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Tópico: Columbofilia: Como criar bons pombos

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    Padrão Columbofilia: Como criar bons pombos



    Temos trocado impressões com diversos editores de revistas da nossa especialidade sobre os temas que mais interessam aos columbófilos ao longo do ano.
    Escrevo para muitos jornais e revistas e posso afirmar que é difícil escrever quando os destinatários ou leitores estão localizados em países longínquos como os da América do Norte do Sul ou países do Extremo Oriente.
    Escrever para leitores holandeses ou mesmo de países vizinhos não será um problema escolher os temas porque conheço o que lhes interessa. Escrever para o outro lado do mundo onde o nosso desporto é tão diferente, é uma outra história. E é por isso que, naqueles casos, peço sempre ajuda a quem está perto dos problemas.

    Um tema comum a todas as regiões do mundo parece ser o de “Como criar bons pombos”. Aliás, foi esse o tema sugerido pelo meu amigo David. Por momentos pensei “Que estúpida pergunta”, mas foi por curto lapso de tempo. Quando era estudante, o meu professor costumava dizer: “Não há perguntas estúpidas, o que há são respostas estúpidas”. E de facto quanto mais pensava na pergunta, mais sensata me parecia. É que esta leva-nos a pensar o quanto é importante apostar na qualidade dos pombos. Muitos columbófilos (não os campeões, penso), procuram o êxito por caminhos errados. Acreditam bastante nos medicamentos, nos segredos, no “frasco mágico” ou no “pó amarelo”.

    Presumo que isto acontece em todos os lugares do mundo, no meu país, inclusive. Reconheço que muitos dos meus amigos columbófilos procuram os melhores medicamentos, as melhores vitaminas e o apoio dos melhores veterinários ao longo de toda a sua carreira, mas eu sempre fui à procura dos melhores pombos. Certamente que para encontrar bons pombos é preciso um pouco de sorte. Mas que percentagem de sorte é necessária para conseguir ases? Lembremo-nos do que acontece por todo o lado… enquanto há columbófilos que de vez em quando encontram um bom pombo ou um bom casal, há muitos outros que não conseguem criar um pombo “decente” durante toda uma vida…

    Sorte
    A sorte é um factor importante, e até posso dar-vos um exemplo, um facto que aconteceu recentemente. Co Verbree, um dos melhores columbófilos da Europa, esteve no meu pombal e comprou dois netos da minha “Sissi”. A “Sissi” foi uma reprodutora extraordinária, não foi?, disse ele, “talvez uma das melhores de sempre”. Pensei que essa afirmação era exageradamente lisonjeira. “Sim, foi uma boa fêmea”, concordei, “mas, mesmo assim, é preciso um pouco de sorte para obter bons filhos”, disse eu. Muitos dos seus descendentes foram realmente grandes voadores, mas nem todos. Com os pombos que compras tens uma boa oportunidade para conseguires bons filhos, nada mais do que isso. Não posso garantir que os pombos saiam bons, embora muitos filhos e netos tenham saído bons, não posso garantir que entre esses esteja um “super pombo”. É tão simples como isso. Para quem fala assim, a reacção de Verbree foi imediata: “Sabes que eu tive o melhor Pombo Sport Absoluto na Olimpíada da África do Sul?”. Sim, sei.
    Verbree: “No ano em que criei esse Pombo Ás, criei mais cinco borrachos do mesmo casal. Todos foram bons, suponho que excelentes. No ano seguinte voltei a criar borrachos do mesmo casal. Tirei 10 borrachos porque esperava muito deles. E sabes os resultados? Nenhum desses 10 borrachos saíram bons. Antes pelo contrário, foram mesmo maus. Imaginas o que foi isso para mim?” Sim, imagino, porque coisas semelhantes acontecem muitas vezes. Mas Verbree tinha mais coisas importantes para dizer: “Um columbófilo americano comprou o meu Pombo Olímpico por um preço incrível e digo-te a verdade. Apesar dos seus sensacionais resultados, esse pombo nunca deu um bom filho. Falando honestamente, até foi por isso que o vendi. No entanto, um dos seus irmãos, que não era um bom voador, mas um dos meus melhores reprodutores. Por isso, parece-me que fiz um bom negócio: vendi o voador que era um fraco reprodutor e guardei o seu irmão que era um bom reprodutor”.

    Casal de Ouro
    Conheço alguns columbófilos japoneses que só sabem duas palavras em inglês. Não podemos censurá-los por isso, eles têm outras boas qualidades que não falar o inglês. Essas duas palavras são: “Golden Couple” (Casal de Ouro). Mas eles querem só casais que dêem pombos super? Esses Casais de Ouro só existem na cabeça dos autênticos sonhadores. Porque será que actualmente, na Europa, os campeões criam mais borrachos do que no passado? O motivo principal é que começam a compreender que também é preciso sorte para obter um pombo campeão! Como já disse, não é só a sorte a responsável pela criação de um craque. Para justificar esta afirmação, conto-vos a história dum campeão belga. Normalmente gosto de mencionar os nomes nos meus artigos para dar mais credibilidade ao que transmito aos meus leitores. Neste caso prefiro não o fazer porque poderia ferir a sua reputação. Deus não criou o Homem para ofender um ser igual.

    Exemplo
    Normalmente, um columbófilo sério deseja introduzir um ou outro pombo para cruzar com os seus, isto para lhes dar mais vitalidade. Para optimizar as hipóteses de êxito nos cruzamentos é muito importante que se esteja atento às deficiências que vão aparecendo nos pombos da colónia. Assim, falámos desse columbófilo belga, um campeão de velocidade, que começou a preocupar-se com questões como estas: “Porque será que os meus resultados não são bons quando encesto pombos na longa distância? - Será uma questão de falha física e se é, qual será? Haverá a possibilidade de encontrar uma solução, por exemplo, um cruzamento bem feito? Como não posso ver se é um bom pombo (ninguém é capaz de dize-lo), isto é, só posso dizer as falhas que o pombo tem cometido. Eu vi e analisei os seus pombos. Bons na mão e bons músculos, mas para minha surpresa um factor errado aparecia em todos os pombos: As últimas rémiges da asa activa demonstravam falta de flexibilidade. Ele parece ter ficado surpreendido e não compreender quando lhe apontei dois ou três pombos que tinham as suas últimas rémiges partidas. Ele encolheu os ombros e disse: “E então? Foi apenas um acidente que pode acontecer a qualquer pombo”.
    Pode ser, disse eu, mas não tão facilmente aos bons pombos. Para testar a flexibilidade poderemos tentar curvar as últimas rémiges entre o nosso polegar e o indicador sem que as rémiges se partam.
    A flexibilidade destas rémiges é um factor importante e absoluto para que as aves “tenham asa” para as longas distâncias. É importante prestar atenção às asas do pombo antes de o mandar para um concurso duro com largas horas de voo. Verificar a flexibilidade das últimas rémiges. E se essas penas se apresentarem duras e não curvarem? Então, nessa situação, o pombo está em má situação para voar com facilidade porque as rémiges estão muito duras. O pombo depressa se fatigará, mais do que aqueles que possuem rémiges flexíveis.
    O campeão belga compreendeu a mensagem e o que decidiu foi introduzir pombos com penas flexíveis que cruzou com os seus próprios pombos e só dois anos mais tarde é que conseguiu pombos que voassem bem também na longa distância.
    Por isso, não é demais se repetirmos quão importante é conhecer os pontos fracos dos próprios pombos. Só conhecendo-os bem é que poderemos fazer algo para melhorar a qualidade da colónia.
    Um erro que muitos columbófilos cometem é introduzir pombos com os mesmos pontos fracos dos seus próprios pombos. Esse erro pode levar inevitavelmente à destruição da colónia.

    Muitos Pombos Ás são tirados de cruzamentos
    Há columbófilos do Oriente e da América que gostam de pombos da mesma família, isto é consanguíneos. Essa ideia não é má se tais pombos forem utilizados para a criação e não para competição. E sabemos que uma boa parte dos pombos super, holandeses e belgas, são produtos de cruzamentos. Nos anos 80, tinha o meu “Good Yearling” e pombos a ele aparentados. Desejava manter essa linha pura. Agora também tenho bons pombos dessa linha e para minha surpresa alguns columbófilos que compraram dessa família estão a conseguir criar melhores pombos do que eu fizera até aqui. Fizeram isso no momento certo, compreendo agora. Cruzaram os meus pombos consanguíneos com os seus próprios pombos. É por isso que agora faço como eles fizeram, não mantenho pura por muito tempo uma família de pombos, cruzo-a com os meus consanguíneos.
    Um exemplo: a minha “Sister Good Yearling” ao contrário do seu irmão foi uma má voadora e também uma má reprodutora, pelo menos é o que penso.
    A partir da data em que lhe dei um novo macho de diferente sangue, o primeiro borracho do novo casal ganhou o 1º nacional de Orleans (1985). Infelizmente, essa fêmea já tinha idade avançada quando a juntei ao outro macho e consegui um cruzamento feliz. Casos como este acontecem a muita gente. Quando os filhos começam a demonstrar serem bons voadores e a ter certezas de ter conseguido um bom casal, por vezes, já um dos pais foi vendido, morreu ou está muito velho.

    Errado
    Quando um columbófilo deseja comprar um ou mais pombos, é quase sempre a mesma história. Digamos que quer comprar seis pombos e geralmente devem ser três machos e três fêmeas, o que faz três casais.
    Aprendi que esta não é a melhor forma de fazer as coisas. Se introduzo pombos, acasalo-os com o melhor que tenho, portanto, com pombos que já provaram ter potencialidades para dar bons borrachos. É a mais rápida e fácil maneira de ser bem sucedido do que acasalar machos comprados com fêmeas compradas.
    Se acasalarem um pombo introduzido com uma boa fêmea da colónia, boa reprodutora, por exemplo, as possibilidades de êxito serão sempre maiores.

    Aspecto exterior
    Que dizer do aspecto exterior dos pombos? Em primeiro lugar devem possuir penas sedosas. Ter atenção aos pombos grandes. O pombo moderno é do tipo mais pequeno do que o de há umas décadas atrás. Devem demonstrar um bom equilíbrio (caírem bem na mão) tal como dizem os columbófilos mais experientes e devem ficar um pouco inclinados para a frente quando se pega neles. De grande importância é o pombo possuir também um esqueleto forte. Um dos testes que podemos fazer é pressionar um pouco o externo (o extremo do corpo do pombo). Se o pombo fizer um pouco de barulho (roncar) é um mau indício.
    Estas qualidades são as mais importantes num pombo, a que devemos prestar mais atenção. Mas aqui temos um problema: O simples facto de um pombo possuir estas qualidades não quer dizer que seja um bom pombo. Há pombos maus que também possuem penas sedosas, um bom equilíbrio e um esqueleto forte. Contudo se um pombo não possui essas qualidades, será certamente um mau pombo. Um filósofo disse uma vez: “Todas as vacas são animais, mas todos os animais não são vacas”.

    Mais exemplos
    Muitos campeões têm duas, três ou quatro boas raças de pombos. Normalmente, os seus “Pombos Ás” são filhos de cruzamentos entre essas raças. Como já são campeões não costumam introduzir muitos pombos, se o fazem, introduzem poucos, nalguns casos nunca mais de um ou dois por ano. Nesta última década criou-se o hábito de não comprarem os pombos, fazem trocas entre si. Casos como a Família Houben e Verbruggen. Trocam apenas um pombo. Os pombos que recebem geralmente são cruzados com os da sua própria linha e essa estratégia tem resultado numa explosão de super pombos nas duas colónias envolvidas. O mesmo aconteceu nas colónias Engels e Van Hove Uytterhoeven. Ambos já conseguiram bons pombos, talvez melhores depois destes cruzamentos entre exemplares destas colónias.

    Também bom
    Em que campeões da Holanda e Bélgica se fazem trocas de casais todos os anos? Alguns (mesmo nos Irmãos Janssen) fazem trocas de casais durante o ano. Por qualquer misteriosa razão a qualidade dos borrachos baixa quando a mesma fêmea e o mesmo macho estão acasalados durante muito tempo. Eu próprio acasalo também os meus melhores machos com duas ou três diferentes fêmeas todos os anos. Logicamente que os pombos só são acasalados quando estão nas melhores condições para tal.
    Há columbófilos que ficam admirados com a estratégia de trocar os casais no mesmo ano e, geralmente, os que são contra essa forma de proceder são os que durante vários anos não criam um pombo “decente”!
    A explicação desse facto é provavelmente a forma e a qualidade dos pais. Um estudo já demonstrou que muitos dos bons pombos são tirados de pombos novos. Isto não quer dizer que casais de uma certa idade não possam dar bons filhos. O problema com os pombos velhos é a pobre qualidade da papa que administram aos filhos.
    Este ano cometi um erro ao deixar que um macho de 1992 alimentasse os seus próprios filhos. Alguns não se desenvolveram suficientemente bem e acabei por sentir ter culpa dessa situação. O que deveria ter feito era ter passado os ovos a outro casal de pombos de ano, que alimentariam os borrachos logo após o nascimento. Mas cometer erros não é coisa de que nos devamos envergonhar. O único problema que existe é se não assumirmos o erro que cometemos e não procurarmos corrigi-lo no futuro.
    O que distingue os perdedores dos vencedores é que, no segundo caso, os erros cometidos são cedo detectados e corrigidos a partir daí. Se cada um não sabe onde e porque falham os seus pombos, se os erros não são detectados, será difícil passar para um patamar columbófilo mais elevado.

    © Ad Schaerlaeckens

    Cumprs, Rai.72

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