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Tpico: O juzo e a proposio

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    G-Sat VIP Avatar de mokyy
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    Padro O juzo e a proposio



    O pensamento no se limita a conceptualizar, ou seja, a construir representaes gerais e abstractas da realidade os conceitos. O pensamento relaciona esses conceitos e, desse modo, afirma ou nega que determinados conceitos podem ser atribudos a outros. Assim, no s constri os conceitos de livro e de utilidade, por exemplo, como os relaciona, concluindo que: "O livro til".

    Ora, para chegar a tal concluso, a mente teve que relacionar os conceitos de livro e de utilidade, afirmando que o conceito de utilidade convm, isto , est presente ou faz parte da compreenso do conceito de livro. Juzo , pois, a operao mental pela qual se afirma (ou nega) uma relao entre conceitos, pela qual se afirma ou nega algo (predicado) do sujeito lgico, entendendo-se por sujeito lgico, o conceito (ou o termo) de quem se afirma ou nega algo e o predicado, o conceito e o termo que exprime aquilo que se afirma ou nega acerca do sujeito lgico.

    Note-se que os conceitos que no juzo representam o sujeito e o predicado, normalmente no apresentam a mesma extenso. No exemplo referido, o conceito de "utilidade" mais extenso do que o conceito de livro (h mais coisas teis para alm dos livros). Quando acontece que o juzo relaciona dois conceitos que apresentam igual extenso, como no exemplo "O Homem um animal racional", dizemos que tal juzo uma definio. O sujeito e o predicado so diferentes significantes para designar o mesmo conceito (o mesmo significado) e no estamos seno a definir o conceito de Homem a partir da identificao da sua qualidade ou atributo essencial, aquilo que especfico do ser humano e que distingue o conceito de Homem de todos os outros; "Homem" e "animal racional" so conceitos de igual extenso, isto , referem-se ao mesmo conjunto de seres, por isso, neste caso, o juzo constitui uma definio essencial de um conceito.

    Na lgica clssica, a relao judicativa foi reduzida estrutura - "S P" - que se deve a Aristteles, e implica a existncia de trs termos:

    sujeito (S) - o conceito (ou o termo) de que se fala, do qual se afirma ou nega algo;
    predicado (P) - o conceito que refere o atributo que atribudo ou negado ao sujeito;
    cpula ( ou no ) - o termo atravs do qual se estabelece a relao entre o sujeito e o predicado.

    A lgica aristotlica s reconhece este tipo de juzos - juzos atributivos - em que a estrutura sempre de trs termos e em que a cpula sempre o verbo ser, mas a lgica moderna estudou os juzos de relao do tipo: "A cidade do Porto est situada a norte de Lisboa", cuja estrutura no susceptvel de reduzir-se a este modelo de trs e apenas trs termos, e os juzos existenciais que abordam a existncia de objectos (materiais ou ideais), do tipo "Existe o planeta Marte" ou "Todos os fenmenos tm uma causa".

    Tal como o conceito tambm o juzo toma forma na linguagem, sem a qual no seria possvel nem construir conceitos nem estabelecer relaes entre eles. Ao enunciado do juzo chamamos proposio.
    Embora determinados tipos de frases (os enunciados declarativos) se possam identificar com proposies, a proposio no deve confundir-se com a frase gramatical, pois, quando enunciamos uma ordem, um pedido, uma ameaa, ou quando formulamos uma pergunta, construmos enunciados que no podem ser consideradas proposies, uma vez que no tm contedo significativo susceptvel de ser considerado verdadeiro ou falso.

    Existe, pois, uma condio para que se possa afirmar que estamos em presena de uma proposio. Nela tem de ser afirmado ou negado algo acerca de um sujeito, o que implica que s seja uma proposio aquele enunciado que possuir um contedo susceptvel de ser considerado verdadeiro ou falso.

    Por outro lado, frases distintas podem traduzir a mesma ideia e, portanto, serem uma mesma proposio como acontece nos seguintes exemplos:

    "Lisboa a capital de Portugal."
    "A cidade das sete colinas a capital de Portugal."
    ou
    "O autor dos Lusadas um escritor admirvel."
    "Cames um escritor admirvel."

    Podemos, em sntese, considerar que, no mbito da lgica clssica:
    a) todos os juzos afirmativos apresentam a forma "S P".
    "O Homem (Sujeito) (Cpula) mortal (Predicado)"
    b) todos os juzos negativos apresentam a forma "S no P":
    "O Homem (Sujeito) no (Cpula) herbvoro (Predicado)"
    c) O juzo tem sempre apenas trs termos.

    Assim, o enunciado:
    "A casa de campo da amiga do meu irmo mais velho onde costumo passar alguns fins-de-semana mais confortvel que um hotel de cinco estrelas" apresenta a mesma estrutura do juzo afirmativo referido em a): "A casa de campo da amiga do meu irmo mais velho onde costumo passar alguns fins-de-semana" o sujeito, "" a cpula, "mais confortvel que um hotel de cinco estrelas" o predicado.



    ||Fonte: O site da educao | Carlos Fontes
    Miniaturas de Anexos Miniaturas de Anexos juizo.jpg  

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