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Tpico: Civilizao Assria

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    37 Civilizao Assria



    Relaes entre Fencios e Neo-Assrios nos scs. VIII e VII a. C. e seus reflexos na Pennsula Ibrica

    INTRODUO


    Ao longo deste trabalho, ser traado um breve itinerrio dos principais momentos da histria de um dos mais importantes povos da Antiguidade- os Assrios. Numa primeira fase, procurar-se- fazer uma sntese da sua gnese e cultura e caracterizar as principais etapas da sua tendncia expansionista para Oeste (que remonta ao sculo XIX a. C.). Esta abordagem perspectivar os eventos na ptica das implicaes que a interaco dos Assrios com outros povos da Antiguidade acarretou, em termos de consequncias culturais e civilizacionais- nomeadamente, o incio da dispora do povo judaico, cujos reinos, Israel e Jud, desaparecem como resultado directo das campanhas militares deste povo em direco ao Ocidente, no sc. VIII a.C. Disto resultar uma miscegenao lingustica e cultural entre o Oriente e o Ocidente, operada a partir das deportaes em massa efectuadas pelos Assrios.


    Num segundo momento, sero abordadas as relaes entre as cidades fencias e o imprio Neo-Assrio nos sculos VIII e VII a.C. (o perodo da sua expanso pelo Mediterrneo ocidental), em termos das ligaes comerciais que os fencios mantiveram com a Pennsula Ibrica, ao servio dos Assrios. A poltica econmica destes ltimos reforou o comrcio entre o Oriente e o Ocidente e os Assrios receberam do Ocidente as matrias primas e os bens que escasseavam no seu imprio. Mais uma vez se procurar mostrar como este relacionamento, directo ou indirecto, acarretou consequncias importantes em termos econmicos e espirituais para os povos dessas regies, ou seja, a nvel das tcnicas, das artes e da cultura.

    GNESE DO IMPRIO ASSRIO

    Situao Geogrfica e Origens

    A Assria (tambm designada por Ashur, Ashshur ou Assur), antigo pas da sia, estendia-se para Sul, a partir da fronteira do actual Iraque, abarcando o vale do Tigre e do seu afluente, o Grande Zab, constituindo uma rea semelhante a um tringulo invertido. As suas mais importantes cidades, situadas no Iraque dos nossos dias, eram Ashur (hoje Sharqat), Ninive (hoje Kuyunjik), Calah (hoje Nimrud) e Dur Sharrukin (hoje Khorsabad).

    Desde o Paleoltico que a regio que mais tarde viria a constituir a Assria foi habitada2. A sedentarizao das populaes ter-se- iniciado cerca de 6500 a. C. e a composio tnica das primeiras comunidades de agricultores desconhecida- talvez um povo (posteriormente conhecido como Subariano3) que falava uma lngua aglutinativa (no flexionvel). Provavelmente no 3 milnio a.C., nmadas semticos conquistaram a regio e deram origem a uma lngua flexionvel, parecida com a da Babilnia, que era a dominante na regio. A escrita assria era uma verso ligeiramente modificada da cuneiforme babilnica.
    No 7 milnio a.C., os agricultores assrios cultivavam trigo e cevada, possuam gado, construam casas (algumas com quatro divises), usavam fornos e guardavam os cereais em vasilhas de barro.

    Estes povos agrcolas produziam txteis com rocas de fiar, faziam facas de obsidiana e slex crneo; usavam machados de pedra, enxs e sacholas. A sua cermica era notvel, a maioria constituda por barro cozido e pintado. A obsidiana e outras pedras duras eram trabalhadas de modo a originar jarras, contas, amuletos e selos. Modelavam figuras femininas em barro, com fins religiosos e rituais. Os mortos eram frequentemente enterrados em posio flectida, com os joelhos junto ao queixo e enterrados entre as casas.

    Cultura e Costumes

    A cultura assria assemelhava-se babilnica. excepo dos anais reais, por exemplo, a literatura assria era idntica da Babilnia e os reis assrios mais cultos, sobretudo Assurbanipal, encheram as suas bibliotecas com cpias de documentos literrios babilnicos. A vida social, familiar, o casamentos, os costumes e as leis relativas propriedade eram igualmente semelhantes s da Babilnia. Os documentos da Corte e registos legais at agora encontrados partilham muito da lei babilnia e Sumria, embora as penalidades criminais assrias fossem mais brutais e brbaras.

    A nvel de prticas e crenas religiosas, verifica-se que o deus Marduk babilnico foi substitudo pelo deus assrio nacional, Ashur. Os maiores legados assrios situam-se no campo da arte e da arquitectura.
    No 3 milnio a.C. a Assria, tal como a maior parte do Mdio Oriente, ficou sob a influncia da civilizao Sumria, do Sul- por volta de 2300 a.C., fazia parte do imprio da Sumria e da Acdia. Na sequncia do colapso deste imprio, c. de 2000 a.C., os Amoritas (um povo nmada semtico, do deserto arbico) infiltraram-se e conquistaram grande parte da Mesoptmia, incluindo a Assria. Cerca de 1850 a.C., os mercadores assrios tinham colonizado partes da Anatlia Central (sia Menor), onde comerciavam cobre, prata, ouro, lato e txteis.

    Expanso e Dependncia

    Cerca de 1810 a.C. um rei assrio, Shamshi-Adad (reinou de 1813 a 1780) conseguiu alargar o territrio assrio, desde as montanhas Zagros at ao mar Mediterrneo. Foi provavelmente o primeiro governante a estabelecer a centralizao imperial no antigo Mdio Oriente. Dividiu o reino em distritos, governados por administradores e concelhos especialmente designados para esse fim, instituiu um sistema de correios e procedeu a censos regulares da populao. Este primeiro Imprio Assrio, no entanto, pouco durou. O filho de Shamshi-Adad, Ishme-Dagan I (reinou de 1780 a 1760) foi derrotado, cerca de 1760, pelo rei babilnico Hammurabi e a Assria passou a integrar o Imprio Babilnico.

    Este, por sua vez, tambm teve uma vida curta. Os Kassitas4 (um povo de origem no-semtica) invadiram a Babilnia no sculo XVI a.C. e apoderaram-se do poder poltico. Outro povo da montanha, igualmente no-semtico, os Hurrianos5, infiltraram-se sobretudo no norte da Mesoptmia e chegaram at Palestina. Juntamente com os hurrianos e de alguma forma misturados com eles, veio um povo indo-europeu, cujo nome se desconhece. Como resultado destas migraes e reviravoltas polticas, o sculo XVI a.C. foi um dos mais agitados da histria da Mesoptmia.


    Cerca de 1500 a.C. a Assria ficou dependente de Mitanni- um reinado de propores imperiais que se estendera at o norte da Mesoptmia- at incios do sculo XIV, quando este reinado sofreu uma sria derrota s mos do imprio ascendente dos Hititas do norte. Aproveitando-se da confuso que se seguiu, o rei assrio Ashur-Uballit (reinou de 1364 a 1328) libertou a Assria do jugo de Mitanni e anexou, inclusive, parte do seu territrio.


    A este rei seguiram-se vrios governantes vigorosos, especialmente Adad-Nirari (reinou de 1306 a 1274), Salmanasar (de 1274 a 1244) e Tukulti-Ninurta (de 1244 a 1207). Foram bem sucedidos na expanso das fronteiras assrias e em repelir os seus poderosos vizinhos: os Urartianos6, os Hititas, os Babilnios e os Lullubi.

    Preldio ao Imprio

    A partir de 1200 a.C., uma nova onda de migraes modificou profundamente a composio da sia Ocidental. Da Pennsula dos Balcs, com toda a probabilidade, veio um conglomerado de povos, conhecido por "povos do mar", que ps fim ao Imprio Hitita na Anatlia e se infiltrou na Sria e na Palestina. Um povo indo-europeu chamado Mushki, que se instalou a Este da Anatlia, tornou-se uma ameaa constante para a Assria, situada Noroeste. A Oeste, um grupo de nmadas semticos, os Arameus, tambm era uma ameaa. A Assria resistiu, a maior parte das vezes com sucesso, s presses e ataques dos novos vizinhos. Ao longo desta dura luta pela sobrevivncia, desenvolveu uma mquina militar que foi proverbial pela sua crueldade e se tornou o terror de todo o Mdio Oriente.

    O IMPERIALISMO NEO-ASSRIO: ALGUMAS CONSEQUNCIAS

    (scs. XII a VII a.C.)

    Pelo quadro traado at ao momento possvel concluir que, por um lado, no contexto do Mdio Oriente da Antiguidade, a Assria enfrentou sucessivos domnios polticos, que levaram o pas a especializar-se na guerra e, por outro, que a expanso para Ocidente sempre foi uma constante na sua poltica imperialista. sobretudo este ltimo aspecto que interessa salientar, por ter de alguma forma acarretado importantes consequncias civilizacionais para o Mediterrneo e inclusive, indirectamente, para a zona actualmente designada por Pennsula Ibrica.

    Foi referida anteriormente uma primeira tentativa bem sucedida de expanso para Ocidente, levada a cabo no reinado de Shamshi-Adad, ainda nos sculos XIX-XVIII a.C., que estendeu as fronteiras da Assria at ao Mediterrneo.

    Inicialmente, as campanhas militares assrias assemelharam-se a raides, que visavam o saque e o tributo. Tiglat-Pileser I (reinou de 1115 a 1077), por exemplo, defendeu as fronteiras assrias dos Arameus e dos Mushki, atravs de incurses militares que o levaram, a norte, at ao lago Van, em Urartu (actual nordeste da Turquia) e a Oeste, at Palmyra (Turquia), Biblos e Sdon7. Na maioria dos casos, os povos fugiam aproximao dos seus exrcitos. Os que ficavam, ou eram massacrados, ou levados para a Assria. As suas vilas e cidades eram saqueadas e destrudas, mas no era feita qualquer tentativa de anexar os seus territrios.

    Este padro de conquista mudou gradualmente e os governantes assrios comearam a fazer do pas o centro de um novo imprio, incorporando as terras conquistas sob o seu domnio. Cerca do sculo X a.C., por exemplo, Adad-Nirari II anexou o estado Arameu centrado em Nisibis, a este do rio Habur. O seu filho, Tukulti-Ninurta II, anexou vrios estados arameus perto da cidade de Harran e do vale do Eufrates, assim como a regio entre os rios Grande e Pequeno Zab.

    Extenso do Domnio Assrio

    Assurbanipal II (filho de Tukulti-Ninurta II), governou de 884 a 859 e estendeu o domnio assrio a Norte e a Este. As suas campanhas brutais devastaram as terras que faziam fronteira com o seu imprio, mas no atacou os vizinhos mais poderosos, como Urartu a Norte, a Babilnia ao Sul e Aram a Oeste. Tambm ele, numa das suas campanhas, chegou at ao mar Mediterrneo. No regresso, fez de Calah8 a capital, em vez de Assur.

    Salamanasar III (reinou de 859 a 824 a.C.), seu filho, comandou 32 campanhas militares nos 35 anos do seu reinado. Muitas delas foram dirigidas contra as terras a Oeste do Eufrates, especialmente contra o poderoso reino de Aram. Embora tivesse sido em parte bem sucedido e tivesse recebido tributos considerveis por parte dos aliados de Aram, incluindo Israel, no conseguiu conquistar Aram propriamente dito

    O Fim dos Reinos de Israel e Jud

    No final do reinado de Salmanasar III eclodiu uma revolta na corte assria, seguida de vrios anos de guerra civil. A Assria caiu na obscuridade e o seu poder declinou. Mas em meados do sculo VIII a.C. reviveu, com a ascenso de Tiglat-Pileser III, que reinou entre 746 a 727. Este rei fez reviver o imprio assrio; primeiro, reforou a autoridade real e retirou poder nobreza. Criou um exrcito permanente e planeou as suas campanhas com o objectivo de anexar territrio inimigo. Os povos que conquistava eram deportados em massa e reinstalados algures dentro dos domnios assrios, de modo a esmagar a sua conscincia e coeso nacionais. Mais tarde, libertou a Assria da presso das tribos aramaicas que ameaavam o vale do Tigre, expulsou os Urartianos da Sria (734), anexou os estados arameus de Arpad e Damasco (732), subjugou as cidades da Palestina e proclamou-se imperador da Babilnia9 (729).

    Foram precisamente estas campanhas militares da Assria, em fase de expanso imperialista, que levaram ao desaparecimento de Israel (ou Reino do Norte10). Os reinados de Tiglat-Pileser III, Salmanasar V e Sargo II constituem um importantssimo perodo da histria poltica e cultural da Antiguidade, com grandes consequncias no processo civilizatrio e na histria do povo hebreu. Simultaneamente, existe vasta documentao11 relativa ao mesmo, que permite estabelecer com relativa preciso o curso dos acontecimentos.

    No sculo VIII a.C., Israel e Jud eram duas das maiores potncias do Mdio Oriente. Por seu turno, a Assria cobiava as terras a sul do Eufrates, por motivos de ordem econmica- a sua situao geogrfica e o facto de serem ricas em madeira, pedra e minrios. Como foi referido, Tiglat-Pileser III teve uma poltica muito agressiva, com a anexao do territrios ocupados, a sua repartio em provncias, dirigidas pelos bel pihati (que dispunham de guarnies para abafar rebelies) e a sua poltica de deportaes. Nem o Egipto, agora em declnio, podia opor-se-lhe, acabando mesmo por ser ocupado no sculo VII. Portanto, tanto Jud como Israel estavam ameaados, o que era agravado pelo facto de ambos os reinos viverem crises internas.

    Israel, Jud e a Assria no sc. VIII

    De 783 a 746, sob o reinado de Jeroboo II, Israel desenvolveu-se como potncia econmica, restabeleceu fronteiras (de Hamat ao mar de Arab) e atingiu um nvel de vida elevado (o que corroborado pelas escavaes, onde se encontraram objectos de luxo, marfins etc. ou pelas referncias dos Livros dos Reis e de Ams). No entanto, entre 746 e 736 d-se uma grave crise social12, poltica e religiosa13- houve cinco reis neste perodo: Zacarias, filho de Jeroboo, que morto por Shalum que, por sua vez, assassinado por Menahm de Gadi. A poltica em relao Assria de submisso e, em 738, este rei paga um tributo a Tiglat-Pileser III. Quando Menahm morre, sucede-lhe o filho, Faceias, que pouco tempo depois assassinado por Faceia- o homicdio surge como resultante de uma conjura, que envolve o rei de Damasco, alguns filisteus e talvez o Egipto. Faceia muda de poltica externa, tornando-se chefe da liga anti-assria e provocando a guerra contra Jud, pelo facto de o seu rei no o apoiar na guerra contra a Assria.

    Joato (reina em Jud entre 742 e 735) ao contrrio do seu pai Uzias (ou Azarias), quando Faceia se torna chefe da liga assria segue, como j foi referido, uma poltica neutra. Faceia e o rei de Damasco no quiseram na retaguarda uma potncia neutral ou hostil e resolvem atac-lo. Entretanto Joato morre, sucedendo-lhe o filho, Acaz14 e sobre este que recai o ataque. Os reis de Jud e da Sria, coligados, tentam dep-lo; ele, por seu turno, vendo-se atacado por Israel, pela Sria, pelos edomeus (que readquirem a sua independncia, aps terem estado sujeitos a Jud; recuperam de Ezion-Gaber, talvez com ajuda aramaica) e filisteus, resolve pedir ajuda a Tiglat-Pileser III. este o factor decisivo que leva ao desaparecimento do reino do Norte.

    Na sequncia destes acontecimentos, o exrcito assrio dirige-se primeiro a Gaza, para evitar o auxlio egpcio; ocupa posteriormente Israel, em 733. A esta ocupao seguem-se as habituais deportaes e destruio de cidades. Entretanto, Faceia assassinado por Oseias, que paga tributo a Tiglat-Pileser III e posto no trono por este ltimo que, no ano seguinte, ataca Damasco.

    Oseias fica frente de um territrio muito pequeno mas, quando Tiglat-Pileser III morre, revolta-se contra a Assria e pede auxlio ao Egipto; mas da nenhum auxlio lhe pode chegar. o sucessor de Tiglat, Slamanasar V, que ir atacar o territrio, prender Oseias (que , assim, o ltimo rei de Israel) poupando, no entanto, a cidade da Samaria. s em 722 que esta cidade ocupada por Sargo II (um dos mais famosos reis da Antiguidade), que faz 27 mil prisioneiros e reinstala no local outros povos conquistados. o fim da histria poltica de Israel, que passa a ser uma provncia assria, com capital em Meguido. Os egpcios parecem ter-se revoltado ainda, mas foram derrotados. Em 720, h uma tentativa de rebelio, gorada, juntamente com Gaza e Damasco, que origina mais deportaes.


    Quanto a Jud, continua a existir como reino subjugado Assria; -lhe imposta a adorao dos seus deuses e o culto de Assur, pois os Assrios procuravam a hegemonia poltica impondo a sua religio. um estado enfraquecido poltica, religiosa e economicamente- perde territrios e o importantssimo porto de Ezion-Geber, ou seja, os lucros da terra e do comrcio. Fica to pobre que Acaz teve de desfazer-se do ouro e da prata do palcio real e do templo. Em 715, Ezequias ainda tenta implementar reformas nacionalistas, que no so bem sucedidas. Segue uma poltica dbia, voltando-se para o Egipto e depois, para a Assria. isto que leva o reino runa definitiva, acabando por cair sob Nabucodonosor II, no imprio neo-babilnico.

    Consequncias

    Como se verificou, a poltica dos reis assrios, sobretudo a partir de Tiglat-Pileser III, foi a de anexao de territrios e transferncia de grandes massas humanas de um ponto para o outro do imprio (verificou-se sobretudo com os hebreus e os arameus). Apesar da tradicional mobilidade das populaes do Mdio Oriente, estas deportaes eram em nmeros nunca antes verificados. Estas reinstalaes foradas tinham o objectivo de operar mudanas sociais nos lugares conquistados e normalmente obedeciam ao seguinte padro: levavam-se as pessoas mais vlidas e os dirigentes locais para terras distantes e, no seu lugar, colocavam-se outros, vindos igualmente de territrios ocupados.

    Os habitantes da Samaria, por exemplo, foram para o norte da Mesoptmia e da Mdia, onde se disseminaram e desapareceram15. Para esta cidade vieram colonos da Babilnia, de Kutha, Hamat e Sefarvaim e assim se cria um novo mapa tnico-social. Os habitantes da Samaria eram agora estrangeiros, misturados com autctones, subjugados pelos chefes polticos designados pela Assria; misturam-se raas, costumes e religies (neste caso particular, predominou a raa israelita) e assim que surgem os samaritanos, mal vistos pelos vizinhos e dos quais existem actualmente cerca de 200 pessoas, na cidade de Nablus.

    Este processo, claro, comum a todo o imprio assrio. Todos os deportados estavam sujeitos aos governadores (representantes do poder central), que tinham exrcitos e esmagavam toda e qualquer tentativa de rebelio. Ora, inicialmente, este processo gera um grande nivelamento social e simultaneamente, um desenraizamento, que impediam a rebelio. No entanto, mais tarde, os povos comeam a recordar as suas origens (como aconteceu com os hebreus) e idealizam voltar s suas terras de origem. ento que se do as rebelies que levam queda do imprio assrio, substitudo pelo neo-babilnicco, que ter uma poltica mais compreensiva para com as minorias tnicas.

    Mas so as consequncias culturais e civilizacionais deste processo de expanso militar da Assria para Ocidente que tero verdadeiramente importncia, no quadro dos objectivos deste trabalho. Para alm das consequncias imediatas j referidas, a mdio e longo prazo verificar-se- que os vencidos a Ocidente- hebreus e arameus- acabam por vencer os Assrios, pela irradiao da sua cultura.

    Porque os arameus guerreiros passaram a integrar o exrcito assrio, os operrios as construes reais e outros, diferentes regies agrcolas, tanto as principais cidades como aldeias foram marcadas pela presena de estrangeiros, vindos das costas ocidentais e portadores da mesma lngua. Assim se forma uma "koin" lingustica, com base no aramaico, que suplantou a antiga lngua oficial, o acdico. Lentamente, vai ser esta a lngua oficial e diplomtica, da Prsia ao Egipto, ns sculos VII e VI.

    A par da lngua, so transmitidos costumes e tradies; por exemplo, dado que os reinos arameus tinham grande superioridade comercial, Sargo II acaba por adoptar a unidade de pesos usada por estes. Alm disso, os arameus mantinham contactos com os fencios, voltados para o ocidente mediterrnico16 e atravs deles, os produtos so difundidos por todo o imprio assrio (tecidos, objectos de marfim e de cobre). Juntamente com os produtos, so difundidas as tcnicas de fabrico. Portanto e em suma, poder afirmar-se que das conquistas assrias surgem populaes heterogneas e culturas diferentes, uma fuso entre Ocidente e Oriente, que iria marcar o futuro das civilizaes.

    Presenas Fencias no Ocidente


    Localizao e Origens

    As viagens e a colonizao efectuada pelos comerciantes fencios no primeiro milnio a.C. constituem o primeiro grande empreendimento exploratrio documentado da histria17. A Fencia (que actualmente corresponde, quase na totalidade, ao Lbano) tinha a localizao ideal para comerciar, quer por terra, quer por mar, situada entre o Egipto e os Hititas. Embora os seus habitantes possussem uma civilizao homognea e se considerassem uma nao, no era um estado unificado e sim de um grupo de cidades-estado, sendo que normalmente um deles dominava os outros. Tiro e Sdon alternavam como local de governao.

    Eram um povo de lngua semtica e a investigao histrica aponta que teriam fundado os primeiros estabelecimentos comerciais na costa mediterrnica cerca de 2500 a. C. As frotas das cidades costeiras viajavam pelo Mediterrneo e iam at ao oceano Atlntico. As cidades-estado fundaram muitas colnias comerciais, sendo de destacar Utica e Cartago, no norte de frica, nas ilhas de Rodes e Chipre, no Mediterrneo e Tarsis e Gades, no sul da Pennsula Ibrica. No sculo VIII a.C., as cidades fencias foram conquistadas pela Assria.


    Esse domnio da costa do Mediterrneo oriental e das cidades fencias pelos Assrios acarretou importantes consequncias para o Mdio Oriente e para os povos mediterrneos, nos quais se incluem os do sudoeste da Pennsula Ibrica e mesmo de Portugal.

    Os Fencios, os Assrios e o Mediterrneo

    As interpretaes quanto ao papel dos fencios na histria do Prximo Oriente sublinham as suas funes especializadas no comrcio e na navegao, no quadro de uma economia mercantil. geralmente aceite que a fora motivadora da expanso fencia residia na necessidade de pagar tributo aos grandes imprios e que, portanto, o seu papel econmico era o de manter o imprio dominante, de forma passiva.
    Susan Frankenstein18 argumenta que h que reconhecer aos fencios um papel mais decisivo no fornecimento de bens e servios aos imprios vizinhos, sugerindo que as cidades fencias tiveram um papel essencial na manuteno e desenvolvimento dos imprios do Mdio Oriente. Esse grau de importncia pode ser avaliado pelo tratamento diferencial dado a determinadas cidades fencias pelos seus chefes polticos; por exemplo, em contraste com o que aconteceu com Israel e Jud (incorporados no imprio neo-assrio como vassalos) os Assrios deixaram as cidades fencias virtualmente autnomas, numa tentativa de controlar e redireccionar o seu comrcio.

    Desde o fim do segundo milnio a.C. que os fencios efectuaram transaces comerciais entre o Mediterrneo oriental e ocidental. No sculo X, por exemplo, h referncias no Antigo Testamento a uma aliana entre os primeiros reis de Israel e Hiro I, de Tiro; essa aliana assegurava o acesso das cidades fencias s rotas comerciais terrestres e s rotas martimas para Este. Tanto antes, como depois da diviso do reino hebraico, os fencios estiveram ligados distribuio dos produtos de luxo egpcios; por outro lado, eles prprios manufacturavam outros. Estes produtos eram maioritariamente tecidos, roupas tingidas e bordadas, tapearias, taas de vidro e cermica, recipientes de bronze, prata e outros trabalhos em metal, vinhos, instrumentos musicais, incenso, especiarias, comida e sementes.

    As cidades fencias integradas no imprio neo-assrio, nos sculos VIII e VII a.C. (perodo da expanso assria no Mediterrneo Central) desenvolveram as suas rotas pelo Mdio Oriente, comerciando os produtos que compravam no Egipto (bens de luxo), na costa mediterrnica e na Pennsula Ibrica . As relaes de tributo entre uma e outra permitiam e encorajavam as relaes comerciais, sendo as cidades fencias consideradas reas de especializao, s quais eram dadas vantagens e proteco, devido sua importncia para a Assria. A poltica externa desta era controlar os parceiros comerciais externos, forando-os a reorientar as suas actividades econmicas e a comerciar com a Assria, em vez de com outros centros competitivos.


    Desde o primeiro milnio a.C. que a Fencia, juntamente com os reinos srios, esteve envolvida no fornecimento de grandes quantidades de ferro exigidas pela mquina militar assria. Nos textos assrios diz-se que vinha de "Oeste", mas no especificavam a rea de origem. Com o esmagamento dos estado srios nos finais do sculo VIII a.C., os fencios tornaram-se os principais fornecedores de matrias primas aos Assrios, abandonando o seu antigo papel de fornecedores de bens manufacturados para consumo das elites. Para isso, tiveram de alargar a esfera das suas relaes comerciais. A tendncia expansionista das estratgias comerciais fencias foi, ento, determinada pelas necessidades materiais dos Assrios e pela necessidade de lhes fornecerem recursos essenciais, nomeadamente prata.

    Os Fencios na Pennsula Ibrica

    O interesse dos fencios pelo Mediterrneo ocidental e pelo sul da Pennsula Ibrica insere-se numa lgica de extenso das suas actividades comerciais no Mediterrneo central e na necessidade de explorar os recursos a existentes. Geograficamente, a esfera ocidental de actuao dos fencios foi o canal mediterrnico, caracterizado por intenso trfego martimo. Arqueologicamente, inclui estabelecimentos fencios no norte de frica e na Pennsula Ibrica, a Este e Oeste do estreito de Gibraltar. Estas duas zonas esto fortemente correlacionadas e encontram-se nelas vestgios fencios idnticos19.

    No sculo VIII a.C. havia um importante centro de trabalho do bronze, no Noroeste da Pennsula, que desempenhou um importante papel na poca, com ligaes ao Sudeste da Europa e Irlanda20. Havia uma rede atlntica que transportava matrias primas e produtos finais do Norte da Europa para a Ibria e vice-versa. Os mercadores fencios apoderaram-se deste circuito (o mbar e o ouro seriam igualmente produtos comerciados por eles). Certos objectos de bronze mediterrnico chegaram ao Norte da Europa no sculo VIII e um navio de carga que naufragou em Huelva indicia que, provavelmente, havia uma rota para o seu transporte em redor da Pennsula.

    A estratgia dos fencios era aceder aos produtos finais indgenas e depois us-los para aceder a novos mercados ou iniciar a explorao de novo recursos noutras reas. Assim, ligavam regies economicamente independentes e lucravam ao trocar produtos manufacturados por matrias primas, muito solicitadas nos seus mercados de origem.

    Numa segunda fase, por volta do sculo VII, esta ligao ao Oeste e, em especial ao sul da Ibria marcada pela interveno fencia na produo dos recursos; isto detectvel pelo nmero de estabelecimentos fencios na regio e o seu interesse nesta rea est relacionado com a existncia de prata na zona de Huelva. Este redireccionamento est tambm ligado ao aumento da dependncia assria em relao ao comrcio das cidades fencias de Este, que necessitavam, por seu turno, de maior abastecimento. Neste perodo, as cidades fencias independentes foram sujeitas ao pagamento de um tributo cada vez mais elevado e a imposies comerciais por parte dos reis assrios.

    Um trao caracterstico deste perodo a produo de cermicas pintadas, vermelhas e cinzentas. Foram encontrados vestgios deste tipo de cermica no vale do Guadalquivir, entre Sevilha e Crdoba e nas zonas do Jerez e Huelva, assim como na zona costeira central portuguesa, na Andaluzia oriental e na costa Levantina. Indicam o interesse continuado dos fencios num comrcio atlntico agora mais restrito e na rota martima do Mediterrneo central.

    Consequncias

    ainda de salientar que, dado que no existia uma identidade tnica definida para os habitantes da costa Levantina, estes tanto eram designados por "cananitas" ou por "fencios". Verifica-se que se tratavam de termos aplicados a populaes heterogneas- que incluam residentes de vrias cidades siro-palestinas, assim como elementos de outras zonas da sia ocidental ou do Mediterrneo Este. O termo "fencio" refere, no fundo, uma categoria de pessoas envolvidas em determinadas actividades e no um grupo tnico determinado21. A assimilao dos arameus e dos israelitas, a partir das deportaes assrias, deve ter ocorrido desta forma- passando a falar a lngua fencia e aceitando a sua ideologia, povos de diferentes origens podiam participar das actividades fencias e serem identificados como tal. Do mesmo modo, os estabelecimentos fencios a Oeste tinham dois elementos distintos: os comerciantes e colonos da zona Este da Fencia e elementos das populaes indgenas, que assumiram a identidade fencia, ao partilharam das suas actividades.

    Como foi anteriormente exposto, as campanhas militares assrias em direco ao Mediterrneo e a poltica econmica deste povo reforaram o comrcio dos fencios com o Ocidente. Na poca do imprio neo-assrio e em consequncia da sua expanso, os fencios foram mais um elemento a estabelecer contacto entre o Oriente e o Ocidente: com a explorao dos recursos e das rotas comerciais j referidas, introduziram modificaes nas sociedades indgenas, em termos polticos e econmicos. A sua contribuio foi positiva, mesmo que sejam vistos apenas como intermedirios.


    Por exemplo, a dvida grega para com a Fencia pode compreender-se, se tivermos em conta que adoptaram o alfabeto fencio (provavelmente no sculo VIII a.C.), com poucas variaes (juntamente com as palavras semticas, de emprstimo, que este continha), assim como pela "orientalizao" dos motivos na poesia e nos paradigmas arquitectnicos e pelo uso dos modelos fencios de pesos e medidas. Um dos grandes contributos dos fencios em relao civilizao ibrica foi integr-la na rede comercial do Mediterrneo, como periferia dum sistema regional da sia Meridional, iniciando um processo de orientalizao e civilizao na zona.


    Segundo A. Tavares22 neste contexto, por exemplo, que se pode afirmar que Portugal um pas atlntico em termos geogrficos, mas mediterrnico devido s suas antigas razes culturais. Este autor refere diversos exemplos documentados de presenas fencias na Pennsula Ibrica e mesmo no territrio portugus, a nvel da metalurgia do ouro, do vidro e das contas polcromas, da cermica, dos carros votivos, dos marfins e da prpria escrita.



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    Padro Assrios - cruis e soberbos

    ASSRIOS - CRUIS E SOBERBOS

    Cruis e Soberbos Assrios

    Por que os rios do fertilidade terra e peixe ao homem, porque suas guas levam as canoas e atraem os pssaros, todos querem permanecer em suas margens. Entre o Tigre e o Eufrates, no chamado Crescente Frtil, a Mesopotmia estendia-se do Noroeste do golfo Prsico ao Egito atual. Porque o solo era bom, por que o mais ao redor era deserto, vrias naes ali se concentravam. Sem espao o suficiente para expandir-se: Entre o Tigre e o Eufrates, a guerra foi to constante como os rios, e os imprios tinham curta durao.


    Os acdios sucederam os sumerianos, primeiro povo a se estabelecer na regio, por volta de 3.000 a.C. Foram seguidos pelos guti, ferozes guerreiros vindos do Norte. Aps os guti vieram os elamitas, por sua vez seguidos pelos amoritas da orla do deserto, chamados "antigos babilnios". Depois os acdios novamente, em seguida os amoritas. E ao imprio subseqente, o dos cassitas, foi anexada a Assria, pequeno reino no planalto de Assur, a 800 km da nascente do Tigre, no norte da Mesopotmia.


    O povo assrio havia assimilado e preservado toda a cultura at ento acumulada, mas os cassitas, muito primitivos, agora estavam pondo tudo a perder. Por volta de 1.300 a.C. os assrios comearam a recuperar terreno, expandem-se impetuosamente, e no sculo X a.C. tomam aos cassitas o que ainda lhes restava no vale do Tigre e Eufrates. E ento a Sria, a Fencia e a Palestina (exceto o reino de Jud) e o Egito - quase todo o mundo civilizado da poca - passaram s mos do pequeno reino do Norte, que assim evoluiu para um imprio. Ele se agigantou, certo. Mas deseqilibradamente. Sem um sistema administrativo integrado. Sem unidade, a no ser pela fora. Submetidas a represso feroz, as naes subjugadas se rebelaram to logo o desptico governo sediado em Nnive deu os primeiros sinais de fraqueza.


    Foi um rpido declnio, depois do apogeu alcanado nos sculos VIII e VII a.C., em que reinaram Sargo II (772 - 705), Senaqueribe (705 - 681) e Assurbanpal (668 - 626). O golpe fatal coube aos caldeus, nao semita no sudeste da Mesopotmia, que integrava o imprio assrio. Liderados por Nabopalassar, que servira os imperadores como governador provincial, os caldeus organizam uma revolta que culmina com a queda de Nnive, em 612 a.C.


    "Em um ms de dias, dominei o Elam em toda sua extenso. A voz dos homens, os passos do gado, grande e pequeno, os gritos de alegria, extirpei-os dos campos, onde deixei que se estabelecessem os onagros, as gazelas e toda espcie de animais selvagens". Assurbanpal assim descrevia o massacre dos elamitas. E com certo orgulho. As condies de vida fizeram dos assrios uma nao de guerreiros. Seja pela necessidade de aumentar o pequeno territrio, seja pelo perigo constante de um ataque dos vizinhos hostis. E as exigncias de guerra - tida por ocupao honrosa - marcaram roda a civilizao assria, desde a organizao poltico social at sua arte.




    Mais honrosa s a ocupao do rei. O senhor absoluto e onipotente, mas no onipresente precisava ser representado nas provncias do imprio em formao. Escolhia, pois, governadores para as regies, ligadas por um sistema de comunicaes que foi o primeiro servio postal do mundo. Uma rede de mensageiros cada qual em um ponto-chave das principais rotas, levava deliberaes e notcias do rei para os sessenta cantos do imprio.
    Mas o real poder dos reis era a fora dos exrcitos. O nmero do quadro permanente era maior do que qualquer outro do oriente mdio. Espadas de ferro, longas lanas, aretes, escudos, couraas, capacetes metlicos, faziam de seu equipamento o melhor daquela poca e naquele meio. Para sustentar to dispendiosa milcia lanava-se mo de pilhagens de tributos do povo. E a velha arma, a mais freqentemente usada de domnio dos povos, o terror, era usada de modo sistemtico pelos assrios, o que lhes granjeou a fama de gente arrogante para castigar os insubordinados, mandavam esfol-los e mutil-los vivos.



    Depois engaiolavam-nos para pblicas exibies. Arrasar populaes inteiras e reduzi-las a escravido, impunha a supremacia, a despeito da administrao rudimentar de seu Estado ou da superioridade tcnica e numrica dos exrcitos. Aos poucos, porm, o exrcito foi se enfraquecendo, pois os militares delegavam seus deveres a subordinados, e iam divertir-se nas cidades grandes. A vingana um jogo fcil de armar. Uma a uma, as naes subjugadas conspiraram contra os assrios, at destru-los. Quando os caldeus os dominaram, de Nnive foram exterminadas at mesmo suas sombras. Isso quase apagou os traos da influncia assria na histria subseqente.
    A arte profana

    "Tabiru" o nome de um porto, entre trezentos outros que se abriam ou fechavam nas muralhas da cidade de Assur. A muralha de Nnive tinha 4 km de extenso, e Dur-Sharrukin, cidade-palcio de Sargo II, 3 km de edifcios. Monumental a arquitetura assria, toda baseada em um s esquema: ptios centrais rodeados de aposentos. O aspecto dos edifcios era macio, por terem um nico andar, sem janelas laterais penetrando a luz por aberturas no teto, verdadeiros terraos. As paredes de tijolo de argila - por que as pedras escasseavam - eram decoradas interna e externamente com inscries e esculturas. Principalmente baixos-relevos. A nota dominante da escultura assria o movimento. O manancial de inspirao no inclui os deuses, s os homens: seus reis, suas guerras, suas caas. Assurbanpal freqentemente representado caando lees. Sua figura de soberano destaca-se das demais pelo porte, estatura e traos nobres. Em sua poca a arte assria atinge seu apogeu. Na escultura, a quantidade de msculos raia o sobrenatural, num estilo s repetido em Michelangelo. A imagem em seu todo contida, rgida, o rosto imvel. Se expressa algum estado, o de tranqilidade. Dos rostos vencidos no transparece nem submisso nem terror, a posio dos corpos por vezes sugere esses sentimentos. Na pintura mural, a mesma motivao se repete. Entre artes menores, teve grande importncia a gravao de sinetes para assinatura de documentos.
    Deuses de formas humanas

    Ao norte da cidade de Assur, Senaqueribe mandou construir um jardim, nele ergueu um edifcio, destinado s celebraes do ano novo. Supunha-se que nessa ocasio os deuses assrios rejubilavam pela vitria de Assur sobre o demnio Tiamat. A religio dos assrios em muitos pontos comum dos babilnios e sumerianos era antropomrfica: Todas as divindades tinham formas humanas e no de animais. Dentre eles, Sin (Lua), Chamah (Sol), Nabu (Eufrates), Nibid (Sol levante), Nergal (Sol meio-dia), Adad (Tormenta), Enlil (Terra), Ea (gua). Mas Assur era o Deus superior. Essa disposio hierrquica foi o primeiro passo para o monotesmo, Inspirou os hebreus na conceituao de Deus Universal.
    O Comrcio Proibido

    No sendo rei nem militar, assrio algum teria ocupao. O comrcio lhes era proibido, por ser considerado ignbil. Os estrangeiros eram quem exerciam esse tipo de atividade, ou os arameus, povo subjugado pelos assrios, de caractersticas prximas dos fencios e dos hebreus. A agricultura era praticada pelos escravos, dela provinha o sustento dos assrios. As terras pertenciam aos reis, aos templos ou aos militares, donde se conclui que a populao rural era extremamente pobre. Tambm na cidade, todos os servios eram realizados por escravos, domsticos ou prisioneiros de guerra. A estes cabia o trabalho mais pesado.
    A mulher sem direito

    A pena de talio - olho por olho, dente por dente - que constava do cdigo de Hamurabi, rei dos babilnios e o primeiro a coligir as leis, no foi adotada pelos assrios. No h provas de que outras leis do cdigo tivessem prevalecido entre eles. Mas a influncia que exerceu sobre o direito assrio foi enorme.



    Algumas leis assrias determinavam a inteira sujeio da mulher; a esposa era tida como objeto de uso do marido. S ele tinha direito ao divrcio e a poligamia. Enfim, a mulher era totalmente denegrida, e ai daquela que no cobrisse o rosto com vus. Os documentos da Cultura " pai dos deuses, supremo ser que habita a Grande Montanha dos Campos, lembra-te da cidade, do povo e do palcio real.



    D a grande paz minha alma e aos meus exrcitos". O tratamento na primeira pessoa. O tom solene dirigido a Assur. A escrita cuneiforme, gravada em tabuletas de mrmore: trata-se de uma carta de Zargo II a Assur, uma espcie de relatrio de seus feitos ao deus vivo. Vinte e duas mil tabuletas semelhantes, em mrmore e barro, eram colecionadas na Biblioteca em Nnive, talvez a primeira do mundo. Nem sempre eram cartas. Tambm coligiam todos os conhecimentos dos povos do imprio assrio. Algumas continham frmulas mgicas, contratos comerciais, crnicas militares.
    A Histria reconstituda

    Esses documentos foram de grande valia para a reconstituio da histria dos assrios e dos demais povos da Mesopotmia. Atravs deles soube-se que os assrios dividiram o crculo em 360 graus; que localizaram pontos da Terra atravs de um sistema parecido com as atuais coordenadas geogrficas. Os assrios estudaram o cu, reconheceram e denominaram cinco planetas. Na medicina catalogaram mais de 500 drogas, com as indicaes para seu uso. Algumas eram potagens repugnantes destinadas a expulsar demnios do corpo do doente, pois acreditava-se que eles trouxessem as doenas.


    Fonte: http://geocities.yahoo.com.br


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    Padro Assrios

    Assrios

    Como a maioria dos povos que reinaram no antigo Oriente Mdio, os Assrios, primeiramente um povo de camponeses e guerreiros rudes, tiveram a justia amplamente baseada no cdigo promulgado no sculo XVIII a.C., pelo rei Hamurabi, da Babilnia.



    A Assria era essencialmente uma nao de servos que viviam presos terra que cultivavam; eles podiam ser vendidos juntamente com a propriedade. Deviam obedincia vila mais prxima. Esta, por sua vez, estava presa cidade pela obrigao de pagar impostos, participar nos festivais religiosos e obedecer os mandatos administrativos. As cidades - dentre as quais as principais eram Assur, Nnive, Erbil e Nimrod - estavam sob a autoridade do rei.


    O rei assrio possua poder absoluto sobre todos os aspectos do governo - econmico, diplomtico, poltico, militar e religioso. Embora reconhecido como humano, acreditava-se que fosse um enviado dos deuses, em especial Assur, a divindade principal. Por isso, o monarca vivia distanciado dos outros mortais: s o superintendente do palcio tinha acesso regular a sua presena. At mesmo o prncipe herdeiro s tinha permisso para uma audincia se os presgios fossem considerados favorveis; aos de fora, vendavam-se-lhes os olhos quando iam presena do soberano. Para o rei, no era tarefa fcil manter satisfeitos os deuses.


    Estava constantemente submetido a rituais rduos como jejuar e ficar isolado durante uma semana numa cabana de junco verde. s vezes, os augrios indicavam que os deuses estavam terrivelmente descontentes. O pior sinal era um eclipse, lunar ou solar, pois supunha-se que pressagiava a morte do monarca. Nesses casos, o rei abdicava do trono temporariamente em favor de um suplente, que assumia a responsabilidade pelo que houvesse irritado os deuses. Depois de cem dias, o rei retornava e tanto o substituto como sua esposa eram executados, supostamente para dar aos deuses a morte do rei como foi predita.


    A agresso militar era legitimada pela religio assria: conquistar era a misso divina dos reis. Alm da caracterstica de conquistadores, os assrios eram violentos e costumavam vangloriar-se dos atos sangrentos, faziam do terror e da atrocidade instrumentos de poltica externa. Antes mesmo de tornarem-se os mais poderosos do oriente, num exemplo precoce do terror que se tornaria marca registrada dos assrios, um soberano chamado Salmanasar I, que reinou de 1274 a 1245 a.C., levou para Assria, como escravos, 14 mil soldados inimigos derrotados - mas tratou de assegurar-se, antes de tudo, de que seriam dceis; para isso, cegou-os.


    O fiho de Salmanasar I, Tukulti-Nunurta I, cujo reinado comeou em 1244 a.C., expandiu o territrrio dos assrios que, a poca, j era de mais de 30 mil metros quadrados, que iam dos contrafortes dos Zagros at o Eufrades. Tukulti-Nunurta I escarvizou e levou para Assur, presos com pesadas correntes de cobre no pescoo, os reis de Nairi que comandavam as tribos que viviam nos Zagros, pois estas durante muitos anos vinham atacando a fronteira nordestes da Assria. Tempos depois esses reis tiveram permisso para voltar para casa como vassalos.


    Quando o rei babilnico Kashtiliash resolveu atacar a Assria, Tukulti-Nunurta venceu o exrcito babilnico, capturou o atrevido Kashtiliash e, em suas prprias palavras: "pisei com meus ps em seu pescoo real como se estivesse pisando em um estribo". A Babilnia foi saqueada e Tukulti-Ninurta se auto-proclamou seu novo rei. Da a influncia da sofisticada cultura babilnica aumentou.
    Quando mais tarde a Babilnia revoltou-se com xito, acreditou-se em altos crculos assrios que os deuses pilhados anteriormente estavam demonstrando sua ira contra as iniquidades de Tukulti-Ninurta. E assim, de acordo com uma crnica, o rei assrio, que "tinha colocado sua mo maldosa sobre a Babilnia", teve um triste fim: "Seu filho e os nobres da Assria, rebelaram-se contra ele e arrancaram-no do trono. Aprisionaram-no e mataram-no com uma espada".




    No incio do sculo IX a.C. os Assrios estavam em marcha para o oeste, levando armas assrias ao Mediterrneo pela primeira vez. O imperador era Assurnasirpal II (885-860 a.C.) e este realizaria uma campanha to terrvel em violncia que eclipsaria os feitos sangrentos de seus antepassados. (Veja pgina anterior sobre os Assrios).


    O prprio Assurnasirpal II vangloriou-se: "Provoquei grande morticnio"; "Destru, demoli, queimei. Aprisionei os guerreiros deles e empalei-os diante de suas cidades". Aps saquear uma cidade, empilhou os cadveres como lenha do lado de fora dos portes. "Esfolei os nobres, tantos quantos se haviam rebelado, e estendi suas peles sobre as pilhas". Depois de uma batalha em que matou 3 mil e fez muitos prisioneiros, ele registrou: "Muitos dos cativos queimei numa fogueira. Muitos levei vivos; de alguns, cortei fora as mos, de outros o nariz, orelhas e dedos; arranquei os olhos de muitos soldados. Queimei at a morte os homens e mulheres jovens".


    Um dos primeiros sistemas de escrita foi a cuneiforme, dos babilonios e assrios, sistema que deve ter originado da Sumria: consta de 600 caracteres, cada um dos quais representa palavras ou slabas escritas em tbuas de argila ou pedra. Deve-se s transcries dessa forma de escrita o que hoje conhecemos do povo Assrio.

    A poltica de provocar o terror entre os povos subjulgados era comum entre os assrios e os episdios narrados por Assurnasirpal II do uma idia das formas de morte, como pena, utilizadas pelo povo Assrio: como o empalamento que era um suplcio antigo que consistia em espetar o condenado em uma estaca, pelo nus, deixando-o assim at morrer; alm da morte na fogueira, as mutilaes e o esfolamento; torturas mais tarde tambm utilizadas na Prsia.


    Assurbanipal foi o ltimo grande rei dos assrios. Durante o seu reinado (668 - 627 a.C.), a Assria se tornou a primeira potncia mundial. Seu imprio inclua a Babilnia, a Prsia, a Sria e o Egito.
    No fim do seu reinado, porm, ou logo depois, o poderio da Assria desmoronou. Uma dcada mais tarde o imprio caa em mos de babilnios e persas.



    Assurbanipal era filho de Assarado (ou Asarhaddo), este que morreu (669 a.C.) tentando reconquistar Mnfis, a capital egpcia que havia se rebelado logo aps ser conquistada. Assurbanipal no fugiu a regra dos seus antecessores: as conquistas e o crescimento das fronteiras da Assria eram seus maiores objetivos, sempre realizados de forma violenta, mas orgulhando-se das carnificinas.


    Aps a morte de seu pai, o imprio assrio foi dividido, sendo que seu irmo Chams-Chum-Uquim reinaria sobre a Babilnia e Assurbanipal governaria o resto. Assurbanipal reconquistou Mnfis e estendeu o domnio assrio para o sul do Egito, at Tebas. Mas Chams-Chum-Uquim, com cimes, por volta de 652 a.C., resolveu atacar uma tropa de Assurbanipal, perto da Babilnia. Logo deflagrou-se uma guerra civil, que s terminou depois de 3 anos de cerco na Babilnia. Nos ltimos dias, os mortos estavam empilhados nas ruas e contam os cronistas que os sobreviventes "comiam a carne de seus filhos e filhas para no morrer de fome". Finalmente, Chams-Chum-Uquim lanou-se nas chamas de seu prprio palcio.



    Depois de dar ao irmo um funeral digno do sangue real, Assurbanipal vingou-se dos outros rebeldes: "Eu alimentei com seus cadveres, cortados em pedaos pequenos, ces, porcos, abutres, guias, os pssaros do cu e os peixes do oceano".


    Como seus antepassados, Assurbanipal vangloriava-se de sues feitos sangrentos. Aps rechaar uma rebelio na Babilnia, o monarca deixou registrado a atitude punitiva severa: "Erqui um muro diante das grandes portas da cidade. Mandei esfolar os chefes da revolta e cobrir o muro com suas peles. Uns foram enterrados vivos na construo, outros foram crucificados ou empalados ao longo do muro. De vrios mandei arrancar a pele na minha presena e revestir este muro com ela. Mandei dispor as cabeas em forma de coroas, e os cadveres trespassados em forma de grinaldas."


    Apesar da ferocidade o rei Assurbanipal seria lembrado como o estudioso que se gabava de sua prpria instruo, e que criou a grande biblioteca de Nnive com uma coletnia com obras em caracteres cuneiformes, hoje responsvel por muito do que se sabe dos povos da Mesopotmia. Durante o seu reinado, que durou cerca de quarenta anos a tcnica do baixo-relevo atingiu maiores propores. As fachadas e as salas dos palcios estavam, a perder de vista, cobertas de tapearias de pedra:
    Em um painel de pedra que decorava o palcio do rei Assurbanipal, em Nnive, arqueiros assrios colocam em fuga um contigente de rabes montados em camelos. Bando de rabes, .ansiosos por butins, rondavam as fronteiras meridionais da Assria no Sculo VII a.C., obrigando Assurbanipal a montar expedies punitivas.

    Fonte: [Somente os Membros podem ver links. ]


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