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Tpico: Identificao de Feridas Infectadas

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    Padro Identificao de Feridas Infectadas

     

    A infeco de feridas j h muito que foi reconhecida como um factor determinante do adiamento do processo de cura e causador de desconforto e dor.

    As feridas infectadas representam um grande encargo financeiro devido ao prolongamento da estadia hospitalar, custo adicional de teraputica antimicrobiana e maior risco de complicaes relacionadas com feridas infectadas.

    A importncia das bactrias

    A remoo completa das bactrias de uma ferida no possvel nem necessria para promover a cura. Apesar de ser colonizada por um grande nmero de bactrias a maior parte das feridas crnicas curam sem complicaes (Gilchrist and Reed, 1989).

    A colonizao no por si s clinicamente significativa e no deve ser confundida com a infeco clnica de feridas. Infelizmente no existe um consenso acerca do que constitui infeco de feridas e isto acarreta alguma dificuldade quando se trata da diferenciao entre feridas infectadas e colonizadas.

    O termo contaminao refere-se presena de bactrias no multiplicativas numa ferida. As bactrias que se multiplicam sem reaces adversas, chamam-se bactrias colonizadoras. O diagnstico de infeco clnica deve ser feito no caso das bactrias multiplicadoras estarem a desencadear uma aco hostil (Ayton, 1985). O termo "reaco hostil" descreve os sinais e sintomas que podem ocorrer uma vez que as bactrias invadam de uma forma esmagadora o processo normal de recuperao.

    Os factores determinantes dos efeitos da multiplicao de bactrias nos tecidos que rodeiam a ferida, so pouco claros, mas os factores crticos incluem o nmero, tipo e virulncia dos organismos invasores. Cada indivduo responde diferentemente presena de bactrias dentro de uma ferida e os imunodeprimidos, idosos e doentes fragilizados so os mais susceptveis s infeces.

    Os microorganismos patognicos responsveis pela infeco de feridas, prolongam a cura das feridas, atravs de:

    -Destruio das clulas em virtude de competio por fornecimento de oxignio dentro da ferida.
    -Libertao de toxinas que destruem tecidos localmente, causando necrose e formao de pus.
    -Libertao de toxinas na corrente sangunea provocando toxemia.


    Critrios para a identificao de infeco numa ferida:

    - Cheiro;
    - Alteraes da cor (tons de amarelo e verde);
    - Aumento do exsudado (pus, etc);
    - Celulite e inflamao;
    - Tecido frgil de granulao (sangra facilmente);
    - Formao de abcesso(s);
    - Aumento do desconforto e da sensibilidade;
    - Ferida no-cicatrizante;
    - Deteriorao e reabertura da ferida;
    - Formao de bolsas ou pontes na base da ferida.

    Avaliao de feridas infectadas

    Se houver suspeita de infeco, importante determinar se o doente est a reagir presena de um agente patognico dentro da sua ferida (Ayliffe et al, 1992). Qualquer imunosupresso ir influenciar a capacidade de resposta a organismos infectantes. Os mais idosos ou mais novos podero apresentar uma septicemia generalizada sem uma presena evidente de feridas infectadas. Muitos profissionais de sade tm dificuldade no diagnstico diferencial de infeco e resposta inflamatria.

    Se a multiplicao de bactrias no estiver controlada, neutrfilos fagcitos, restos celulares e necrticos e bactrias proliferantes formam uma matria que se acumula na superfcie da ferida em bolsas ou fendas ou debaixo de tecido necrosado. O pus um dos muitos sinais associados a uma reaco hostil mas no tem necessariamente de estar presente para que seja feito um diagnstico de ferida infectada. H muitos critrios de identificao de feridas infectadas. importante que o diagnstico se baseie na identificao de uma combinao de critrios em vez de um simples sinal ou sintoma (Cutting and Harding, 1994). Pode ser difcil identificar se uma ferida est infectada ou no clinicamente. As figuras seguintes ajudaro a avaliar o seu conhecimento.



    As feridas da figura anterior so na coxa de uma senhora idosa, que sofre de incontinncia de stress. Embora pequenas, so infiltrativas e mostram sinais de destruio epitelial. A superfcie das feridas est coberta de material denso e purulento e exsudado abundante. Parecem estar infectadas de acordo com os diferentes critrios apresentados acima, presentes na imagem em causa: celulite alastrada nas margens da ferida juntamente com reas de escoriao da pele; a pele est vermelha, inflamada devido a um edema localizado, e estaria quente ao toque. Esta ferida mostra sinais claros de rpida deteriorao e a doente queixava-se de dores crescentes.



    A figura anterior mostra uma ferida de presso na regio sacral. A pele ao redor est em bom estado e no tem celulite. Aproximadamente metade da ferida est coberta por exsudado denso, e, embora firmemente aderente, no restringe o crescimento do tecido granuloso. Esta ferida no est infectada apesar de produzir abundante exsudado; este, por si s no um indicador de infeco. Podem ser observados sinais de cura, que incluem tecido de granulao saudvel e um decrscimo gradual do tamanho.

    Identificao das bactrias da ferida

    Colheita de material para cultura a partir de uma ferida um mtodo pouco fivel para identificao de infeco. Todas as feridas contm bactrias e no existe consenso sobre como retirar amostras de bactrias eficazmente, alm de que a presena de bactrias numa ferida no significa infeco. As bactrias nas feridas so transitrias e uma nica amostra no serve para indicar se o nmero de bactrias est a aumentar ou a decrescer. Por isso o mtodo de diagnstico de infeco de feridas por isolamento de bactrias na ferida inadequado e enganador (Gilchrist, 2000).

    Uma ferida deve ser cuidadosamente avaliada em cada muda de penso para verificao dos sinais descritos acima. So erroneamente recolhidas amostras de muitas feridas quando se apresentam com edema ou eritema, apesar do facto destes sinais serem normais durante o processo inflamatrio de cura. De todo o modo, quando uma ferida no cura ou entra inexplicavelmente em deteriorao pode ser um indicador de uma "infeco silenciosa".

    A existncia de bactrias na superfcie da ferida pouco provvel que seja responsvel por sinais clnicos de infeco localizada, e tem sido demonstrado que a contagem de bactrias varia consideravelmente dentro da prpria superfcie da ferida (Schneider et al, 1983). Para aumentar a exactido na recolha de amostras, os microbiologistas recomendam que se use bipsia aspirativa por agulha de diversas reas dentro da ferida. Todavia, por se tratar de um procedimento invasivo no muitas vezes utilizado. O diagnstico de infeco ser portanto mais correcto se for baseado na presena ou ausncia dos sinais clnicos objectivos como os descritos acima do que em anlises bacteriolgicas.

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