o estilo perpendicular que marca o fim do gótico na Inglaterra. No gótico inglês a arquitetura militar encontra seu apogeu, como se pode ver nos fortes de Harlech, Conway e Pembroke. A Alemanha oferece maior resistência à entrada da influência francesa, porém em 1248 tem início a construção da catedral de Colônia que é puramente gótica, a partir de então o estilo se firma em toda Alemanha e influenciará a Áustria e a Hungria. Na Itália a influência gótica é menor, porém são consideradas obras-primas os castelos de Ferrara e Bari ou o Palazzo Vecchio, em Florença. Em Veneza o gótico se mistura com o estilo bizantino, gerando um estilo curioso como se pode verificar no famoso Cà-d’oro, construído entre 1421 e 1437.

    Arquitetura Grega

    A civilização que antecede a grega é a cretense, que durou de 1800 a 1100 a.C., e construíram cidades e palácios, como o de Cnosso. Suas casas tinham vários andares, tetos planos e piso de pedra. O surgimento da cultura grega dá-se após o período que vai do fim do século XIII e começo do século VIII a.C., período marcado pela obscuridade, também chamado “Idade Média Grega”, quando acontece a dissolução da cultura miceno-cretense, devido a crises internas e invasões, principalmente pelas invasões dóricas, por volta do ano 1200 a.C., que provoca a dispersão do povo pelo mediterrâneo, ocupando as regiões costeiras, que acabam por originar na Jônia cidades como Éfeso e Mileto. Preocupados em exaltar a beleza e o calor da vida, ao contrário de outros povos que cultuavam o além-túmulo, os gregos construíam com fins públicos, pela realização da coletividade, ou religiosos, onde o homem continua sendo a medida das coisas, até mesmo pela qualidade humana de suas divindades. A conformação cidade-estado confere, aos centros helênicos, autonomia criativa. Atenas é regida por princípios de liberdade, democracia e individualismo, ao contrário de Esparta, estruturada no militarismo e em regimes totalitários. Por volta do ano 750 a.C. começa a primeira onda migratória em direção ao ocidente, para a Sicília e a costa da Itália, a chamada Magna Grécia. É ainda no período arcaico que se dá o nascimento do templo grego, trata-se agora de uma construção sólida, que utiliza pedra e mármore, e ergue-se sobre uma plataforma com degraus (estilobata), com planta retangular e volume horizontal, tinha uma sala principal chamada cela, onde ficava a estátua de um deus ou uma deusa. A estrutura, externa, é composta por fileiras de colunas. Marca da arquitetura grega, essas colunas eram cuidadosamente desenhadas, na parte central sua circunferência é maior do que na base e na parte superior ainda menor. Seguiram três tipos de ordens: a dórica, a jônica e a coríntia. O templo grego conserva uma característica de suas origens. O fato de ser um edifício onde o espaço é mais exterior do que interior, não se destina a abrigar os fiéis, é por assim dizer a casa de um deus, os fiéis o contemplam no conjunto e sobem até ele levando oferendas e sacrifícios, porém não permanecem no seu interior. O Partenon, de ordem dórica, projetado por Ictino e Calícrates, foi erguido na acrópole de Atenas, eleva-se sobre a cidade num terreno de menos de 300m de comprimento por 130m no ponto mais largo; nele, melhor do que em qualquer outro, verifica-se a composição grega dos cheios e vazios, do ritmo da luz e sombra. Em seu frontão encontrava-se a escultura de Fídias, que retratava o nascimento de Atenéia e a disputa entre Atenéia e Posídon. Fídias também é o autor da obra que ocupou a cela do templo, Athena Parthenos, em ouro e marfim, que não mais existe. No ano 407, uma estrutura complexa, que reúne um conjunto de lugares sagrados, ergue-se o Erection de ordem jônica, onde se encontra um novo elemento, o balcão aéreo, sustentado por seis estátuas com figuras femininas, as Cariátides, que, com sua graça, suavizam a construção. No fim do período clássico na século IV, a arquitetura continua a se desenvolver e a inovar, como na realização dos teatros, onde a geometria funcional e estética define de forma definitiva o anfiteatro, com arquibancadas escavadas, íngremes e de forma semicircular e com palco circular ou semicircular, que tem um cenário natural, como o teatro de Dionísio em Atenas, e o de Delfos. Outra inovação do século IV é o aparecimento da ordem coríntia, derivada da ordem jônica, que será desenvolvida no período helenístico e também na arquitetura romana. O período helenístico inicia-se em 323 a.C. com a morte de Alexandre Magno, e com a dissolução do império macedônio, conquistado por Alexandre, na sua luta contra os persas. A fundação de Alexandria cria um novo polo da cultura helenística. Na arquitetura, o emprego das ordens é livre, às vezes com combinações, e com amplo desenvolvimento da ordem coríntia, como no templo do Zeus Olímpico ou no monumento votivo de Líscrates de planta circular, ambos em Atenas. Outras inovações no campo técnico e no conceito de monumentalidade podem ser verificadas no grande templo-altar de Zeus (180 a.C.) em Pérgamo, que foi reconstruído no Museu de Berlim, já que quase tudo se perdeu da magnífica Alexandria.


    Arquitetura Chinesa

    Há maior preocupação em manter um estilo que se mostra eficaz por séculos do que inovar: na conservadora arquitetura chinesa as formas arquitetônicas permanecem imutáveis através dos séculos. Os estilos pouco variam através dos milênios. Os regulamentos de edificações da época da dinastia Chou (1122-256 a.C.) vigoram ainda hoje, com poucas modificações, e é a partir desses documentos que se pode reconstituir a arquitetura antiga, uma vez que, em virtude da pouca resistência do material utilizado nas construções, como a madeira, não se tem exemplos dessa arquitetura. Um dos exemplos mais antigos da arquitetura chinesa é a Muralha da China (228 a.C.), construída pelos imperadores tártaros da dinastia Ch’in, tem cerca de 2.400 Km de extensão e torres de vigilância. O Pagode (templo chinês) deriva aparentemente de formas arquitetônicas indianas. A multiplicidade dos tetos na estupa indiana repete-se no pagode e também define a estrutura de madeira, ainda que se possam encontrar exemplos em materiais mais pesados. Os templos e palácios eram construídos em madeira com base de pedra, as paredes, sem função estrutural, servem de fechamento e decoração, e os telhados sempre recurvados. O P’ai lou chinês, assim como o torii japonês, arco construído em memória dos mortos, também deriva do portal da estupa indiana. A arquitetura chinesa é totalmente integrada à natureza e é o reflexo de sua filosofia e religião. A cidade de Pequim tem sido a capital da China desde 1271, com algumas interrupções. Durante todo esse tempo, imperadores construíram palácios, santuários e jardins. A Cidade Proibida, como é chamada, começou a ser construída na dinastia Ming (1368-1644) e abriga, no interior de suas muralhas vermelhas, os pavilhões oficiais e as habitações do imperador e de sua corte, essas construções sofreram reformas e ampliações durante os séculos XVII à XIX, depois arruinou-se e só foi resgatada a partir de 1949 por Mao Tsé-Tung. Jardins requintados com pinheiros de mais de quinhentos anos, recantos melancólicos de vastos pátios entre imponentes paredes silenciosas, as entradas são guardadas por grandes leões estilizados, dragões enroscam-se nas escadas, rampas, muros e tronos, tartarugas e aves fênix aparecem, tudo organizado de maneira impressionante e equilibrada. Todo o conjunto é hoje um museu. Em 1959 para comemorar o 10º aniversário da República Popular, são realizadas algumas obras, entre elas, a da praça da Paz Celestial (Tian An Men), que fica em frente à Cidade Proibida, e é uma das maiores praças do mundo, com quarenta hectares de área, no centro de Pequim. Outra obra que complementa a nova urbanização de Pequim é a Avenida Chagan (Paz Prolongada) com mais de cem metros de largura e 16 Km de comprimento. Além da Cidade Proibida, existem na capital monumentos importantes como: o Templo do Céu, conjunto de edifícios e jardins construídos em 1420; o parque de Peihai, onde se criou um pequeno morro para implantar um pagode branco, em 1652; entre outros.

    Arquitetura Egípcia

    O Antigo Império é o mais longo e mais importante período da civilização egípcia, durou quase mil anos (3200 a.C. - 2052 a.C.), nele foram criadas as primeiras leis civis e religiosas, sua identidade artística e a escrita hieroglífica. A primeira metade do império é marcada pelo isolamento do Egito em relação aos outros povos, o que contribuiu para a sedimentação de sua cultura. A partir de 3650 a.C. inicia a época chamada das pirâmides e a ela pertencem os faraós da III à VI dinastias. O primeiro faraó da III dinastia foi Djoser, que construiu o primeiro grande edifício de pedra: a pirâmide escalonada de Sakkara, no mesmo local onde se encontram as construções funerárias mais antigas do Egito, em frente à Mênfis. Com o crescimento da cidade, a necrópole também cresce, primeiro em direção sul até Dashur, depois em direção ao norte até Gizé. A IV começa com o faraó Snefru, pai do famoso faraó Quéops, ele desenvolveu o método para construção de pirâmides de faces lisas, sua pirâmide foi construída em Dashur, mas foi superada pela magnificência dos faraós seguintes: Quéops, Quéfrem e Miquerinos, construtores do complexo de Gizé ao norte de Mênfis. O Antigo Império termina com o período chamado Primeiro Intermediário (2190 a 2000) das dinastias VII à X. Por volta do ano 2000 a.C. a capital é transferida para Tebas. O Novo Império é marcado pela arquitetura religiosa, são notáveis os templos de Amon-Ra em Karnak (por volta de 1570-1070 A.C.), de Horus em Edfu e outros. A arquitetura doméstica pode ser analisada a partir das casas desenterradas em Tel el Amarna, que serviam aos artesãos contratados pelo faraó Aknaton (1500 a.C.). Embora as casas fossem construídas em alvenaria e não em pedra como nas grandes construções, inclusive no caso do faraó, tinham a significação essencial da arquitetura egípcia, dela se originam todas as formas arquitetônicas egípcias. O mais famoso faraó egípcio, Ramsés II da XIX dinastia, reinou de 1290 a 1223 a.C.. Algumas de suas construções são: o Rameseum de Tebas, parte do templo de Luxor, e a sala hipostila do templo de Karnak. Afirma-se que ele mandou apagar o nome de outros faraós para colocar o próprio nas construções que mandou reconstruir.

    Arquitetura Espanhola

    A arquitetura espanhola até o século XVIII é determinada pela influência de diversos povos que lutaram pela conquista da península ibérica. A romanização da península é marcada por grandes obras como teatros, aquedutos como o de Segóvia e pontes como a de Alcântara. Com a queda do império romano, parte do território é ocupado por povos árabes, que não deixam de dar sua contribuição para a arquitetura espanhola, como é o caso do castelo de Alhambra em Granada, assim como a Sinagoga de Santa Maria la Blanca em Toledo, que posteriormente será transformada em catedral cristã, promovendo grande fusão de estilos. Durante o século XIII, o estilo gótico francês invade a Espanha como pode ser conferida na catedral de Segóvia, que até o século XVI não havia sido concluída. A maioria dos prédios construídos no século XVI assumiam estruturas renascentistas, porém a ornamentação das fachadas, numa fusão do gótico, do mouro e do renascentista, formam um estilo espanhol distinto, denominado Plateresque, como a fachada da universidade de Salamanca. Com o advento dos descobrimentos, a Espanha renascentista torna-se poderosa e rica, fato que se reflete na arquitetura, que toma dimensões e aparências que não haviam sido experimentadas até então. O imperador Carlos V constrói seu palácio em 1526, e encomenda a Pedro Machuca um projeto baseado na simplicidade dos palácios romanos. A interpretação religiosa das formas italianas pode ser vista nos clássicos pilares da catedral de Granada. Essa tendência clássica culmina com a arte de Juan Herrera, autor do projeto do Monastério Escorial, para Felipe II. Nos séculos XVII e XVIII o barroco italiano reage ao purismo de Herrera. Deve-se citar a obra de Fernando de Casas e Novoa como a catedral de Santiago de Compostela. O neoclassicismo encontra colaboradores em Calezas e Rodrigues, que são parcialmente responsáveis pela igreja de São Francisco el Grande em Madrid, enquanto a interpretação do rococó é vista na obra de Hipólito Rovira, como no palácio do Marquês de Dos Aguas, em Valência. Rovira é também o vencedor do concurso para reurbanização de Barcelona, porém seu projeto não foi executado, mas sim o projeto de Idelfonse Cerdá que tanto caracteriza a cidade de Barcelona, com suas quadras que conservam uma área não construída no interior. Próximo ao fim do século XIX e começo do século XX, Antônio Gaudi nega a funcionalidade com uma arquitetura surrealista e inesperada, realizando com maestria sua arte inspirada na natureza, dando vida às massas e formas com suas cores e detalhes. Suas obras são extraordinárias como a Casa Milà, o parque Guell e a bizarramente espetacular igreja da Sagrada Família que se encontra em obras até os dias de hoje.

    Arquitetura Gótica

    A arquitetura gótica nasce na França, no gótico aparece o arcobotante, que possibilitou a grande altura de algumas catedrais góticas. Uma de suas características mais marcantes é a ogiva, mesmo suas abóbadas são ogivais. Suas catedrais são decoradas com motivos da flora e da fauna e com monstros (gárgulas). Produto da cultura cristã, reflete a mentalidade da Idade Média e da doutrina teocêntrica. A abadia de Saint-Denis iniciada em 1132 é a primeira realização da arquitetura gótica. No século XII, são construídas as catedrais francesas de Sens, Senlis, Noyon, Laon, Notre-Dame de Paris, que tem em comum um segundo piso nas naves laterais, o que nas igrejas românicas chamava-se tribuna, que visava dar maior sustentabilidade à abobada central. Em 1194 começa a se construir a catedral de Chartres, que junto com Reims e Amiens caracterizam uma evolução no gótico, onde a tribuna é substituída pelo trifório, que cabe apenas uma pessoa. Amiens, a maior e uma das mais belas catedrais góticas, começou a ser edificada no início do século XIII e antes do final do século estava quase concluída, pode-se considerar um tempo curto para tal empreendimento. A primeira das igrejas de Amiens foi destruída por um incêndio em 1218 e sua reconstrução se dá a partir do ano 1236. O projeto de Amiens é realmente surpreendente, compõe-se de três naves, um amplo transepto e a nave composta do altar-mor que é rodeado por sete capelas, sendo a central mais profunda, em Reims são apenas cinco, e em Paris são também sete, porém todas iguais. A estrutura da catedral sugere extrema leveza, seus pilares são constituídos por colunas dispostas em diagonal. Amiens também se destaca por seus vitrais, perfeitamente integrados, que representam uma evolução na apropriação da luz. Em sua fachada verificam-se três características das igrejas da época: acima dos portais encontra-se o friso vazado, feito com uma arcada ogival; logo acima do friso está um conjunto de estátuas que representam monarcas franceses, característica única do gótico francês; e a enorme rosácea envidraçada que fica entre as duas torres. A ornamentação de sua fachada com elementos iconográficos é tão vasta que já foi chamada de “a Bíblia de Amiens”. Na Espanha, já em 1220, inicia-se a construção da catedral de Burgos e a de León em 1280, mais tardias são as construções de Sevilha (1401-1506) e a de Toledo, igreja de São João dos Reis. A mistura do gótico com elementos mouriscos, produz em Toledo e na Andaluzia o estilo mudéjar, que será desenvolvido durante os séculos XIV e XV, caracterizado pelas abobadas em estalactite e pela ornamentação rebuscada. A Inglaterra também sofre influência do gótico francês, verifica-se em catedrais como a de Lincoln (1192 a 1233), a de Salisbury (1220-1266) e a de Winchester (1371-1460), que apresenta o estilo perpendicular que marca o fim do gótico na Inglaterra. No gótico inglês a arquitetura militar encontra seu apogeu, como se pode ver nos fortes de Harlech, Conway e Pembroke. A Alemanha oferece maior resistência à entrada da influência francesa, porém em 1248 tem início a construção da catedral de Colônia que é puramente gótica, a partir de então o estilo se firma em toda Alemanha e influenciará a Áustria e a Hungria. Na Itália a influência gótica é menor, porém são consideradas obras-primas os castelos de Ferrara e Bari ou o Palazzo Vecchio, em Florença. Em Veneza o gótico se mistura com o estilo bizantino, gerando um estilo curioso como se pode verificar no famoso Cà-d’oro, construído entre 1421 e 1437.

    Arquitetura Grega

    A civilização que antecede a grega é a cretense, que durou de 1800 a 1100 a.C., e construíram cidades e palácios, como o de Cnosso. Suas casas tinham vários andares, tetos planos e piso de pedra. O surgimento da cultura grega dá-se após o período que vai do fim do século XIII e começo do século VIII a.C., período marcado pela obscuridade, também chamado “Idade Média Grega”, quando acontece a dissolução da cultura miceno-cretense, devido a crises internas e invasões, principalmente pelas invasões dóricas, por volta do ano 1200 a.C., que provoca a dispersão do povo pelo mediterrâneo, ocupando as regiões costeiras, que acabam por originar na Jônia cidades como Éfeso e Mileto. Preocupados em exaltar a beleza e o calor da vida, ao contrário de outros povos que cultuavam o além-túmulo, os gregos construíam com fins públicos, pela realização da coletividade, ou religiosos, onde o homem continua sendo a medida das coisas, até mesmo pela qualidade humana de suas divindades. A conformação cidade-estado confere, aos centros helênicos, autonomia criativa. Atenas é regida por princípios de liberdade, democracia e individualismo, ao contrário de Esparta, estruturada no militarismo e em regimes totalitários. Por volta do ano 750 a.C. começa a primeira onda migratória em direção ao ocidente, para a Sicília e a costa da Itália, a chamada Magna Grécia. É ainda no período arcaico que se dá o nascimento do templo grego, trata-se agora de uma construção sólida, que utiliza pedra e mármore, e ergue-se sobre uma plataforma com degraus (estilobata), com planta retangular e volume horizontal, tinha uma sala principal chamada cela, onde ficava a estátua de um deus ou uma deusa. A estrutura, externa, é composta por fileiras de colunas. Marca da arquitetura grega, essas colunas eram cuidadosamente desenhadas, na parte central sua circunferência é maior do que na base e na parte superior ainda menor. Seguiram três tipos de ordens: a dórica, a jônica e a coríntia. O templo grego conserva uma característica de suas origens. O fato de ser um edifício onde o espaço é mais exterior do que interior, não se destina a abrigar os fiéis, é por assim dizer a casa de um deus, os fiéis o contemplam no conjunto e sobem até ele levando oferendas e sacrifícios, porém não permanecem no seu interior. O Partenon, de ordem dórica, projetado por Ictino e Calícrates, foi erguido na acrópole de Atenas, eleva-se sobre a cidade num terreno de menos de 300m de comprimento por 130m no ponto mais largo; nele, melhor do que em qualquer outro, verifica-se a composição grega dos cheios e vazios, do ritmo da luz e sombra. Em seu frontão encontrava-se a escultura de Fídias, que retratava o nascimento de Atenéia e a disputa entre Atenéia e Posídon. Fídias também é o autor da obra que ocupou a cela do templo, Athena Parthenos, em ouro e marfim, que não mais existe. No ano 407, uma estrutura complexa, que reúne um conjunto de lugares sagrados, ergue-se o Erection de ordem jônica, onde se encontra um novo elemento, o balcão aéreo, sustentado por seis estátuas com figuras femininas, as Cariátides, que, com sua graça, suavizam a construção. No fim do período clássico na século IV, a arquitetura continua a se desenvolver e a inovar, como na realização dos teatros, onde a geometria funcional e estética define de forma definitiva o anfiteatro, com arquibancadas escavadas, íngremes e de forma semicircular e com palco circular ou semicircular, que tem um cenário natural, como o teatro de Dionísio em Atenas, e o de Delfos. Outra inovação do século IV é o aparecimento da ordem coríntia, derivada da ordem jônica, que será desenvolvida no período helenístico e também na arquitetura romana. O período helenístico inicia-se em 323 a.C. com a morte de Alexandre Magno, e com a dissolução do império macedônio, conquistado por Alexandre, na sua luta contra os persas. A fundação de Alexandria cria um novo polo da cultura helenística. Na arquitetura, o emprego das ordens é livre, às vezes com combinações, e com amplo desenvolvimento da ordem coríntia, como no templo do Zeus Olímpico ou no monumento votivo de Líscrates de planta circular, ambos em Atenas. Outras inovações no campo técnico e no conceito de monumentalidade podem ser verificadas no grande templo-altar de Zeus (180 a.C.) em Pérgamo, que foi reconstruído no Museu de Berlim, já que quase tudo se perdeu da magnífica Alexandria.

    Arquitetura Islâmica

    A partir da Hégira (fuga de Maomé de Meca para Medina em 622), em um intervalo de aproximadamente cem anos, o islamismo cria um dos maiores impérios que já se viu. Estendia-se pela Síria, Egito, Iraque, Pérsia, Ásia Menor, parte do norte da África, Espanha e Sicília. A diversidade dos povos que o compunham determinou o aparecimento de diversos estilos, porém com uma estética própria. A construção típica da arquitetura islâmica é a mesquita, espaço destinado à congregação dos fiéis para a oração. Seu plano básico é simples, compreende: um grande pátio (zam) com um chafariz central (sabil), para abluções; uma grande sala (baram), que por seu formato longitudinal utiliza muitas colunas, orientada para Meca, a parede do fundo (qibla) tem no centro um nicho (mirhab) e ao lado do mirhab ergue-se um púlpito (mimbar). Outra característica marcante são os minaretes ou almenaras, torres de onde o almuadem convoca os fiéis. Na síria encontram-se os exemplos mais importantes da primeira etapa da arte islâmica, época da dinastia oméia (661-750). Na então capital Damasco, ocupam a grande basílica de São João e a transformam em mesquita, assim como em Jerusalém a mesquita de al - Aqsa e junto a ela a Cúpula da Rocha. Nelas verifica-se a influência dos modelos bizantinos, como a abobada de pingentes, a arcada contínua e os mosaicos intrincados. Da Pérsia sassânida deriva grande parte da arquitetura islâmica, já nesta primeira etapa inicia-se a construção de palácios com influências sassânidas, o uso do tijolo na construção das abóbadas, a decoração geométrica, o arco pontiagudo e a ornamentação em estalactite. São desta época o palacete de Qusair Amra, nas margens do Mar Morto, o palácio de Qasr al - Hair, entre Palmira e Damasco, e o grande palácio de Khirbat al - Mafdjar. A sede islâmica muda-se para Bagdad (Iraque) e lá floresce em cidades como Rakka, século VIII, e Samarra, século IX, com mesquitas como a de Mutawakkil (847-861), quase totalmente destruída. São desta época grandes palácios como os de Uhaydir e Balkuwara. No Egito a mesquita mais antiga é a de Amr, século VII, em Fustat, a qual já demonstra influência mesopotâmica em virtude da transferência para Bagdad. O general turco Ahmad ibn Tulun torna o Egito independente por algum tempo, seu legado é a mesquita que leva seu nome, a qual é inspirada na mesquita de Samarra e demonstra influência das construções espanholas. No século X tem início a dinastia dos fatímidas, que criam uma nova capital ao norte de Fustat, a origem da atual Cairo, al - Qahirah. Em 1012 terminou-se a segunda grande mesquita fatímida, a do sultão al - Hakim. A partir do século IX, a arte mesopotâmica perde influência em detrimento da arte persa. Na Pérsia a arquitetura monumental é derivada da antiga arte iraniana, lá surge o liwam (câmara abobadada), que pode ser visto na mesquita de Ispahan. Suntuosos palácios são erguidos, como o de Ispahan, onde é feita uma decoração com faiança policromada, um azulejo primitivo. Na Índia a arquitetura islâmica também se adapta às formas tradicionais, durante a dinastia mongul (XVI - XVII) são construídas obras esplêndidas como os palácios de Delhi, Agra, Fatehpur, Sikri, Lahore e Udaipur, que eram divididos em partes públicas e privadas. As mesquitas são de influência persa. Mas é na arquitetura mortuária que se encontra o maior esplendor da arquitetura islâmica indiana, como o de Mahmud, em Bijapur, mas sobretudo pelo famoso Taj Mahal, erguido pelo imperador Shah Jahan entre 1631 e 1633 em memória de sua esposa Mumtaz-i-Mahal. Exemplo da arquitetura islâmica africana é a mesquita de Kairouan, Tunísia, construída em 670 e reconstruída em 836. Lá surge uma nova forma, a maksoura, espaço coberto com uma cúpula e fica em frente ao mirhab. Esta arquitetura reflete-se na arquitetura espanhola (Sevilha, La Giralda), onde as mais belas casas e palácios são obras de arquitetura mourisca como em Alhambra, Granada.

    Arquitetura Moderna

    A arquitetura moderna é o reflexo das grandes inovações técnicas que começam a surgir já no fim do século XIX. Com a revolução industrial passa-se a utilizar o ferro de maneira nunca antes vista nas construções. Materiais como o aço e o concreto armado dão aos arquitetos possibilidades inéditas de criação, o que faz com que este estilo se torne completamente diferente de tudo que se viu até então. São engenheiros os pioneiros na utilização das novas técnicas como nos arranha-céus de Chicago ou na famosa Torre Eiffel de Paris. A fundação da escola Bauhaus de Weimar, por Walter Gropius (1883-1969), é de suma importância para o desenvolvimento da arquitetura moderna. Dentro do conceito da Bauhaus o artista não era diferente do bom artesão e é a partir desse pensamento que surge um artista até antes desconhecido, o desenhista industrial. A escola foi fechada por ordens de Hitler, não antes de resgatar para a arquitetura sua posição de arte maior, seus artistas, pelo menos grande parte deles, transferem-se para os Estados Unidos, onde darão prosseguimento à sua arte. O que melhor caracteriza a arquitetura moderna é a utilização de formas simples, geométricas, e desprovida de ornamentação, valoriza-se o emprego dos materiais em sua essência como o concreto aparente, em detrimento do reboco e da pintura. As diferenciações apresentadas nessa arquitetura variam quase de arquiteto para arquiteto, podendo-se notar semelhanças regionais, como é o caso de Frank Lloyd Wright (1867-1959), Walter Gropius, Le Corbusier (1887-1965), Oscar Niemeyer (1907-), Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969), Alvar Aalto (1898-1976), que apresentam características claramente distintas e próprias. A grosso modo, pode-se dividir os arquitetos em dois grupos: os organicistas, encabeçados por Frank L. Wright, que dizia que o edifício, assim como um organismo vivo, precisa crescer a partir de seu meio, deve partir da função para a forma, ao se olhar para uma construção desse tipo é muito fácil saber a que se destina. A obra mais famosa de Wright é a Casa da Cascata, em Bear Run. A casa está implantada sobre a cascata, que pode ser desfrutada de seu interior. É impressionante a integração da casa com a natureza; já os funcionais da escola de Le Corbusier subordinam a função à forma, porém, nos dois tipos, a forma está em harmonia com a função. Le Corbusier é o autor do Le Modulor, conjunto de estudos que visa mesurar o homem e suas atividades, criando assim o conceito de ergonomia, o desenvolvimento de seu pensamento faz com que ele proponha a casa como “máquina de morar”. Sua genialidade pode ser verificada na capela de Ronchamp, na França. A maior e mais complexa invenção do homem, a cidade, passa agora a ser projetada de forma integral, e não há nada mais notável do que a construção das cidades de Chandigarh, na Índia, por Le Corbusier e Brasília, no Brasil, por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa (1902-).

    Arquitetura Pré- Colombiana

    O mais importante aspecto a se considerar na arte pré-colombiana é o fato de suas civilizações terem vivido seu tempo em total isolamento dos valores culturais e espirituais difundidos por outras civilizações. Suas manifestações mais evoluídas realizam-se em duas grandes áreas: uma, ao norte na região do México, ainda que mais vasta que seus limites atuais; a outra na região que integra o atual Peru. Raras são as interações entre os dois pólos, mundos totalmente independentes. No México a alternância e a fragmentação das civilizações é muito maior do que no Peru, invasões de populações nômades do norte são recorrentes. É na tropical península de Yucatán que será implantada a civilização Maia, que compreendia também a Guatemala e Honduras. Esta é sem dúvida a mais estável e duradoura das civilizações mexicanas. Numa primeira etapa, entre as anos 1000 a.C. e 300 d.C., verifica-se uma evolução lenta e primitiva. A partir de 300 d.C., dá-se o período áureo que se estende até pouco depois do ano 1000, quando a civilização Maia entra em decadência e acaba por integrar-se com outras civilizações dando origem à civilização maia-tolteca, cujos descendentes chegam até a sobreviver à dominação espanhola. Constroem grandes cidades como Uxbal e Kabah, no Yucatán, Palenque, na região de Chiapas, ou Copán em Honduras. Na arquitetura Maia encontram-se dois tipos importantes de construção: a dos templos em forma de pirâmides escalonadas, com grandes escadarias íngremes, que dão acesso ao topo onde pousa o templo, de planta retangular e na maioria apenas um andar. Todo revestido de tijolos, na parte de cima do templo encontram-se frontões esculpidos; a dos palácios em geral de um só andar, as vezes com embasamento e escadaria de acesso, também tem planta retangular e tinham grandes fachadas ornamentadas. Nas duas, encontra-se a falsa abóbada, construída a partir da superposição de pedras, pode ser piramidal ou ogival. A invasão tolteca acontece a partir do século IX, deixam evoluídos exemplos em arquitetura como em Tollan e Xochicalco, templos-pirâmides e templos de colunas-estátuas. Do ano 1000 d.C. em diante, conta-se a fase maia-tolteca que terá como centro criador a cidade de Chichén-Itzà, no Yucatán. São construções desta época a pirâmide de Kukulkan, o templo dos jaguares e o templo de Los Guerreros. Outras civilizações como a zapoteca, cujo período mais expressivo dá-se entre os anos 400 e 1000 d.C., floresce na região do estado de Oaxaca, sua cidade tinha grau de desenvolvimento requintado, com escadarias, um conjunto de templos piramidais e até campo para jogo de pelota. A civilização asteca consegue sua hegemonia entre os anos 1324 e 1521. Tenochtitlán, às margens dos lago Texcoco, é a capital, imensa e imponente, nela templos, palácios, e ricas obras particulares se interligavam. Neste período, as tendências da arte deixadas pelas civilizações precedentes foram trabalhadas à exaustão. Das civilizações que ocuparam a região do Peru, a última a ser implantada antes da exterminadora invasão espanhola, a civilização inca, é sem dúvida a mais significativa do ponto de vista arquitetônico, ocupando a montanhosa região andina, utilizam pedras ciclópicas em suas construções, muito imponentes, porém despojadas e funcionais, onde o único elemento decorativo é a forma trapezoidal das aberturas e nichos. Assim surgem cidades como Cusco e Macchu Picchu, num esforço urbanístico surpreendente.

    Arquitetura Renascentista

    O Renascimento começou na Itália e se espalhou pela Europa durante os século XV e XVI, é interessante observar que a Itália oferece grande resistência à arquitetura gótica, embora utilize técnicas góticas de construção, como faz o próprio Brunelleschi. É a retomada dos valores clássicos das artes gregas e romanas. A arquitetura renascentista baseia-se na clássica, mas não a copia. O impulso renascentista faz ressurgir o Tratado de Vitrúvio, achado em 1415 em Monte Casino, dele surgem outros tratados como o de Re Aedificatoria (A Arte da Edificação) de Leone Battista Alberti. Quando o arquiteto italiano Filippo Brunelleschi (1377-1446) projetou a catedral de Florença fez uma combinação de elementos clássicos com o método gótico de construção, dando assim início a um estilo novo e promissor. Ao projetar a capela Pazzi, também em Florença, Brunelleschi utiliza a Seção Áurea, que faz com que todo o conjunto esteja em harmonia. Sucessor de Brunelleschi, Donato Bramante (1444-1514) projetou as dimensões gigantescas da basílica de São Pedro em Roma, sua construção é iniciada em 1506, e quem dá prosseguimento a suas obras é Miguel Ângelo (1475-1564), cuja contribuição vai muito além da arquitetura. A basílica também foi trabalhada por Rafael (1483-1520), e posteriormente por Maderno e finalmente por Bernini. Bramante, entre outros projetos, criou um novo tipo de abóbada, que pode ser verificada na igreja de Santa Maria das Graças, além de ter sido mestre de Miguel Ângelo, Bramantino e Alberti entre outros. Leone Battista Alberti (1404-1472), projetou a igreja de Santo André, em Mântua, cuja entrada é em forma de arco do triunfo romano. No renascimento, os projetos de casas particulares tomam grande importância como no caso da Villa Rotonda, projetada por Andrea Palladio (1508-1580), que influenciou muitos arquitetos por séculos. Na França e na Alemanha o renascimento só aparece no final do século XVI, ainda conservando traços da arquitetura gótica. A parte antiga do Louvre, em Lescot, é um exemplo da renascença francesa. Na renascença alemã o destaque fica para os castelos como o Alte Schloss, em Stuttgart. Na Inglaterra o renascimento é introduzido por Inigo Jones (1573-1652), seguidor de Palladio, como se verifica em seu projeto para o Queen’s House em Greenwich, Londres. Podem ser citados como exemplos da renascença inglesa os prédios das universidades de Cambridge e Oxford, embora suas formas sejam claramente góticas. Na Espanha o renascimento encontra seguidores como Juan de Herrera (1530-1597), que projetou o Escorial, próximo a Madrid. O que caracteriza a arquitetura renascentista é o fato de basear suas medidas em relação ao homem, como na arquitetura grega, o homem é a medida de todas as coisas, mas ao contrário da arquitetura romana , que busca a monumentalidade mais do que a escala humana.

    Arquitetura Romana

    A arquitetura romana com sua monumentalidade que comunica a grandiosidade do Estado é o símbolo de seu império. A escala das construções é multiplicada, busca-se uma solidez imponente em detrimento da elegância e da escala humana. Aquedutos, estradas pavimentadas, pontes em alvenaria dão a dimensão do espaço ocupado e da evolução urbanística alcançada pelos romanos. Para se entender a estética e a evolução da arte romana deve-se notar que ela é o resultado da somatória de algumas culturas: a primeira forma de urbanização utilizada pelos romanos é a solução Etrusca da cidade cercada por muralhas, com moradias de planta elíptica, sistema de esgoto com canais cobertos, e ruas com traçado ortogonal; a concepção dos templos de Saturno, Bacco e outros no mesmo período de Augusto (43 a.C.- 14 d.C.) são de influência Itálica; já no século I a.C. os templos da praça Argentina, os do Foro Olitório dão mostras da arquitetura grega. Já no ano 13 a.C. a construção do Teatro de Marcelo define uma ordem romana, sua arquibancada não é escavada como no teatro grego e sim sustentada por pilares. Nos anos seguintes de Tibério, Cláudio e Nero segue-se a estética imperial de Augusto, sendo que o grande avanço artístico se dá com os Flávios (Vespasiano, Tito e Domiciano entre 70 e 96 d.C.) época da construção do Coliseu 80 d.C. cuja arquibancada abriga cinquenta mil pessoas. A parte externa da construção é escalonada na sucessão das ordens: tuscânica, jônica e coríntia. A seguir destaca-se o período de Trajano 90-117 d.C. e Adriano 117-136. É durante o governo de Adriano que se constrói uma das mais soberbas obras da Roma Imperial: o Panteon, que foi construído sobre um templo já existente de influência grega, que passa a ser a estrutura interna do templo, um cilindro externo é construído e ele termina numa cúpula aberta no centro, que determina uma iluminação zenital tocante. Obra que evidência a arte de revestir romana com o uso do mármore. As conquistas de Trajano constituem-se a última expansão do império que entra em decadência. Marco Aurélio, Séptimo Severo e Caracala 161- 217 d.C. preocupam-se em manter o império, pois previam-se invasões bárbaras e a expansão do cristianismo. Séptimo Severo é quem inicia a construção das termas de Caracalas, que já foi chamada de arte barroca romana, suas ruínas são ainda hoje uma das visões mais surpreendentes de Roma. Vale ressaltar a importância de Vitrúvio, o maior teórico do classicismo romano, que será seguido em todas as épocas até a completa conversão do Império para o cristianismo na era de Constantino, quando a arte romana encerra seu ciclo.

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    Arquitetura Contemporânea

    1.INTRODUÇÃO

    Arquitetura contemporânea, termo que designa as mudanças ocorridas na arte da construção de edifícios nos meados do século XIX e durante o século XX. Como aconteceu no campo das outras artes (ver Arte contemporânea), a arquitetura modificou os princípios estéticos vigentes, recorrendo ao emprego das novas técnicas e materiais industriais, como o concreto, o aço laminado e o vidro em grandes dimensões.

    2.ORIGENS DA ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA

    A Revolução Industrial mudou o contexto tecnológico e social da construção e, portanto, os preceitos e objetivos tradicionais da composição arquitetônica perderam validez. Foi aproximadamente a partir de 1840 que os principais artistas e críticos procuraram novas formas de abordar problemas construtivos. Na Inglaterra, o escritor John Ruskin e o designer William Morris, fundador do movimento Arts & Crafts, consideravam que os objetos produzidos pela máquina eram desprovidos de significado cultural e estético. Inspirados no passado medieval e na ideologia socialista (ver Socialismo), sustentaram a importância do artesanato e procuraram o envolvimento direto dos operários na produção de artefatos de uso cotidiano e doméstico. No âmbito da tecnologia, o Crystal Palace, de sir Joseph Paxton, um enorme espaço para exposições temporárias construído, em 1851, por ocasião da Exposição Universal de Londres, representou um notável avanço no desenvolvimento da arquitetura contemporânea. Feito com elementos pré-fabricados de aço e vidro, introduziu ao mesmo tempo a consciência de outra forma de beleza, a que se assenta na claridade estrutural e no emprego coerente dos novos materiais. Duas estruturas, erigidas para a Exposição Internacional de Paris de 1889, mostraram as possibilidades de materiais como o ferro, o vidro e o aço, que eram fabricados maciçamente: a Galeria das Máquinas, obra do arquiteto C.L.F. Dutert e da empresa de engenheiros Contamin, Pierron e Charton, que tem uma distância entre as bases de sustentação de 117 m; a Torre Eiffel, de Alexandre Gustave Eiffel, que, construída em ferro forjado, atinge os 305 m de altura. As novas tecnologias também influíram no design de edifícios em prol de um maior funcionalismo. A invenção do elevador nos Estados Unidos e a falta de solo edificável alentaram a construção de prédios cada vez mais altos. Para isso, foi criado um sistema reticular de aço — uma espécie de grade tridimensional — ao qual foram acrescentados soalhos, janelas e muros como simples fechamentos. O arranha-céu destinado a abrigar escritórios foi construído pela primeira vez, por volta de 1890, em Chicago, e depois difundiu-se em diversos lugares. Os arquitetos mais representativos foram Louis Sullivan e os integrantes da Escola de Chicago. Em Portugal, os arquitetos e engenheiros que, no fim do século XIX e início do XX, incorporaram os novos materiais às construções lisboetas, têm uma clara influência da França. José Luís Monteiro (1849-1942) é autor do design da Estação do Rossio (1886-1887) e do Hotel Avenida Palace (1890-1892). O elevador de Santa Justa foi projetado por Raoul Mesnier du Ponsard, em 1900. A ponte Dona Maria Pia, no Porto, construída entre 1876 e 1877, foi desenhada por Gustave Eiffel.

    3.ART NOUVEAU

    O estilo conhecido como art nouveau, nome derivado da loja parisiense Maison de l’Art Nouveau, surgiu no início da década de 1890 em vários países, nos quais adotou diferentes denominações: Jungendstile na Alemanha; estilo Sezession na Áustria; modern style na Inglaterra; stile Liberty na Itália; arte nova em Portugal; e modernismo na Espanha. O mérito deste movimento foi estender a noção de arte a objetos antes considerados simplesmente utilitários, como móveis (ver Mobília) e acessórios próprios da decoração de interiores, e procurar uma maior liberdade criativa na imitação das formas orgânicas da natureza. Entre os seus representantes destacam-se os belgas Victor Horta e Henry van de Velde, que exerceram profunda influência na arquitetura racionalista posterior; o francês Hector Guimard, criador dos acessos às estações de metrô de Paris; os arquitetos vienenses Otto Wagner, Joseph Maria Olbrich e Joseph Hoffmann; Antoni Gaudí, modernista catalão cuja obra A sagrada família teve início em 1883. Na Escócia, Charles Rennie Mackintosh idealizou a Glasgow School of Art (1887-1889; transformada em biblioteca entre 1907 e 1909) com uma sintaxe retilínea, que culmina na audaz fachada de ferro e vidro.

    4.FRANK LLOYD RIGHT

    Após sua etapa de formação no ateliê de Louis Sullivan, iniciou sua trajetória como profissional independente em 1900. Projetou um tipo de residências unifamiliares chamadas de prairie houses (casas da pradaria), entre elas a casa Robie (1908), em Chicago. Mais do que nos Estados Unidos, sua estética foi bem acolhida na Holanda, onde os princípios racionais e a composição baseada em poderosos planos perpendiculares exerceram uma grande influência no movimento neoplasticista. Wright adaptou a casa ao terreno e fez construir uma grande lareira central, deixando ao redor dela um espaço fluido contínuo. Principal expoente da arquitetura orgânica, um dos seus últimos projetos foi o Museu Solomon Guggenheim de Nova York (1946-1959).

    5.DE STIJL

    De Stijl (O estilo) foi o nome de uma revista que reuniu o grupo de artistas neoplasticistas holandeses, em 1919. Seus representantes mais destacados, além dos pintores Piet Mondrian e Theo van Doesburg, foram os arquitetos Jacobus Johannes Pieter Oud e Gerrit Tietveld (também designer de móveis), criadores da casa Schröder, entre 1924 e 1925. Esta obra resume os critérios abstracionistas do movimento: volumes gerados pela interseção ortogonal de planos independentes, pintados com cores primárias; eliminação do ornamento e da simetria; e repetição. A disciplina geométrica de De Stijl é um dos traços fundamentais do racionalismo moderno.

    6.A BAUHAUS

    Na Alemanha e na Áustria, houve também arquitetos inovadores. Otto Wagner enfatizou a função, a textura do material e a claridade estrutural. Adolf Loos defendeu o uso das formas geométricas. Os esforços destes criadores, destinados a encontrar uma linguagem para a nova era industrial, culminaram na obra do alemão Walter Gropius, designado diretor da Escola de Arte de Weimar depois da I Guerra Mundial. Junto com Adolf Meyer, tinha se destacado pelos projetos para a construção de fábricas. A Escola de Weimar, chamada de Bauhaus, transferiu-se para Dessau, onde os novos edifícios (1925-1926) significaram uma síntese definitiva dos princípios do movimento moderno: janelas horizontais, muro-cortina de vidro, disposição racional e design global de todos os elementos. No ano seguinte, a tendência consolidou-se com as Weissenhof Siedlung (casas operárias), perto de Stuttgart, construções que contaram com a participação de vários arquitetos europeus e foram dirigidas por Ludwig Mies van der Rohe, sucessor de Hans Meyer à frente da Bauhaus. Van der Rohe era, como Gropius, discípulo de Peter Behrens.

    1.Objetivos sociais da Bauhaus Esta versão da arquitetura contemporânea contou com um programa social, decorrente da crise econômica que a Alemanha enfrentou após a I Guerra Mundial e da grave escassez de moradias nos grandes centros urbanos. Durante a breve República de Weimar (1919-1933), as prefeituras socialistas de muitas cidades enfrentaram esses problemas, junto com vários arquitetos progressistas, como o testemunham os Siedlungen (bairros operários) de Viena, Berlim e Frankfurt. Com esse objetivo, foi pesquisado o conceito de Existenzminimum (mínimo espaço habitável), declarando que os conhecimentos técnicos deviam ser aplicados para melhorar as condições de vida do conjunto da sociedade e não apenas de uma elite.

    2.Adoção das técnicas industriais Sob este ponto de vista, os arquitetos com sensibilidade e consciência social se utilizaram dos materiais industriais e rejeitaram os materiais caros e exóticos, tentando aproveitar as qualidades expressivas dos recursos mais baratos. Com as estruturas de aço, por exemplo, os muros se transformaram em lâminas pouco espessas, às vezes transparentes graças aos fechamentos de vidro (muro-cortina). Já não era preciso que os muros e os tabiques coincidissem com os pilares, ou que os ângulos dos edifícios fossem sólidos para resistir à tensão das forças dos elementos sustentados. Foi eliminado o princípio de simetria e controlaram-se meticulosamente as proporções. Os arquitetos, pintores, designers e artesãos que fizeram parte da Bauhaus desenvolveram um interessante trabalho teórico no âmbito das artes visuais na sociedade industrial. No pavilhão alemão da Exposição Internacional de Barcelona, em 1929, Mies van der Rohe refletiu a busca da simplicidade através de estruturas de aço e finas placas de vidro combinadas com muros de ônix e um pódio de travertino (ver Mineração), com um sistema compositivo em que é evidente a influência de De Stijl. Na casa Tugendhat, de 1930, em Brno, a nobreza dos materiais e a aplicação do princípio de economia expressiva (“menos é mais”) são traços distintivos de sua obra.

    3.Dispersão da Bauhaus Em 1933, o nazismo tomou o poder na Alemanha e a Bauhaus, símbolo da vanguarda alemã, foi fechada. Gropius e Mies van der Rohe se exilaram nos Estados Unidos. O primeiro foi professor desde 1937 até sua aposentadoria, em 1952, no departamento de Arquitetura da Universidade de Harvard, onde difundiu o conceito de design da Bauhaus. Seu discípulo Marcel Breuer, que o acompanhava, abandonou a tarefa docente para continuar em Nova York sua atividade como arquiteto. Os edifícios de Breuer, como o Whitney Museum of Modern Art (1966), conjugam o racionalismo da Bauhaus com uma imagem herdada do expressionismo alemão da década de 1910. Mies van der Rohe dirigiu o departamento de Arquitetura no Illinois Institute of Technology de Chicago, onde procurou definir uma nova tipologia do arranha-céu. Os elementos comuns do arranha-céu — a estrutura de aço e o revestimento de vidro, ou seja, a utilização do muro-cortina — supuseram novos desafios arquitetônicos para Mies van der Rohe. São exemplos do seu esforço para encontrar uma solução o prédio de apartamentos de Lake Shore Drive (1951), em Chicago, e o edifício Seagram (1958), em Nova York, projetado em colaboração com Philip Johnson.

    7.LE CORBUSIER

    Durante as décadas de 1920 e 1930, a arquitetura de países como a França, a Inglaterra e os Estados Unidos esteve dominada pelo art déco, estilo freqüente em edifícios públicos e na maioria dos arranha-céus norte-americanos, como o Empire State Building, de Nova York. Uma exceção foi Charles Édouard Jeanneret, apelidado Le Corbusier, um suíço francófono discípulo de Auguste Perret e Peter Behrens estabelecido em Paris.

    1.Primeiras obras Durante a década de 1920, Le Corbusier projetou uma série de residências unifamiliares para clientes cultos, que, assim como o arquiteto, achavam que a moradia moderna devia ser uma machine à habiter (máquina habitável), como é o caso da vila Saboye (1929-1930), em Poissy-sur-Seine, na França. Esta obra mostra os princípios da nova arquitetura: andar principal, separado do chão sobre pilotis; andar livre, sem nenhuma subordinação à estrutura; utilização de janelões horizontais para que entre muita luz; disposição de terraços ajardinados que permitam a vida ao ar livre. Outra das propostas inovadoras de Le Corbusier, com o objetivo de solucionar o problema da habitação operária, foi a de construir casas em série e cidades organizadas em altura (cidades-imóveis).

    2.Obras da madurez Após a II Guerra Mundial, Le Corbusier criou diferentes versões da chamada unidade habitacional (1946-1952), começando pelo edifício de Marselha. O arquiteto estava explorando todas as possibilidades do concreto armado como material de construção. Em lugar de usar os métodos de fechamento habituais nos arranha-céus, que consistiam em leves lâminas montadas sobre estruturas invisíveis, Le Corbusier chamou de novo a atenção para a expressividade dos fechamentos, concebendo o edifício como um objeto escultórico. Os artistas tinham pensado na importância do concreto, mas sua popularização foi lenta devido à falta de soluções para sua aplicação mais precisa. Em 1901, o arquiteto e urbanista francês Tony Garnier elaborou um projeto de cidade para Lyon, publicado em 1918 com o título A cidade industrial, prevendo a utilização do concreto em grande escala. Um dos precursores na exploração das possibilidades estruturais e formais do concreto armado foi Auguste Perret, o mestre de Le Corbusier. Constituem bons exemplos a igreja de Notre Dame du Raincy (1922-1923) e a reconstrução do porto de Havre depois da II Guerra Mundial. Le Corbusier também influiu através da sua obra escrita, como o livro Rumo a uma arquitetura (1927), que coleta vários artigos sobre suas idéias arquitetônicas. Entre outros exemplos de sua concepção, destacam-se o Pavilhão do Esprit Nouveau, na Exposição de artes decorativas, de Paris, em 1925; o palácio da Sociedade das Nações, de Genebra, em 1927; o palácio dos Soviets, de Moscou, em 1931.

    3.Últimas obras Sua produção teórica e prática inspirou outros arquitetos, sobretudo ingleses, para trabalhar num estilo que seria chamado de brutalismo, um termo derivado do francês béton brut (concreto bruto ou aparente). Durante a década de 1950, Le Corbusier projetou a construção da cidade de Chandigarh, a nova capital do Punjab. Últimos exemplos do seu trabalho arquitetônico são os três edifícios governamentais, erigidos na praça do Capitólio, além de duas construções religiosas na França: a capela (1950-1955) de Nôtre Dame du Haut, em Ronchamp, e o mosteiro dominicano (1956-1960) de La Tourette, em Eveux.

    8.ARQUITETURA ESCANDINAVA

    A aparição da arquitetura contemporânea na Escandinávia esteve ligada à obra de artistas inovadores, como o sueco Erik Asplund e o dinamarquês Arne Jacobsen. O finlandês Eliel Saarinen se estabeleceu nos Estados Unidos em 1922, onde fundou uma escola de arte seguidora da tradição européia, a Cranbrook Academy, perto de Detroit. Seu filho Eero, formado neste ambiente, chegou a ser um arquiteto brilhante nas décadas de 1940 e 1950: de 1957 é o Centro Técnico da General Motors em Warren, Michigan; o aeroporto internacional de Dulles, perto da cidade de Washington, foi terminado em 1963, dois anos depois da morte de Eero Saarinen. O finlandês Alvar Aalto foi, sem dúvida, o arquiteto mais destacado. Embora nas suas primeiras obras, como a clínica de Paimio (1929-1933), tenha adotado uma linguagem racionalista retilínea e branca, manifestou logo seu talento expressivo. Recorreu para isso aos materiais finlandeses tradicionais — granito, tijolo, madeira, azulejo cerâmico e cobre —, enfatizando suas qualidades visuais com um critério onde o arquitetônico adquiria traços poéticos, apreciáveis na liberdade e a complexidade dos interiores; no interesse pela percepção luminosa dos ambientes, graças muitas vezes ao uso de lucarnas; na importância concedida à circulação entre os espaços. O Centro Cívico (1950-1952), na ilha de Säynätsalo (Finlândia), está organizado com lojas no térreo, sobre as quais são dispostas sóbrias moradias para as autoridades locais. A igreja (1956-1958), em Vuoksenniska (Finlândia), é uma solução poética decorrente de um complexo programa funcional, onde se combinam um lugar para o culto e um centro social.

    9.OUTROS ARQUITETOS EUROPEUS

    Na Espanha, com a instauração da Segunda República, em 1931, foram intensificados os contatos com a vanguarda européia e a participação nos Ciam (Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna), iniciados em 1928. Houve, aliás, uma atmosfera favorável ao desenvolvimento do racionalismo arquitetônico, representado por Josep Lluís Sert, discípulo de Le Corbusier, e Félix Candela. A guerra civil fez com que Sert se exilasse nos Estados Unidos e Candela, no México. O emprego do concreto armado continuou se desenvolvendo através dos esforços de engenheiros como o italiano Pier Luigi Nervi e o próprio Candela, que, na Espanha, fora discípulo de Eduardo Torroja, autor da impressionante cobertura das tribunas no Hipódromo da Zarzuela, em Madri (1935).

    10.ARQUITETURA LATINO-AMERICANA

    A arquitetura contemporânea consolidou-se na América Latina através do apoio de Le Corbusier a dois jovens arquitetos brasileiros: Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Entre os pioneiros que, desde finais da década de 1920, postulavam a renovação dos estilos historicistas, destacam-se Gregório Warchanchik e Afonso Reidy, também brasileiros, e o uruguaio Julio Vilamajó. Após a II Guerra Mundial, surgiram outras figuras importantes, especialmente no México, onde os princípios do movimento se ligaram ao caráter colonial e à tradição pré-colombiana. Outros arquitetos latino-americanos destacados são Luis Barragán, Juan O’Gorman e Pedro Ramírez Vázquez, no México; Carlos Raúl Villanueva, na Venezuela; Rogelio Salmona, na Colômbia; e Eladio Dieste, no Uruguai.

    11.LOUIS ISADORE KAHN

    Norte-americano de origem estoniana, Louis Isadore Kahn admirava os sistemas construtivos romanos — como o das termas de Caracalla — e fez um estudo atento da história da arquitetura desde a Antigüidade até Claude Nicolas Ledoux (1736-1806), cujas propostas teóricas e realizações antecipam as tendências da arquitetura contemporânea. Entre as obras mais importantes de Kahn destacam-se os laboratórios Richards (1958-1061), na Universidade da Pensilvânia; o Instituto Salk (1965), em La Jolla (Califórnia); o Instituto Indiano da Empresa (1975), em Ahmedabad (Índia); e os projetos da década de 1960 para Dacca, a capital de Bangladesh, como o edifício da Assembléia Nacional.

    12.ARQUITETURA PÓS-MODERNISTA

    Na década de 1960, surgiu entre muitos arquitetos um sentimento de rejeição do International Style, que tinha retrocedido a fórmulas monótonas e estéreis. Uma das correntes arquitetônicas que reage contra a ortodoxia do racionalismo é a chamada pós-modernista, ligada ao movimento filosófico do mesmo nome. Abrange as tendências neo-historicistas de Ricardo Bofill ou de Óscar Tusquets, os traços extremos do desconstrutivismo de Frank Gehry ou Zaha Hadid, a ironia de Robert Venturi, Helmut John ou Michael Graves. O multifacetado Philip Johnson confirmou sua adesão ao pós-modernismo com o edifício AT&T (1982), de Nova York, um arranha-céu com um frontão quebrado.

    13.ÚLTIMAS TENDÊNCIAS ARQUITETÔNICAS

    Nas últimas décadas do século XX, tendências divergentes têm surgido no quadro arquitetônico, como o desconstrutivismo e o high-tech. Ao mesmo tempo, tem se iniciado uma revisão dos mestres das vanguardas e, portanto, uma recuperação dos postulados do modernismo. Esta tendência é manifesta na obra de numerosos arquitetos, entre eles o holandês Rem Koolhas, o japonês Tadao Ando, o norte-americano Richard Meier, o espanhol Rafael Moneo e o português Álvaro Siza, que, em 1969, ficou entusiasmado com o livro de Robert Venturi Complexidade e contradição em arquitetura.

  7. #6
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    Arte

    O conceito de arte é extremamente subjetivo e varia de acordo com a cultura a ser analisada, período histórico ou até mesmo indivíduo em questão. Não se trata de um conceito simples e vários artistas e pensadores já se debruçaram sobre ele. O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, segunda edição), em duas de suas definições da palavra arte assim se expressa: "atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito, de caráter estético, carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento ou renovação"...; "a capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações ou sentimentos ...." Independente da dificuldade de definição do que seja a arte, o fato é que ela está sempre presente na história humana, sendo inclusive um dos fatores que a diferenciam dos demais seres vivos. Além disso, a produção artística pode ser de grande ajuda para o estudo de um período ou de uma cultura particular, por revelar valores do meio em que é produzida. Duas grandes tendências se alternam na história da arte: uma tendência mais naturalista, que parte da representação do mundo visível e uma mais abstrata que não nos remete a objetos ou figuras conhecidas, preferindo as linhas, cores e planos. Uma prova das oscilações dessas tendências pode ser dada pelo fato, por exemplo, da arte abstrata estar presente tanto nas manifestações vanguardistas do século XX, quanto entre as produções de homens primitivos. A arte pode se utilizar de vários meios para sua manifestação. Nas artes visuais os mais conhecidos são a pintura, a escultura, o desenho, as artes gráficas (gravura, tipografia e demais técnicas de impressão, inclusive a fotografia) e a arquitetura.

  8. #7
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    Arte Bizantina

    Chama-se Arte Bizantina aquela produzida na parte leste do antigo Império Romano. Constantinopla, sua capital, foi fundada em 330 d.C. e caiu sob o jugo do Império Turco em 1453 (marcando a passagem histórica da Idade Média para a Idade Moderna). Entretanto, uma arte propriamente bizantina não começou exatamente quando da divisão do Império Romano em duas partes, tampouco acabou logo após a tomada de Constantinopla. Durante os primeiros anos do Império do leste, a arte podia ser considerada ainda romana, desenvolvendo-se com outras características posteriormente. Da mesma forma, os padrões artísticos do Império Bizantino puderam ser observados até aproximadamente o século XVI. Além disso, outras povos que não pertenciam propriamente aos domínios do Império Bizantino assimilaram esses padrões, como os eslavos. Pode ser dividida em dois períodos distintos: a arte Bizantina dos primeiros tempos, que vai aproximadamente do século IV ao século VIII, e a arte bizantina mais tardia, que vai mais ou menos do século IX ao século XV. O ponto de ruptura entre esses dois modelos artísticos foi dado pela ação dos iconoclastas, que terminou em 843. No século VIII foi desencadeada uma luta contra a reprodução de imagens por Leão Isáurico (Leão II, 675 -741). Seus sucessores acabaram intensificando cada vez mais a luta contra os ícones, depredando com mosaicos, afrescos e perseguindo aqueles que cultuavam imagens. Eles acabaram por destruir grande parte da produção artística do primeiro período por motivos religiosos-filosóficos. Seu poder foi forte no Império até o século IX. A partir daí vemos o ressurgimento da arte bizantina com novas conquistas. A temática da arte Bizantina, de uma forma geral, é religiosa: eventos bíblicos, a vida dos santos. Era função do artista representar as crenças teológicas. Devido a forte importância das imagens, que funcionavam como verdadeiras pontes de contato entre o homem e o divino (ícones), os artistas deveriam seguir fielmente as tradições. Qualquer inovação ou falha na representação de uma imagem com função tão importante poderia mesmo ser considerada como desrespeito à Igreja. Portanto, não era exigido do artista criatividade, originalidade, ou seu traço pessoal, sendo que pouquíssimos mestres bizantinos são conhecidos hoje. Mesmo quando a arte destinava-se a prestar homenagem ao Imperador, podia ser observado um fundo religioso, uma vez que, seguindo a tradição oriental, o Imperador era considerado como a emanação da figura divina na Terra. Um aspecto importante de toda essa observação na preservação das tradições foi a conseqüente preservação também de traços da arte grega e romana, um dos últimos redutos de sobrevivência desses padrões na Idade Média, antes da Europa passar a revalorizá-las durante o Renascimento. Diferenciava-se da arte clássica, por sua vez, principalmente na exaltação do divino e não do homem como faziam os antigos. Por essas características, percebe-se que era mais apropriada a arte em grande escala, para melhor exaltar o poder que deveriam representar. Os mosaicos talvez sejam os mais famosos trabalhos em arte do Império. Entretanto, também havia a arte realizada em pequenos objetos, como trabalhos têxteis, jóias, trabalhos em metais e principalmente a iluminação de manuscritos.

    PRIMEIRO PERÍODO DA ARTE BIZANTINA

    Nesse primeiro período, temos a figura do Imperador Justiniano, O Grande (527 - 565) como líder de uma das épocas de maior desenvolvimento da arte Bizantina. O Imperador era conhecido por patrocinar a atividade, além de sua força política e militar. A influência clássica era bastante nítida nos trabalhos do período. Entretanto, trata-se de uma época de difícil estudo uma vez que poucas obras sobreviveram. Uma das maiores obras de Justiniano foi a reconstrução da Igreja de Hagia Sophia. A Igreja, construída por Constantino, tinha sido destruída em 532 por facções políticas rivais. Isidorus de Miletus e Anthemius de Tralles eram os arquitetos responsáveis pela obra. A alta abóbada da igreja (55 m), com seus 33 m em diâmetros é uma das características mais marcantes do templo. Além disso, espacialmente podem ser notadas combinações de elementos das primeiras igrejas cristãs com elementos presentes nas construções de basílicas. A Basílica de São Apolinário em Classe, construída no século VI, é outra boa amostra de um templo bizantino, especialmente por conter em seu interior um belo mosaico, tipo de pintura que alcançou notável expressividade na Arte Bizantina. Mostra o santo em oração numa paisagem estilizada, algumas ovelhas, Moisés, Elias, uma cruz com a minúscula cabeça de Cristo na intersecção de seus dois lados e a Mão de Deus. O Mosaico foi decifrado como simbolizando a Transfiguração de Cristo. Um dado interessante da arte Bizantina é ver um mesmo tema tratado de maneiras distintas nas várias regiões do Império. Isso acaba por provar que apesar do respeito às tradições, típico dessa arte, ela não se mostrava fechada às variações de estilos em suas diferentes regiões. A iluminação de manuscritos é a manifestação artística que permite uma boa observação da arte Bizantina, uma vez que muitos deles conseguiram chegar até nós. Tanto como no ocidente, essa atividade é bastante representativa da arte do Império Romano oriental na Idade Média. Apresentava muitas variações, que podem corresponder às diferentes localidades de origem desses manuscritos. Podem ser encontradas desde páginas inteiras ilustradas às iluminações somente no meio de um texto. As ilustrações de manuscritos gregos parecem terem sido as preferidas pelos artistas. Os retratos dos autores presentes nas obras também seguiam a tradição da arte grega. Um bom exemplo pode ser dado pela representação de São Marcos nos Evangelhos Rossano, pertencente à Catedral de Rossano, sul da Itália. Outro manuscrito grego ilustrado foi Gênesis de Viena, hoje na Biblioteca Nacional de Viena. Os textos são pequenos e as ilustrações pormenorizadas, podendo uma mesma iluminação apresentar mais de um evento, com a repetição de personagens. Conforme já foi dito, a ação dos iconoclastas acabou por destruir grande parte da arte bizantina. Entretanto, no reino da Imperatriz Irene (787 -813) e a partir de 843 (Imperatriz Theodora) pode ser observada a restauração do culto aos ícones e um novo período de ouro da arte Bizantina.

    SEGUNDO PERÍODO DA ARTE BIZANTINA

    Após 843, começa uma nova era de ouro da arte Bizantina, com a restauração dos ícones. O Império Bizantino de então já é bem menor do que aquele governado por Justiniano, devido a perda de territórios para os árabes ou para a dinastia Carolíngia. O termo Renascença Macedônia pode ser usado também para designar a arte do período, uma vez que ela continha inúmeras referências clássicas. A denominação também baseia-se no fato dessa época ser o começo de uma dinastia iniciada por Basil I (867 - 886), o Macedônio. Na arquitetura não houve nenhuma construção que superasse em esplendor a Hagia Sophia, uma vez que predominava nessa época construções mais modestas. Exemplos de construções desse período são a Nea (destruída) e as demais igrejas em formas de quincunce (uma abóbada central rodeada de quatro pequenas abóbadas), nas regiões de Salonika, por exemplo. A Igreja de San Marco, em Veneza, tem clara inspiração na arte bizantina da época de Justiniano, mostrando como esses valores estéticos acabaram por atingir o oeste. Com seus mosaicos e esculturas, influenciou a maneira como o ocidente assimilaria a arte do leste. A Catedral de Pisa, construída pelo arquiteto Busketos, que mistura elementos romanescos aos bizantinos, é outro bom exemplo da expansão da arte bizantina. Na pintura, os ícones são grandes destaques. De profunda importância religiosa para a cultura do Império, as representações de entidades divinas, em especial os vários santos, eram adorados tanto por poderem estabelecer a ligação entre o plano humano e o divino, como pelas figuras em si. Os mosaicos são outro importante meio decorativo usado na arte bizantina. Normalmente no interior de igrejas, possuíam rica simbologia, representando Cristo, a Virgem, a Criança, os profetas, os apóstolos, os santos. Havia ainda imagens mostrando as principais festas do ano litúrgico bizantino. A iluminação de manuscritos continua sendo atividade importante na arte do Império. De uma forma geral, temos várias amostras da arte bizantina dessa segunda época de ouro. No caso dos manuscritos isso é ainda mais verdadeiro, tendo sobrevivido vários deles. Aspectos da arte clássica costumam estar bastante ressaltados, como a referência à mitologia grega. Paris Psalter, de Psalms, que retrata episódios do Velho Testamento, é um bom exemplo desses manuscritos. Um dos últimos exemplos de pintura bizantina pode ser dado pela Kariye Camii em Chora, Igreja do Salvador . Realizada já no século XIV, mostra a resistência da Igreja Bizantina que, mesmo com as tentativas de destruição promovidas pelo papado e as cruzadas, ainda se mostrava vigorosa. Quanto às esculturas, não há muitos exemplos de esculturas monumentais, prevalecendo sua utilização na decoração arquitetônica ou esculturas em pequena escala, como altares portáteis. Acredita-se que a arte bizantina foi de fundamental importância para o início da Renascença Italiana, assimilada tanto pelo contato comercial com o país latino, como pelo espólio realizado pelas Cruzadas.

  9. #8
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    Arte na China

    A arte chinesa é particularmente conhecida pelas cerâmicas, existentes desde a pré-história. Um fato curioso e talvez só possível em um país oriental, é a perpetuação de alguns estilos desde aquela época até, praticamente, o século XIX. Os chineses foram ótimos exploradores das potencialidades de cada material utilizado para realizar sua arte (seja ele papel, bronze ou porcelana), preparando ritualmente as substâncias a serem aplicadas sobre eles. Em concordância à filosofia do país, que vê o homem como parte da natureza, a figura humana não recebe ênfase especial quando retratada. A perspectiva é utilizada para reforçar a idéia chinesa da arte como instrumento de revelação do mundo.



    Dinastias

    A Dinastia Shang vai de 1766 a 1045 a.C. na região norte da China. Os vasos de bronze, com desenhos extremamente sofisticados utilizados para fins religiosos, são a especialidade do período. Há uma rica iconografia ainda não desvendada, utilizada em sua decoração, normalmente criaturas abstratas e espirais. A dinastia seguinte, a Chou, iniciou-se em 1045 a.C.. Ainda bastante influenciada pela precedente, os vasos de bronze continuam a ser realizados, embora aumentem de tamanho e tenham desenhos mais nítidos. Foi bastante influenciada pelas idéias de Confúcio, Lao-tzu e o taoísmo. O final dessa dinastia caracteriza-se por grande opulência, expressa na arte pelo uso do jade (extremamente valorizado na cultura chinesa, por suas propriedades), além da prata e ouro na decoração das esculturas. Passa-se a conferir extremo valor à arte fúnebre. A decoração dos túmulos da nobreza e a descrição de cenas (guerras, rituais, caçadas), tornam-se extremamente famosas, evidenciando um certo domínio da técnica de criar efeitos dinâmicos à pintura. As dinastia Qin e Han (221 a.C. - 220 d.C.) são especialmente famosas pelas esculturas. Como exemplo da primeira temos as armas de terracota, com expressivas figuras combinando realismo e estilização arcaica. Outra grande realização dessa dinastia foi a Grande Muralha. Já a dinastia Han (206 a.C. - 220 d.C.), é conhecida pelo desenvolvimento da arte funerária, como os espelhos circulares, repletos de figuras ritualísticas (como diagramas) em suas costas, ou o relato de cenas mitológicas, a partir do desenvolvimento do uso do espaço, dos detalhes e da hierarquização de figuras (quanto maiores, mais importantes). Foi desenvolvido o efeito de movimentação das figuras, através, por exemplo, do uso de linhas ondulantes. “Cavalo Voador“ (esse animal costuma frequentar a temática da arte chinesa) é uma boa amostra da escultura dessa dinastia, com sua leveza de movimentos. O budismo teve grande influência na arte chinesa por seis dinastias (de 220 a.C a 589 d.C.). A princípio, a arte, a serviço da nova fé, limitava-se a reproduzir temas estrangeiros, em particular os indianos. Um exemplo dessa arte são as enormes imagens de Buda. Com o passar do tempo, essa arte começa a adaptar-se à cultura chinesa, com sua iconografia característica. Os santuários Dunhuang, com afrescos fundidos à arquitetura e à escultura adaptadas aos padrões chineses atestam bem esse processo. Além disso, sob influência budista, os chineses foram o primeiro povo a valorizar o artista, uma vez que a arte auxiliava na meditação, tarefa de grandes sábios. As dinastias do sul (420 -589), assistiram a um enorme desenvolvimento na pintura, em especial na riqueza de detalhes da representação da natureza. Além disso, foram grandes teóricos da pintura, criando parâmetros que guiariam a arte pictórica chinesa posterior. As cópias fiéis dos trabalhos passados eram extremamente valorizadas, bem como as linhas expressivas, de larguras e densidades variadas. A dinastia Tang (618 - 906), caracterizou-se pela expansão das fronteiras chinesas e pelo intercâmbio cultural com o Japão, Índia e Ásia Central. O Chan budismo (ou o zen), é forte no período, bem como o próprio budismo, que ganha complexidade e exige dos artistas maior minuciosidade de detalhes para descrever suas imagens. A influência estrangeira, em particular a indiana, é grande, popularizando as imagens com vários braços ou cabeças. Em contrapartida, é nessa mesma dinastia (em 845) que é proibido o culto budista, em nome do confucionismo. A arte funerária ganha novo impulso no período, sendo extremamente valorizada como a “era de ouro da pintura“. Um bom exemplo dela são os murais no túmulo da Princesa Yong-t ‘ai (706). A pintura de paisagens continua a desenvolver-se, como “A jornada para Shu do Imperador Ming Huang“. Em 906, cai a Dinastia Tang, dividindo o império, até 960, em cinco dinastias rivais, num período de grande desenvolvimento da pintura de paisagens e de procura de temas alheios à política e à religião. Os pintores mais conhecidos do período são Tung Yuan e Wei Hsien, imprimindo monumentalidade à pintura chinesa. Durante a dinastia Song (906 - 1279), temos pintores de destaque desenvolvendo a pintura de paisagens como Fan Kuan (“Viajantes entre Montanhas e Correnteza“), Mi Fei (com sua técnica comparável ao impressionismo europeu de século XIX) e Guo Xi (“Começo de Primavera“). Houve ainda no período uma diversificação de estilos, como o literal (cujo principal expoente é o imperador Hui Tsung, com suas representações precisas da natureza, acompanhadas de poemas; o posterior estilo lírico com suas composições assimétricas e valorização da intuição, representado por artistas como Ma Yuan e Xia Gui e o estilo espontâneo, dividido em dois tipos, um de origem popular e outro originado da arte caligráfica do Chan Budismo e do Taoísmo, bastante influenciado pelo estilo anterior. Mu Qi e Liang Kai são seus principais artistas. As cerâmicas do período também são particularmente famosas. Entre 1269 e 1368 a pintura sofre a influência da dominação estrangeira, com o exílio de muitos artistas. É a dinastia Yuan, em que o estilo espontâneo continua pictórico (principalmente através de artistas exilados), utilizando-se de temas como estudo do bambu (e de seu simbolismo para o chinês), ao lado de poemas com caligrafia estilizada e dos santos do budismo e taoísmo. O estilo literal, um pouco modificado, também continua na época. Entretanto, a dinastia Yuan é particularmente conhecida por suas grandiosas obras arquitetônicas (que inspiraram a Cidade Proibida da dinastia Ming). Com a saída dos mongóis da China, temos a dinastia Ming, que durou até 1644 e caracterizou-se pela retomada dos estilos pictórios da dinastia Song (adaptados à nova época), além da emergência de uma nova criatividade, baseada nos estilos anteriores. Tung Chi-Chang (“Rios e Montanhas num Dia Claro de Outono“), é considerado um dos principais nomes da pintura da dinastia Ming. Urbanismo e arquitetura tiveram notável desenvolvimento nessa dinastia, como “A Cidade Proibida“, (conhecida como a Cidade do Imperador), nascida das ruínas mongóis. O “Portão da Suprema Harmonia“, possui elementos extremamente representativos da arquitetura chinesa de uma maneira geral (considerada bastante conservadora). Entretanto, os chineses ainda não tinham se livrado da dominação estrangeira, caindo sob o domínio da Mandchúria em 1644 (a dinastia Qing, até 1912). A cultura chinesa de então foi absorvida pelos estrangeiros e preservada. O desenvolvimento da caligrafia e a introdução de técnicas ocidentais de perspectiva (principalmente através de jesuítas) foram características marcantes da arte da época. As cerâmicas, que já vinham tendo suas técnicas bastante desenvolvidas desde a dinastia anterior, são outra marca do período. A fina decoração em porcelana tem notável evolução, bem como a própria escultura em porcelana cresce e populariza-se. Com a Revolução Socialista de 1912, a arte chinesa toma rumo totalmente novo, uma vez que a arte realizada até então, pela primeira vez, passa a ser desvalorizada. Alguns artistas continuam a seguir os padrões antigos (sendo normalmente perseguidos por defender “A Velha Ordem”), mas a maioria se utiliza da ideologia revolucionária como tema de suas obras. A arte, com a função de servir a ideais coletivos, é controlada pelo estado, e a figura do artista (como indivíduo) perde o valor.

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    Arte Colonial Portuguesa

    Arte colonial portuguesa foi o processo expansionista de Portugal teve efeitos diversos: do desinteresse dos artistas pelo "exótico" - foi o flamengo Francisco Henriques, e não Grão-Vasco, quem pintou o índio brasileiro na "Adoração dos Magos" de Viseu, em 1503 - à exportação do gótico nacional para o Marrocos e os arquipélagos de Madeira e Açores. Só com os grupos sociais em convívio e interação surgem formas originais de hibridismo artístico. Como as da arte afro-portuguesa (Serra Leoa, Costa do Marfim) representadas por frágeis peças de mesa ou de cerimônia esculpidas em marfim por artesãos negros sobre desenhos levados por portugueses ou moldes metálicos. Síntese do gótico tardio com a arte africana, as manifestações artísticas afro-portuguesas foi um episódio breve (1470-1530). É na Índia - onde o artesanato de luxo atingia alta qualidade - que esta mestiçagem melhor se elaborou, aproveitando-se das compras, ida de artistas a Portugal, criação de oficinais ou controle cristão das modalidades decorativas locais. Após 1540, com a fixação portuguesa em Diu e Baçaim, antecessora de Bombaim, a arte indo-portuguesa toma impulso, adquirindo características próprias que se manifestam, principalmente, nas artes portáteis: tecidos, mobiliário, jóias, imaginárias de marfim usadas a bordo das naus. Cerca de 200 anos depois, a arte indo-portuguesa entra em decadência nas fórmulas repetidas do Barroco luso-indiano. A arquitetura monumental faz de Goa a "Roma do Oriente" com a construção das igrejas da Sé (1560, maior catedral portuguesa), e da igreja dos Teatinos, 1657, uma cópia do Vaticano. No Extremo Oriente (Málaga, junto a Cingapura, feitoria do Sirião, Birmânia,1612), as grandes obras cabem aos missionários do padroado português. Entre elas, a cidade de Nagasaki (1580), na ilha de Kyushu (Japão); a igreja de S. Paulo, em Macau, com fachada barroca jesuítica (1602) e a difusão da pintura renascentista no Japão onde a arte namban - de Namban-Jin, bárbaros do Sul, designação que os nipônicos davam aos portugueses - floresce em quadros, biombos e peças de laca que perduram mesmo após a sua proibição pelo Japão (1639). Mais cobiçada era a grande produção da China. A porcelana Ming, levada para Portugal em cargas enormes, originou a Companhia das Índias, exemplo da adaptação oriental ao gosto europeu e de um diálogo estético que possibilitou a formação de uma arte luso-chinesa. O caso do Brasil é muito diferente. As primeiras obras duráveis - capela da Casa da Torre de Garcia d' Ávila (1560-70), alguns fortes (Montserrat, 1585; Reis Magos, 1597) e casas jesuíticas (Olinda, 1575 e Rio de Janeiro, 1585) - fiéis aos protótipos lusos quinhentistas, dão lugar a obras mais elaboradas. Entre elas, a Sé de Olinda, 1590, e mosteiros de ordens mais ricas como a de São Bento, no Rio de Janeiro, obra do engenheiro Francisco Frias de Mesquita, 1617, e a igreja dos Jesuítas, atual Sé de Salvador, Bahia, 1657, cópia de uma igreja de Santarém. Estas edificações já assimilam técnicas da escultura negra e da arte nativa, com participação em suas construções de artistas locais, entre eles, o pintor Eusébio de Matos, irmão do poeta Gregório de Matos e autor da sacristia da Sé de Salvador. Só após o período de prosperidade mineira explode, na última década do séc. XVII, a verdadeira arte local. Ao Barroco Nordestino, ainda mal estudado e mais próximo da metrópole, sucede-se o Barroco Mineiro já personalizado, evoluindo para o Rococó no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Norte do país onde a época pombalina faz surgir os fortes de Macapá e Príncipe da Beira, em 1776. Como dizia Mário Chicó, é no Brasil que se encontra o mais autêntico barroco português, e a figura de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (estátuas de Congonhas do Campo, Minas Gerais, 1796-1805), é o primeiro grito de independência brasileiro, um fato sem paralelo no Oriente português.

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    Arte Contemporânea

    1.INTRODUÇÃO

    Arte contemporânea, reunião de uma notável diversidade de estilos, movimentos e técnicas. Essa ampla variedade de estilos inclui a penetrante pintura realista Gótico americano (Grant Wood, 1930, Art Institute of Chicago, Illinois), que retrata um casal de agricultores do Centro-oeste americano e, ainda, os ritmos abstratos da tinta salpicada da pintura Preto e branco (Jackson Pollock, 1948, acervo particular). No entanto, mesmo que fosse possível dividir a arte contemporânea por obras figurativas, como o Gótico americano, e por obras abstratas, como Preto e branco, encontraríamos uma surpreendente variedade de estilos dentro dessas duas categorias. Da mesma forma que o Gótico americano, pintado com precisão, é figurativo, a Marilyn Monroe (Willem de Kooning, 1954, acervo particular) pode ser considerada figurativa, apesar de suas pinceladas largas mal sugerirem os rudimentos de um corpo humano e características faciais. O abstracionismo, além disso, apresenta uma série de abordagens distintas: desde os ritmos dinâmicos de Pollok em Preto e branco à geometria de ângulos retos da Composição em vermelho, amarelo e azul (Piet Mondrian, 1937-1942, Tate Gallery, Londres), cujas linhas e retângulos sugerem a precisão mecânica da máquina. Outros artistas preferiram uma estética da desordem, como no caso do artista alemão Kurt Schwitters, que misturou jornais, selos e outros objetos para criar a Imagem com um centro luminoso (1919, Museu de Arte Moderna, Nova York). Assim, o século XX apresenta mais do que variedade de estilos. Foi no período moderno que os artistas produziram pinturas não somente com materiais tradicionais, como o óleo sobre tela, mas também com qualquer material que estivesse disponível. Essa inovação levou a criações ainda mais radicais, como a arte conceitual e a arte performática. Com isso, ampliou-se a definição de arte, que passou a incluir, além de objetos palpáveis, idéias e ações.

    2.CARACTERÍSTICAS DA ARTE CONTEMPORÂNEA

    Devido a essa diversidade, é difícil definir a arte contemporânea incluindo toda a arte produzida no século XX. Para alguns críticos, a característica mais importante da arte contemporânea é sua tentativa de criar pinturas e esculturas voltadas para si mesmas e, assim, distinguir-se das formas de arte anteriores, que transmitiam idéias de instituições políticas ou religiosas poderosas. Já que os artistas contemporâneos não eram mais financiados por essas instituições, tinham mais liberdade para atribuir significados pessoais às suas obras. Essa atitude é, em geral, denominada como arte pela arte, um ponto de vista quase sempre interpretado como arte sem ideologia política ou religiosa. Ainda que as instituições governamentais e religiosas não patrocinassem a maioria das artes, muitos artistas contemporâneos procuraram transmitir mensagens políticas ou espirituais. O pintor russo Wassily Kandinsky, por exemplo, achou que a cor combinada com a abstração poderia expressar uma realidade espiritual fora do comum, enquanto que o pintor alemão Otto Dix criou obras de cunho abertamente político que criticavam as diretrizes do governo alemão. Outra teoria defende que a arte contemporânea é rebelde por natureza e que essa rebeldia fica mais evidente na busca da originalidade e de vontade de surpreender. O termo “vanguarda”, aplicado à arte contemporânea com freqüência, vem da expressão militar avant-gard — que em francês (ver Língua francesa) significa vanguarda — e sugere o que é moderno, novo, original ou avançado. Muitos artistas do século XX tentaram redefinir o significado de arte ou ampliar a definição de modo a incluir conceitos, materiais ou técnicas jamais antes a ela associadas. Em 1917, por exemplo, o artista francês Marcel Duchamp expôs uma produção em massa de objetos utilitários, inclusive uma roda de bicicleta e um urinol, como se fossem obras de arte. Nas décadas de 1950 e de 1960, o artista americano Allan Kaprow usou seu próprio corpo como veículo artístico em espetáculos espontâneos que, segundo ele, eram representações artísticas. Nos anos 1970, o artista americano que seguia o estilo do earthwork, Robert Smithson, usou elementos do meio ambiente — terra, rochas e água — como material para suas esculturas. Como conseqüência, muitas pessoas associam a arte contemporânea com aquilo que é radical e perturbador. Ainda que a teoria da rebeldia pudesse ser aplicada para explicar a busca por originalidade que motivava um grande número de artistas do século XX, seria difícil aplicá-la a um artista como Grant Wood, cuja obra Gótico americano rejeitou claramente o exemplo da arte de vanguarda de sua época. Outra característica fundamental da arte contemporânea é o seu fascínio pela tecnologia moderna e a utilização de métodos mecânicos de reprodução, como a fotografia e a impressão tipográfica. No início da década de 1910, o artista italiano Umberto Boccioni procurou glorificar a precisão e a velocidade da era industrial em suas pinturas e esculturas. Por volta da mesma época, o pintor espanhol Pablo Picasso incorporou às suas pinturas uma nova técnica, a colagem, que usava recortes de jornais e outros materiais impressos. Seguindo a mesma linha, porém, outros artistas contemporâneos buscaram inspiração nos impulsos espontâneos da arte infantil ou na exploração das tradições estéticas tradicionais de culturas que não fossem industrializadas ou ocidentais. O artista francês Henri Matisse e o suíço Paul Klee foram influenciados por desenhos de crianças; Picasso observou de perto máscaras africanas e Pollock desenvolveu sua técnica de salpicar tinta sobre a tela, inspirando-se nas pinturas com areia dos índios norte-americanos. Sob outra perspectiva, porém, afirma-se que a motivação básica da arte contemporânea é criar um diálogo com a cultura popular. Com essa finalidade, Picasso colou pedaços de jornal em suas pinturas, Roy Lichtenstein transportou tanto o estilo quanto o tema das histórias em quadrinhos para suas pinturas e Andy Warhol fez a representação das sopas enlatadas Campbell. No entanto, ainda que derrubar as barreiras entre a arte de elite e a cultura popular seja algo típico de Picasso, de Lichtenstein e de Warhol, não é típico de Mondrian, Pollock ou da maioria dos abstracionistas. Cada uma dessas teorias é convincente e poderia explicar as muitas estratégias usadas pelos artistas contemporâneos. No entanto, até mesmo essa breve análise mostra que a arte do século XX é diversa demais para se encaixar em qualquer uma de suas muitas definições. Cada teoria pode contribuir para resolver uma parte do quebra-cabeça, mas nenhuma delas em separado representa a solução.

    3.ORIGENS

    A arte do final do século XIX antecipou muitas das características da arte contemporânea. Elas incluem a idéia da arte pela arte, a ênfase na originalidade, a exaltação da tecnologia moderna, o fascínio pelo primitivo e o compromisso com a arte popular.

    4.IMPRESSIONISMO

    A exaltação da arte pela arte surgiu com os artistas franceses associados ao impressionismo, como Édouard Manet, Claude Monet, Edgar Degas e Berthe Morisot. Na década de 1870, ao abandonarem as referências diretas aos temas religiosos e históricos, muitos dos impressionistas romperam com o padrão de arte francês e expuseram suas pinturas de forma independente, antecipando o desejo dos artistas modernos de tornarem-se independentes das instituições estabelecidas. Ao pintar cenas da vida quotidiana, especialmente a dos bares e teatros locais, os impressionistas anteciparam o interesse da arte contemporânea pela cultura popular. Retratando estradas de ferro, pontes e exemplos da nova arquitetura que usava o ferro, eles anunciaram o fascínio da arte contemporânea pela tecnologia. Por serem os primeiros a usar novas técnicas artísticas — isto é, aplicar a tinta com pinceladas pequenas e descontínuas — e a intensificar suas cores, anteciparam o fascínio moderno pela originalidade. A exibição de obras executadas como pinturas acabadas, forçaram o público a reconsiderar o esboço não mais como exercício preliminar, mas como arte final e, dessa forma, antecipar a tendência dos artistas contemporâneos a ampliarem a definição de arte.

    5.PÓS-IMPRESSIONISMO

    Nas últimas duas décadas do século XIX, vários artistas inspirados pelo estilo e técnicas impressionistas reagiram veementemente a eles. Esses artistas, que mais tarde foram chamados de pós-impressionistas, estabeleceram uma série de abordagens diferentes na pintura, e cada uma delas repercutiria de forma marcante na arte do século XX. Paul Gauguin rejeitou a técnica impressionista de aplicar toques de cor separadamente, em pequenas pinceladas, e preferiu usar grandes áreas cobertas por uma única cor contornada por linhas fortes. Essa inovação influenciou Matisse e o traço de artistas posteriores, que usaram a cor mais como artifício expressivo do que como meio de copiar a natureza. Em 1891, Gauguin estabeleceu-se no Tahiti, Pacífico Sul, motivado pela ruptura de seu relacionamento com van Gogh e pelo desejo de abandonar a civilização ocidental e viver mais simplesmente. Seu trabalho no Tahiti contribuiu para o fascínio moderno pela arte não ocidental. O pintor holandês Vincent van Gogh usou tanto as cores quanto a pincelada para traduzir, para a linguagem visual, seu conturbado estado emocional. Além disso, impregnou sua obra com significados religiosos ou alegóricos — corvos negros simbolizando a morte, por exemplo — contrariando a ênfase impressionista na observação direta. A obra do pintor norueguês Edvard Munch baseava-se na premissa de que, por objetivos expressivos, a pintura podia sacrificar a fidelidade à natureza. Munch usou combinações de cores fortes, formas distorcidas e perspectivas exageradas para dar forma visual à alienação do homem na sociedade industrial moderna. As obras de Gauguin, van Gogh e Munch abriram espaço para o desenvolvimento posterior do expressionismo nas artes do século XX. Outros artistas pós-impressionistas reagiram ao impressionismo de maneira diferente. O artista francês Georges Seurat procurou elevar a arte ao nível da ciência, incorporando as últimas teorias sobre luz e cor à sua obra. Dividiu as cores em seus elementos primários — o roxo foi decomposto em azul e vermelho e o verde em azul e amarelo — e aplicou essas cores às suas telas, ponto a ponto. Esse método, chamado de pontilhismo, tinha como objetivo eliminar qualquer intuição e impulso do ato de pintar. Paul Cézanne, outro pós-impressionista, introduziu mais estrutura no que via como uma prática não sistemática do impressionismo. Os objetos aparecem de forma mais sólida e tangível em suas pinturas do que nas obras de seus colegas impressionistas. Mas, apesar dessa maior solidez, Cézanne contribuiu, mais do que qualquer outro artista anterior, para desestabilizar a integridade da forma através de distorções sutis e aparentes imprecisões em muitas pinturas de natureza morta. Os objetos não repousam confortavelmente sobre suas bases. Os vasos podem ser vistos de diferentes perspectivas e têm bordas quando vistos de cima. As bordas horizontais das mesas, quando projetadas de qualquer um dos lados de uma toalha de mesa, às vezes não casam. A impressão é que Cézanne tentava destruir a mesma solidez que introduziu na representação dos objetos. Cézanne também fez uma inovação radical em obras como Mont Sainte Victoire (1890-1906, Museu Metropolitano de Arte, Nova York): a beirada da montanha se abre para permitir que partes do céu penetrem nela, artifício que desfaz a solidez da pedra. Com esse gesto simples, Cézanne alterou o curso da história da arte. Duas entidades físicas, o céu e a terra, até então distintas e separadas, agora eram intercambiáveis. O mundo como é visto e vivenciado, parecia não ter tanta importância para Cézanne quanto as leis da criação das imagens. Após este exemplo, o mundo da realidade e o mundo da arte começaram a se distanciar. A fragmentação iniciada pela obra de Cézanne levou às posteriores experimentações com as formas feitas por Picasso e à invenção do cubismo.

    6.PRIMEIRAS DÉCADAS DA ARTE CONTEMPORÂNEA

    Os historiadores da arte têm relacionado a fragmentação da forma na arte do fim do século XIX e início do XX à fragmentação da sociedade da época. As crescentes realizações tecnológicas da Revolução Industrial ampliaram a distância entre as classes média e trabalhadora. As mulheres lutavam por direitos de igualdade e de voto. A visão da mente, apresentada pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud, estipulava que a psique humana, longe de estar unificada, era repleta de conflitos e contradições emocionais. A descoberta da radiografia, a teoria da relatividade de Albert Einstein e outras inovações tecnológicas sugeriam que a experiência visual já não correspondia mais à visão de mundo da ciência. Várias formas de criatividade artística refletiram essas tensões e desenvolvimentos. Na literatura, James Joyce, T. S. Eliot e Virginia Woolf experimentaram novas estruturas narrativas, gramática, sintaxe e ortografia. Na dança, Sergei Diaghilev, Isadora Duncan e Loie Fuller revolucionaram em figurinos e coreografias pouco convencionais. Na música, Arnold Schönberg e Igor Stravinski compuseram obras que não dependiam da estrutura melódica tradicional. A música, além de ter sido uma das artes em que mais foram feitas experiências, transformou-se na grande fonte de inspiração para as artes visuais. No final do século XIX e no começo do XX, muitos críticos de arte foram influenciados pelos filósofos alemães Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche, que haviam proclamado que a música era a mais poderosa de todas as artes, já que causava emoções por si, e não através da imitação do mundo. Muitos pintores do movimento simbolista do final do século XIX, como Odilon Redon e Gustave Moreau, tentaram superar o poder de sugestão direto da música, pintando formas abstratas, realidades mais imaginárias do que o observável. Redon e os simbolistas criaram as bases para a arte abstrata.

    7.FAUVISMO

    A idéia de que a arte poderia se aproximar da música foi refletida na obra O aparador, harmonia vermelha (1909, Museu Estadual Hermitage, São Petersburgo, Rússia), de Henri Matisse, cujo subtítulo foi retirado da terminologia musical. Com base nas obras de Gauguin, Matisse pintou grandes áreas sem variação de cor, formas simplificadas e linhas de contornos fortes. A simplicidade do estilo de desenho de Matisse remete à fascinação de Gauguin pela arte das culturas diferentes das ocidentais. Matisse usou também os desenhos abstratos de tapetes e tecidos, em uma tentativa de reforçar o aspecto plano da pintura, mais do que de criar uma ilusão de profundidade. Seu interesse por esses desenhos demonstra a influência exercida por formas de expressão de criatividade nem sempre associadas às belas artes. Apesar de O aparador, harmonia vermelha, ter sido concebido como imagem agradável da vida doméstica da classe média, a maneira de Matisse retratar essa cena foi considerada revolucionária, especialmente na forma como, arbitrariamente, distribuiu cores intensas em objetos, sem se espelhar na natureza. Um crítico da época, escandalizado, afirmou que Matisse e outros artistas como André Derain, Maurice de Vlaminck e Georges Braque, da França, e Kees van Dongen, da Holanda, eram fauves (termo que significa, em francês, animais selvagens). Essa expressão depreciativa batizou o movimento, fauvismo, que durou apenas de 1898 a 1908, mas causou um impacto duradouro na arte do século XX.

    8.CUBISMO

    Pablo Picasso, amigo e rival de Matisse, também inventou um novo estilo de pintura que enfocava as linhas, mais do que as cores. A arte de Picasso sofreu uma transformação radical por volta de 1907, quando ele decidiu incorporar à sua pintura alguns elementos estilísticos da escultura africana. Ao contrário da imagem agradável da classe média de Matisse, a pintura As senhoritas de Avignon (1907, Museu de Arte Moderna, Nova York) violenta a forma humana através de simplificações, de combinações de cores violentas e arbitrárias e de distorções extremas da anatomia e das proporções humanas. O espaço da pintura, contudo, não segue a lógica da perspectiva, com seu sistema tradicional de retratar a profundidade em uma pintura e, é tão fragmentado, que se torna difícil percebê-lo claramente. A violência inerente à Senhoritas de Picasso, porém, abriu caminho para suas pinturas mais meditativas, como Ma Jolie (1912, Museu de Arte Moderna, Nova York). Neste e em outros exemplos do cubismo analítico, o tema — em geral, um retrato ou uma imagem de natureza morta — é fragmentado em uma série de interseções e cruzamentos de planos geométricos. Percebe-se a influência de Cézanne nessa fragmentação, assim como a paixão de Picasso pela ambigüidade e pela união de opostos. O sólido e o vazio, o indivíduo e o meio ambiente, o primeiro e o segundo plano se interpenetram num desafio à lógica da pintura tradicional e à lógica da experiência quotidiana. Ma Jolie foi pintada em tons de cinza e marrom, pouco gritantes. Essa ausência de cor é característica do cubismo analítico, assim como o uso de letras. As palavras ma jolie (que significam, em francês, minha linda) aparecem na parte inferior da tela, fazendo referência a uma música popular da época e reforçando o vínculo entre a arte contemporânea e a cultura popular. Mais tarde, Picasso reforçou esses vínculos na tela Natureza morta com cadeira de palha (1912, Museu Picasso, Paris), onde o artista colou um pedaço de tecido oleado no desenho de um encosto de palha entrelaçada de uma cadeira. Esse foi um dos primeiros exemplos de colagem, uma violação das técnicas tradicionais de pintura através da inclusão de materiais estranhos. Após as experimentações cubistas de Picasso e de seu colega francês, Georges Braque, nenhum material voltou a ser considerado estranho à arte. Isso possibilitou que ela se redefinisse constantemente com o decorrer do século. O cubismo de Picasso mostrou-se notavelmente influente. Vários artistas franceses, como Albert Gleizes, Jean Metzinger, Robert Delaunay, Fernand Léger e Juan Gris, foram influenciados por ele em suas criações. Ao usarem esse estilo para glorificar a relação da vida moderna com a tecnologia, diferenciaram suas obras das de Picasso e Braque. Léger, por exemplo, simplificou as formas em A cidade (1919, Philadelphia Museum of Art, Pensilvânia), transformando-as em áreas coloridas planas ou em cubos ou cilindros tridimensionais. Nesta obra, a visão pessoal e sutil de Picasso quanto ao cubismo levou à visão mais mecânica e impessoal de Léger. A mudança reflete uma crença política contemporânea segundo a qual a personalidade individual deveria subordinar-se às exigências da sociedade como um todo. A obra A cidade é a visão de Léger de uma comunidade ideal ou utópica, onde há a integração da humanidade com a máquina.

    9.FUTURISMO

    Os futuristas, um grupo de artistas italianos que trabalharam de 1909 a 1916, compartilhavam do entusiasmo de Léger pela tecnologia, mas foram além. Como o próprio nome sugere, os futuristas abraçaram tudo aquilo que enaltecia as inovações tecnológicas e as mecanizações, e censuravam que se relacionasse à tradição. Afirmavam que um veículo em alta velocidade era mais bonito do que uma estátua grega antiga. Ao misturar a fragmentação da forma de Picasso com a técnica da pintura pontilhista de Seurat, a obra Agilidade de um jogador de futebol (1913, Museu de Arte Moderna, Nova York), de Umberto Boccioni, é típica do futurismo. Mas a característica mais notável do jogador de futebol de múltiplas pernas de Boccioni é a sua representação de movimento. Para alcançar esse sentido de movimento, os futuristas se basearam em fotos do movimento humano tiradas em seqüência pelo fotógrafo Edward Muybridge e pelo cientista Etienne-Jules Marey. "Um cavalo galopando", afirmavam os futuristas, "não tem quatro patas, mas vinte". Como Léger, os futuristas acreditavam que a construção de uma nova sociedade poderia ocorrer apenas se os cidadãos sacrificassem sua individualidade pelo bem do todo. O novo ser humano ideal, esboçado na pintura de Boccioni, seria mais máquina do que homem: seria forte, energético, impessoal e até mesmo violento. Giacomo Balla, Carlo Carrà e Gino Severini também foram pintores futuristas.

    10.EXPRESSIONISMO ALEMÃO

    Enquanto o movimento futurista italiano tinha como marca de autenticidade adotar as novas descobertas tecnológicas, um grupo de artistas na Alemanha chamado Die Brücke (A ponte) não enaltecia a tecnologia mas, sim, o instinto humano. O Die Brücke, fundado em Dresden em 1905, incluía os artistas alemães Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel, Emil Nolde, Max Pechstein e Karl Schmidt-Rottluff. Esses artistas viam a cidade moderna como local de alienação. Em obras como Cenas de uma rua de Berlim (1913, Staatsgalerie, Stuttgart, Alemanha), Kirchner sublinhou a artificialidade da vida urbana e a forma como as pessoas perdem sua identidade entre a multidão. Suas figuras humanas têm proporções distorcidas e características faciais generalizadas. Kirchner ressaltou o sentido de ansiedade com a justaposição de cores contrastantes e com formas angulosas, sendo que essas últimas foram inspiradas nas esculturas africanas e nas peças entalhadas em madeira alemãs. Essas formas artísticas agradavam aos expressionistas não apenas por sua simplificação da anatomia humana mas, também, pela aspereza revelada nos traços da mão do artista e na dificuldade de se trabalhar com madeira. Seguindo o exemplo de Gauguin, os expressionistas freqüentemente representavam o corpo humano em meio à natureza, presumivelmente livres dos rígidos códigos de moral da classe média. Em 1911, um segundo grupo de expressionistas surgiu na Alemanha, desta vez em Munique, com o nome de Der Blaue Reiter (O cavaleiro azul). Esse grupo incluía os russos Wassily Kandinsky e Alexei von Jawlensky, os alemães Franz Marc, August Macke e Gabriele Münter e o suíço Paul Klee. Como os membros do Die Brücke, os artistas do Der Blaue Reiter apreciavam a arte não ocidental, assim como os desenhos de crianças, a arte folclórica e o artesanato. Mas os membros do Der Blaue Reiter estavam mais interessados no lado espiritual da humanidade do que no instintivo. Kandinsky associou a arte figurativa ao materialismo e a arte abstrata, ao espiritualismo. Assim, como os pintores simbolistas do final do século XX, Kandinsky traçou paralelos entre a pintura e a música e acreditava que as cores poderiam provocar diferentes emoções da mesma forma que diferentes melodias e sons. Nas obras abstratas de Kandinsky, como Improvisação 28 (1912, Museu Solomon R. Guggenheim, Nova York), os contornos das formas permanecem incompletos, como se estivessem abertos, e as linhas e as cores funcionam de forma independente umas das outras. Apesar de alguns acadêmicos verem essas obras como os primeiros exemplos da arte abstrata, outros descobriram que muitos dos turbulentos estudos preliminares de Kandinsky referem-se à cenas do dilúvio, do Juízo Final e a outros acontecimentos bíblicos. Essa descoberta sugere que a espiritualidade de Kandinsky, em consonância com a arte abstrata, não era apenas uma idéia geral, mas um aspecto crucial de seu objeto de estudo.

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