O secretário-geral do PS, António José Seguro, criticou sábado a "dose e o ritmo" das medidas de austeridade levadas a cabo pelo atual Governo, considerando ser necessário "outro caminho” de aposta no crescimento económico e no emprego.
"Nestes seis meses, às medidas de austeridade que já decorriam do memorando da 'troika' o Governo somou mais medidas de austeridade, provocando, naturalmente, mais contração da nossa economia, do nosso produto e mais diminuição da nossa capacidade de dinamizar a economia. Perguntam-me ‘Mas num momento de dificuldade é possível colocarmos o nosso país a crescer economicamente?’", começou por questionar Seguro, ao intervir no encerramento do congresso autárquico “Coimbra…Construir o Futuro”.
E acrescentou: "Volto a dizer-vos, o caminho é difícil e quero ser muito claro: se eu hoje fosse primeiro-ministro também teria de adotar algumas medidas de austeridade. O problema está na dose e no ritmo. Eu disse há mais de três meses publicamente que era impensável que nós pudéssemos consolidar as nossas contas públicas nos dois anos que temos contratados com a 'troika' e considerei que era importante que nós pudéssemos, como país, ter pelo menos mais um ano para proceder à consolidação das contas públicas, porque isso aliviaria os sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses".
Manifestando o seu empenho em honrar dos compromissos com a 'troika' - “Quando nos perguntam ‘Mas não estão de acordo que se honre os compromissos, as metas que o nosso país acordou com a troika?’ nós respondemos ‘Estamos, queremos honrá-los’", disse -, António José Seguro defendeu a necessidade de apostar no crescimento económico e no emprego” e lembrou a proposta que fez para a criação de uma linha de crédito para as Pequenas e Médias Empresas.
“Andei durante dois meses a bater-me por ela. Finalmente foi aprovada”, referiu, sublinhando que “qualquer empresário” no país dirá que “a principal dificuldade é a ausência de liquidez” nas empresas.
“Tem algum sentido num momento de dificuldades que existam empresas que queiram produzir, que tenham clientes, que tenham encomendas, que possam exportar e que não tenham dinheiro para se pré-financiar, para comprarem as suas matérias-primas? Tem algum sentido num país que tem cerca de 800 mil desempregados que não se apoie as empresas, que são aquelas que podem criar emprego?”, questionou.
Também orador na sessão, o líder da Federação Distrital do PS de Coimbra, Mário Ruivo, considerou que “a situação social em Portugal se assemelha cada vez mais a um barril de pólvora, pacientemente aguardando que algo despolete” a sua explosão.
“Temo, honestamente, que a extinção ou agregação de freguesias contra a vontade das suas populações seja o elemento último que falta”, considerou o deputado.
Falando sobre a proposta de lei que estabelece as regras para a redução do número de freguesias, o presidente da concelhia do PS de Coimbra, Carlos Cidade, considerou que “é pior a emenda do que o soneto”.
Na sessão, o líder concelhio anunciou que “o PS tem condições para, no final do ano, designar um candidato à Câmara de Coimbra”.
SOL


LinkBack URL
About LinkBacks

Responder com Citação

Marcadores