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Caracas, 9 fev (Lusa) - Pelo menos 40 mil propriedades privadas foram afetadas pelas medidas de expropriação ditadas pelo Governo venezuelano nos últimos 10 anos, segundo dados divulgados pela Rede de Defesa da Propriedade Privada (RDPP).

Segundo Vicente Brito, vice-presidente da RDPP, os dados incluem pequenas e grandes parcelas de terrenos, que foram ocupadas, confiscadas ou invadidas e declaradas de utilidade pública.

De acordo com a mesma fonte, as expropriações afetaram mais de 100 mil proprietários, envolvendo perdas patrimoniais de 20 mil milhões de bolívares fortes (3,34 mil milhões de euros).

Estes dados foram divulgados no mesmo dia em que o presidente da Federação de Câmaras de Comércio da Venezuela (Fedecâmaras), Noel Álvarez, anunciou que o organismo declarou estado de emergência perante as "medidas de expropriação e outras tomadas pelo Governo nacional contra o setor privado".

"O Governo nacional deveria de ocupar-se de encontrar soluções para o grave problema elétrico (...) em vez de continuar a insistir em acabar com a propriedade privada" nacionalizando comércio, terras e empresas que deixam de ser eficientes "quando passam para as mãos do Estado", disse.

Noel Alvarez lamentou que o governo venezuelano procure "acabar com a livre concorrência, a propriedade privada e com os direitos fundamentais dos indivíduos".

A mesma fonte anunciou que a Fedecâmaras vai recorrer às instâncias internacionais para denunciar as ameaças à propriedade privada e que, tal como em 2008, vai tentar uma nova medida legal para anular a lei que permite as expropriações.

No último domingo, o presidente Hugo Chávez, ordenou ao presidente da Câmara Municipal de Libertador, no centro de Caracas, que exproprie vários edifícios comerciais das proximidades da Praça Bolívar para converter a zona num centro histórico.

"Não é possível que estes edifícios, com tanta história, com tanto legado, estejam ocupados por comerciantes. Isto é de todos os venezuelanos, é um centro histórico que devemos resgatar", sublinhou Hugo Chávez, sem precisar quantas propriedades vão ser alvo de expropriação.

Segunda feira dezenas de comerciantes do edifício La Francia foram obrigados a deixar as suas pequenas lojas.

A medida levou o presidente da Câmara Imobiliária da Venezuela, Francisco Neri, a alertar que as expropriações atacam a liberdade económica no país e geram desconfiança nos empresários com intenções de investir.

info de «lusa»
fiquem bem marreta