Sobre os “Disc-jockeys”
Voçê sabe o que é um disc-jockey, ou Dj? Será isso que está a pensar? Se calhar até nem é nada disso! E…de onde surgiu esse nome, sabe?
Desde já, fique a saber que não tem nada a ver com cavalos. Dizemos isto, porque o nome “jockey”, é dado ao homem que monta um cavalo de competição.
Evidentemente, que estes senhores, os “disc-jockeys”, não andavam nem andam montados sobre cavalos, nem tão pouco são aqueles “habilidosos” que se vêem agora nas discotecas, danceterias, boates, etc.etc. Intitulam-se assim, tudo bem. Não se lhes pode chamar outra coisa… ou será que se podia? Mas não vamos entrar aqui em polémicas “baratas”. Recuemos no tempo, analisemos a história da rádio e da música, e no final será mais fácil tirar conclusões.
O Country o Rhythm-and-blues, a Canção ligeira e o Rock-and-Roll, não se difundirão por si mesmo! Tiveram como meio de promoção, a Rádio! Foi nessas emissoras de “outros tempos” que tudo se passou.
Foi nessa altura que alguém de uma maneira original e simples, descobriu aquilo que hoje centenas, senão milhares de Animadores de Rádio ou “disck-jockeys” fazem. Bem ou mal, mas fazem-no.
Tudo teve início em 1910, quando começaram a ouvir-se na rádio os primeiros discos de vinil! O primeiro “disck-jockey” foi o californiano, Doc. Herrold de S. Jose, que no ano seguinte seria imitado pelo seu colega nova-iorquino Dr. Elman Myers. Este último, tinha um programa de 18 horas de música diárias. Era muita hora a passar música, diga-se de passagem.
Por volta dos anos 50, o Rock-and-Roll estabeleceu uma relação entre o “disck-jockey” e a sua linguagem. Devido ao ritmo frenético do Rock-and-Roll, levou estes a falarem mais rapidamente, ou seja ao ritmo da música que tocavam na altura. Faziam-no como se cavalgassem sobre o disco. Enquanto este rolava, comentavam sobre quem cantava, o nome da musica, o estilo e assim por diante.
Surgiu assim o nome “disc-jokey”, relacionado com a maneira como passavam música, como comentavam, e não só. Alguém fez a ligação, ritmo e voz, como que a lembrar uma corrida de cavalos, em que o disco é o cavalo com o seu galope certo, e a voz o “jockey” como que cavalgando o seu cavalo á velocidade que este permitia.
A partir desta altura, tudo que é emissão de rádio toma uma nova atitude. Tudo era feito a uma velocidade equiparada a estes “disc-jokey”, publicidade, noticiários e até mesmo os boletins meteorológicos. Nesta altura, a linguagem musical era determinada pela execução das peças em directo, apoiadas pelos discos, visto ser difícil reproduzir a veemência enlouquecedora dos sons e efeitos técnicos conseguidos pelas salas de gravação, que é como quem diz; ao vivo e em directo!
O rock-and-roll, mudou até mesmo o estilo e costumes de alguns “disc-jokey” da altura. Al Jarvis e Martin Block, tornar-se-iam dois “jokeys” “selvagens”, apanhados pelo som frenético da altura.
Marcavam o ritmo das canções, cantarolavam, faziam comentários, e quando lhes dava na ideia, apresentavam notícias ou faziam publicidade como se estivessem a cantar Rock. Os “disc-jockeys”, foram quase estrelas de rock-and-roll! Mas, nem tudo foram rosas. Sofreram na altura os mais diversos ataques da opinião pública.
Em 1959, vários “disc-jockey” foram acusados de corrupção por parte das editoras, como sendo tendenciosos nas edições de certas companhias discográficas, favorecendo umas e destruindo outras. Desta guerra sobressaiu o nome do “jockey” mais célebre da história, Alan Freed de Nova Iorque, onde trabalhou para a Wins e mais tarde ara a WabC havendo antes colaborado com as emissoras de Cleveland, Akron e New Castle, onde emitia música clássica.
Como nota curiosa, recordemos que foi Alan Freed em 1951 que primeiro usou o termo Rock-and-Roll!
Existiram outros “disc-jockeys” famosos como por exemplo: Artur Godfrey e Ralph Powers de Baltimore, Martin Block e o seu show; Make Believe Ball Room, juntamente com Cliff Johnson de S. Francisco, George Oxford de Oakland, Big Bill Hill, Daddy-o-Daylie, Sam Evans a quem Muddy Watters dedicou a canção; Evans Shuffle!
Estes senhores que aqui falamos, foram os pioneiros do Rock-and-Roll. O êxito das emissoras de rádio, assim como o dos “disc-jokey”, foi de tal tamanho que em pouco tempo as grandes indústrias começaram a patrocinar determinadas cadeias de rádio. Foram os “disc-jokey” que criaram laços comerciais entre a rádio, fábricas de biscoitos, carne de conserva e não só, tudo graças á nova música de então.
Após este pequeno resumo da história dos “disc-jokey” e da forma de fazer rádio criada por eles, sobressai o estilo, a arte com que estes homens deram volta á música do seu tempo. Evidentemente, hoje é raça em vias de extinção. Existem poucos, ou quase nenhuns, existe sim qualquer coisa a que lhe dão esse nome!
Resumindo e concluindo, a rádio trouxe os “disc-jokey”, e os “disc-jokeys” fizeram a rádio! Actualmente usa-se o termo “Djs” a torto e a direito. Será que a história está errada? Ou optaram por esse nome por ser “chiquérrimo”? Não seria mais indicado, darem-lhe o nome de Animadores Músicais? Que tais como um maestro fazem tocar os discos a um ritmo e sequência capaz de movimentar várias dezenas de pessoas. Não será isso que eles fazem? Não animam uma sala cheia de gente que se abana, com gestos e de um jeito a que chamam de dança?
Com o decorrer do tempo, esse nome serviu para identificar, com que razão não sei, aqueles indivíduos que passam música para que outros a dancem! Há quem chame a isso evolução no mundo do género, será mesmo assim?
Não quero aqui mudar nada com esta breve história sobre os “disc-jokeys”. Apenas deixar um ponto de reflexão, para quem gostar ou tiver tempo para o fazer. Deixo um pequeno conselho. Ouça rádio e encontre a diferença. A sua diferença, é claro!
Pesquisa e textos: VALMINHO
Enciclopédia POP ROCK Animador de Rádio
Edição 1993


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