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Tópico: stress é causa da morte de neurônios e pode levar à depressão

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    Padrão stress é causa da morte de neurônios e pode levar à depressão

     

    Não há entre os clínicos um consenso exacto sobre quando se entra de um processo de stress e quais são os sintomas. Sabe-se que o problema é um processo dinâmico – uma pessoa pode entrar na primeira fase, a de alerta, várias vezes ao longo do dia – e que a ansiedade é uma característica comum.

    “Toda pessoa que se sente ansiosa na maioria dos seus dias e na maior parte do tempo, está entrando na fase de alerta”, acredita Geraldo Possendoro, psiquiatra, psicoterapeuta e especialista em medicina comportamental.

    A fase de alerta é a primeira do processo de stress e, para o psiquiatra, aquela em que se encontra grande parte da população de cidades como São Paulo. Nelas costumam estarem presentes factores externos que podem desencadear o stress, como poluição, trânsito intenso e violência.

    “É natural que as pessoas experimentem eventos estressantes. Uma entrevista de emprego, uma festa em que a ex-namorada vai estar com o namorado actual, entre outras. Mas quando esses eventos estressantes se tornam rotina, você entra na fase de alerta”, explica Possendoro.

    Qualidade de vida

    Antes que se chegue à segunda e à terceira fases, de resistência e exaustão, respectivamente, o indivíduo pode sair da situação de estresse por meio de técnicas de relaxamento, da prática de exercícios físicos e de mudanças no estilo de vida.

    Essa é a hora de combatê-lo. Estudos indicam que os nossos neurónios possuem factores que contribuem para a sobrevivência, chamados anti-apoptóticos, e factores que prejudicam, chamados apoptóticos (sendo “apoptose” a morte celular). “stress aumenta a ação das substâncias apoptóticas. Stress mata neurónios. Sob stress a gente perde mais (neurónios) e isso pode levar a sintomas depressivos”, diz Possendoro.

    É claro, a solução não é tão simples. Mudar de emprego, mudar a alimentação, sair das situações e dos ambientes de estresse que fazem parte do dia-a-dia é incabível e inviável para a maioria dos estressados. Procurar a ajuda de um profissional psicoterapeuta nessa hora é o mais aconselhado.

    Tratamento

    Geraldo Possendoro acredita que são cinco as estratégias de tratamento de stress na terapia cognitivo-comportamental. Em um primeiro eixo: técnicas de relaxamento muscular, meditação concentrativa e respiração diafragmática.

    No segundo eixo, reestruturação cognitiva (trabalhar construtivamente os pensamentos que causam sensação de stress). No terceiro, exercícios físicos regulares, prática que libera endorfina e diminui produção de radicais livres, que lesam membranas e aumentam a destruição de neurónios.

    No quarto eixo, as mudanças ambientais. “Não é tão fácil mudar o ambiente, mas é importante tentar”, lembra o psiquiatra. E, finalmente, no quinto eixo: mudanças na alimentação. O consumo regular de frutas, legumes, verduras e um complexo multivitamínico confiável (com acompanhamento médico) acaba inativando os radicais livres.

    “Se eu não fizer essas mudanças, vai chegar uma hora, depois de meses ou anos, que vou para a fase de resistência-exaustão – não dá pra identificar claramente quando acaba uma e começa a outra”, diz Possendoro.

    Consequências

    Com a evolução do quadro, começam a surgir sintomas e doenças causadas pelo estresse. Isso porque, em cada situação estressante, o organismo libera uma série de substâncias, sendo as principais o cortisol – o hormônio do stress – e a adrenalina.

    No momento da crise, as substâncias ajudam a diminuir a ansiedade e protegem o corpo. Porém, o “cortisol liberado em doses altas repetidamente prejudica o funcionamento do sistema imunológico, que defende o corpo das doenças e regula as alergias”, diz o psiquiatra.

    As consequências mais comuns são as alergias frequentes, as infecções frequentes, principalmente nas vias aéreas superiores, as gastrites crónicas e a constipação intestinal variável.

    Insónia, irritabilidade, dificuldades de potência sexual, pouca lubrificação (no caso das mulheres) e ejaculação precoce são outras reclamações comuns. E o stress pode ainda desencadear diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias (aumento de triglicérios e colesterol) e, embora não haja um consenso entre os médicos, até câncer.

    Geraldo Possendoro diz não ter dúvidas de que isso é real, já que nessa fase o sistema imunológico teria muita dificuldade de se defender de células cancerosas. Contudo, desmonta a idéia de bicho de sete cabeças afirmando: “stress não é uma doença. stress não é um sintoma. stress é um processo, no qual a pessoa entra e do qual pode sair.


    Abril
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